25 de setembro de 2013

CONFIRA A LISTA DE PREMIADOS DO FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO - Leandro Melito

Nesta terça-feira (24), a 46ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro conheceu os seus vencedores. Na categoria longa-metragem de ficção, o grande vencedor foi o filme "Exilados do Vulcão", de Paula Gaitán.


Em número de troféus na categoria, os maiores ganhadores foram “Amor, Plástico e Barulho” e “Depois da Chuva”. Já no júri popular, o vencedor foi o filme "Os Pobres Diabos", de Rosemberg Cariry

Na categoria longa-metragem de documentário, o filme vencedor foi "O Mestre e o Divino", de Thiago Campos. O documentário “Morro dos Prazeres” foi o que mais faturou troféus: melhor direção para Maria Augusta Ramos, melhor fotografia para Guy Gonçalves e Leo Bittencourt e melhor som para Felippe Mussel. Já na categoria Curta-metragem de Ficção, o ganhador foi "Lição de Esqui", de Leonardo Mouramateus e Samuel Brasileiro. “Tremor” ganhou três prêmios na categoria.

Na categoria curta-metragem de documentário, o ganhador foi o "Contos da Maré", de Douglas Soares. O melhor curta-metragem de animação foi "Faroeste - um autêntico Western", de Wesley Rodrigues. O filme também ganhou o prêmio como melhor filme de curta-metragem no júri popular.

Além do prêmio oficial do Festival, também foram entregues os prêmios Câmara Legislativa do Distrito Federal, Canal Brasil, TV Brasil, Associação Brasileira de Críticos de Cinema, Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo e Correio Braziliense.

PRÊMIOS DO JÚRI OFICIAL: TROFÉU CANDANGO E PRÊMIOS EM DINHEIRO

FILME DE LONGA-METRAGEM DE FICÇÃO
  • Melhor filme - R$ 250 mil "Exilados do Vulcão", de Paula Gaitán
  • Melhor direção - R$ 20 mil Michael Wahrmann por "Avanti Popolo"
  • Melhor ator - R$ 10 mil Pedro Maia por "Depois da Chuva"
  • Melhor atriz - R$ 10 mil Maeve Jinkings por "Amor, Plástico e Barulho
  • Melhor ator coadjuvante - R$ 5 mil Carlos Reichenbach por "Avanti Popolo"
  • Melhor atriz coadjuvante - R$ 5 mil Nash Laila por "Amor, Plástico e Barulho
  • Melhor roteiro - R$ 10 mil Cláudio Marques por "Depois da Chuva"
  • Melhor fotografia - R$ 10 mil Aloysio Raulino por "Riocorrente"
  • Melhor direção de arte - R$ 10 mil Dani Vilela por "Amor, Plástico e Barulho"
  • Melhor trilha sonora - R$ 10 mil Mateus Dantas, Nancy Viegas, Bandas Crac! e Dever de Classe por "Depois da Chuva"
  • Melhor som - R$ 10 mil Fabio Andrade, Edson Secco e Roberto Leite por "Exilados do Vulcão"
  • Melhor montagem - R$ 10 mil Idê Lacerda e Paulo Sacramento por "Riocorrente"
FILME DE LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO
  • Melhor filme - R$100 mil "O Mestre e o Divino", de Thiago Campos
  • Melhor direção - R$ 20 mil Maria Augusta Ramos por "Morro dos Prazeres"
  • Melhor fotografia - R$ 10 mil Léo Bittencourt e Gui Gonçalves por "Morro dos Prazeres"
  • Melhor trilha sonora - R$ 10 mil "O Mestre e o Divino"
  • Melhor som - R$ 10 mil Felipe Mussel por "Morro dos Prazeres"
  • Melhor montagem - R$ 10 mil Amandine Goisbault por "O Mestre e o Divino"
  • Prêmio Especial do Júri: "Outro Sertão", pelo trabalho de pesquisa
FILME DE CURTA-METRAGEM DE FICÇÃO
  • Melhor filme - R$ 20 mil "Lição de Esqui", de Leonardo Mouramateus e Samuel Brasileiro
  • Melhor direção - R$ 5 mil Ricardo Alves Jr. por "Tremor"
  • Melhor ator - R$ 5 mil Miguel Arraes por "Todos Esses Dias em que sou Estrangeiro"
  • Melhor atriz - R$ 5 mil Rita Carelli por "Au Revoir"
  • Melhor roteiro - R$ 5 mil Leonardo Moura Mateus por "Lição de Esqui"
  • Melhor fotografia - R$ 5 mil Mateus Rocha por "Tremor"
  • Melhor direção de arte - R$ 5 mil Thales Junqueira por "Au Revoir"
  • Melhor trilha sonora - R$ 5 mil Gustavo Fioravante e o Grivo por "Fernando que Ganhou um Pássaro do Mar"
  • Melhor som - R$ 5 mil Bruno Bergamo por "Sylvia"
  • Melhor montagem - R$ 5 mil Frederico Benevides por "Tremor"
FILME DE CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO
  • Melhor filme - R$ 20 mil "Contos da Maré", de Douglas Soares
  • Melhor direção - R$ 5 mil Rafael Urban e Terence Keller por "A que Deve a Honra este Simples Marquês"
  • Melhor fotografia - R$ 5 mil André Moncaio por "O Canto da Lona"
  • Melhor trilha sonora - R$ 5 mil Fábio Baldo por "Contos da Maré"
  • Melhor som - R$ 5 mil Samuel Gambini por "O Canto da Lona"
  • Melhor montagem - R$ 5 mil Ivan Costa e Dácia Ibiapina por "O Gigante Nunca Dorme"
FILME DE CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
  • Melhor filme - R$ 20 mil "Faroeste, um Autêntico Western"
PRÊMIO DO JÚRI POPULAR: TROFÉU CANDANGO E PRÊMIOS EM DINHEIRO
  • Melhor filme de longa metragem - R$ 30 mil Melhor longa-metragem de ficção do júri popular: "Os Pobres Diabos", de Rosemberg Cariry
  • Melhor filme de curta metragem - R$ 20 mil "Faroeste - Um Autêntico Western", de Wesley Rodrigues
OUTROS PRÊMIOS

Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal - Júri Oficial
  • Melhor longa-metragem: R$ 80 mil "Plano B", de Getsemane Silva
  • Melhor curta-metragem: R$ 30 mil "O Balãozinho Azul", de Fauston da Silva
  • Melhor direção: R$ 6 mil Renata Diniz por "Requília"
  • Melhor ator: R$ 6 mil Dimer Monteiro e Henrique Bernardes por "Requília"
  • Melhor atriz: R$ 6 mil Patrícia del Rey por "Fragmentos"
  • Melhor roteiro: R$ 6 mil "Requília"
  • Melhor fotografia: R$ 6 mil "Fragmentos"
  • Melhor montagem: R$ 6 mil "Plano B"
  • Melhor direção de arte: R$ 6 mil "Palhaços Tristes"
  • Melhor edição de som: R$ 6 mil "Palhaços Tristes"
  • Melhor captação de som direto: R$ 6 mil "Requília"
  • Melhor trilha sonora: R$ 6 mil "Por uma Dose Violenta de Qualquer Coisa"
TROFÉU CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL - JÚRI POPULAR
  • Melhor longa-metragem: R$ 20 mil "Cidadão Brazza", de Peterson Paim
  • Melhor curta-metragem: R$ 10 mil "O Balãozinho Azul", de Fauston da Silva
PRÊMIO CANAL BRASIL DE INCENTIVO AO CURTA-METRAGEM
  • Cessão de um Prêmio de Aquisição no valor de R$ 15 mil e o troféu Canal Brasil ao melhor curta selecionado pelo júri Canal Brasil. "A que Deve a Honra Dessa Ilustre Visita esse Simples Marquês"
PRÊMIO EXIBIÇÃO TV BRASIL: Os títulos premiados integrarão a programação da emissora
  • Melhor longa-metragem - R$ 50 mil "Os Pobres Diabos"
PRÊMIO ABRACCINE: O Prêmio da Crítica será atribuído e organizado, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, pela Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema).
  • Melhor longa-metragem "Avanti Popolo"
  • Melhor curta-metragem "A que Deve a Honra Dessa Ilustre Visita esse Simples Marquês"
PRÊMIO ABCV - ASSOCIAÇÃO BRASILIENSE DE CINEMA E VÍDEO: Conferido pela ABCV – Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo a profissionais do audiovisual do Distrito Federal "Cidadão Brazza"

PRÊMIO SARUÊ: Conferido pela equipe de cultura do jornal Correio Braziliense "Avanti Popolo", de Michael Wahrmann.

Extraído do sítio Portal EBC

SÉTIMA EDIÇÃO DA PRIMAVERA DOS MUSEUS DESTACA RELAÇÃO ENTRE MEMÓRIA E CULTURA AFRO-BRASILEIRA


Rio de Janeiro – A sétima edição da Primavera dos Museus começou segunda 23 em todo o país, com o tema Museus, Memórias e Cultura Afro-Brasileira. Até domingo (29), museus em diversas cidades terão programação especial que inclui palestras, oficinas, exposições com visitas guiadas, além de concertos musicais e apresentações de dança. No Brasil, 884 museus vão promover 2.264 eventos culturais, propondo ao público uma reflexão mais profunda sobre o tema. Só no estado do Rio, participam 82 unidades.

O evento é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A temática deste ano é resultado de uma discussão sobre a transformação social apresentada durante a conferência do Comitê Internacional de Museus de 2013, que abordou a junção de memória e criatividade resultando em mudança social. Assessor cultural do Museu da República, uma das unidades do Ibram, o museólogo Mário Chagas diz ser impossível falar em qualquer mudança social no Brasil sem tratar a questão da cultura afro-brasileira.

“Estamos articulando museus, memórias e cultura afro-brasileira, no sentido de que a memória pode contribuir para uma maior emancipação da cultura brasileira”, destaca. “Vivemos em um país onde a intolerância religiosa continua e é crescente, onde as práticas racistas são recorrentes, tem uma potência no que se refere à cultura afro-brasileira, no entanto frequentemente desvaloriza essa cultura”, acrescenta.

No Rio, entre as instituições participantes da Primavera dos Museus estão o Museu Histórico Nacional, o Museu Imperial, em Petrópolis, região serrana do estado, e o Museu Nacional de Belas Artes, que promove na quarta-feira (25) uma palestra sobre a arte africana.

O Museu da República abriu hoje para o público três exposições e mesas-redondas sobre cultura afro-brasileira e intolerância religiosa. Na visão do museólogo, o impacto causado pelo evento é muito forte no setor cultural e social. “Isso contribui para as pessoas que trabalham no museu, contribui para o nosso setor educativo, mas também contribui para o público. Discutimos os problemas sociais, a questão da violência contra as mulheres, o tema da liberdade religiosa e mulheres negras em vários segmentos da sociedade. A Primavera dos Museus é uma espécie de convite a uma reflexão complexa”, ressalta Mário Chagas.

Desde a primeira edição em 2007, a Primavera dos Museus vem ganhando mais adeptos. Em 2007, 300 museus aderiram ao evento, com 874 atividades em todo o país. Agora, 884 participam. A programação completa está disponível no site http://www.museus.gov.br.

Extraído do sítio Agência Brasil

PROJETO LEVA LIVROS PARA AS RUAS DE MANAUS

Governo do Amazonas lança "Bibliotecas volantes" esta semana, em Manaus.


A partir desta quinta-feira (26), os livros irão invadir as ruas de Manaus com o projeto “Bibliotecas volantes”. Parte do programa estadual “Mania de Ler”, o projeto consiste de três veículos do tipo van, transformados em verdadeiras bibliotecas com acervos de 600 livros de literatura em cada uma. Nos veículos, há ainda material didático, lúdico e estrutura para realizar pequenas apresentações e atividades ao ar livre para diversas faixas etárias com supervisão de equipes pedagógicas da secretaria nos bairros da periferia da capital.

A cada semana, três bairros e comunidades serão sorteados para receber a visita das bibliotecas batizadas em homenagem aos escritores Aníbal Beça, Vinícius Câmara e ao ex-secretário de Educação, Elson Farias (pioneiro ao criar projetos de literatura nos bairros mais distantes da capital na década de 1970).

“Nesta primeira fase vamos avaliar a aceitação do projeto nos bairros da Compensa, Cidade de Deus, São José e Zumbi, mas já há determinação do governador Omar Aziz para expandir o número de veículos em Manaus e também levar o projeto para o interior”, destacou o secretário de Cultura, Robério Braga.

Robério também destaca que, a exemplo de todas as bibliotecas, salas de leitura, eventos e projetos da secretaria, a acessibilidade para portadores de necessidades especiais teve grande importância na hora de selecionar os livros. “Temos livros em braile que serão, periodicamente, renovados, além de profissionais treinados para dar toda a assistência necessária ao publico”, acrescentou.

De acordo com o diretor do departamento de Literatura da Secretaria de Estado da Cultura, Antônio Ausier, os veículos irão ficar estacionados principalmente em áreas próximas a escolas, praças e outras áreas públicas nos bairros com maior concentração de crianças.

“É importante ressaltar que o público alvo são as crianças e jovens, mas estas só poderão participar das atividades acompanhadas dos pais ou responsáveis, até como forma de integrar família, tios e irmãos mais velhos neste processo educacional e cultural”, explicou Ausier.

Nacionais e internacionais

Assim como a localização das vans, o acervo das Bibliotecas Volantes também será itinerante com trocas periódicas de acordo com a demanda dos jovens leitores. Além das obras infanto-juvenis de Figueiras, Leong e Thiago de Mello já citadas, também fazem parte das obras locais selecionadas para as Bibliotecas Volantes livros como “Sonhos de Cuirão“, de Neuton Corrêa, “O Pescador e a Princesa Encantada” de Antônio Magalhães Morais e o “Urubu Albino”, de Zemaria Pinto, entre outras.

De autores nacionais, Maurício de Souza e sua Turma da Mônica estão disponíveis para a criançada com diversas coleções e histórias, assim como a escritora Ruth Rocha, autora de clássicos do gênero como “Marcelo, Marmelo, Martelo”, “A Árvore do Beto” e o “Piquenique do Catapimba”.

Os grandes nomes internacionais e suas obras que fazem parte da cultura universal não podiam ficar de fora das Bibliotecas Volantes. De “Chapeuzinho Vermelho” (Charles Perrault) e “As Aventuras de Robison Crusoé” (Daniel Defoe) até o imenso trabalho de Walt Disney também estão disponíveis para consulta e leitura gratuita.

Para saber mais sobre o projeto Bibliotecas Volantes e demais ações, projetos, shows e festivais promovidos pela Secretaria de Estado da Cultura, acesse o site oficial da secretaria.

Extraído do sítio A Crítica

ESTUDO: PASSAR MUITAS HORAS SENTADO PODE LEVAR À DEPRESSÃO - Daniel Cerejo

Estudo sugere uma relação entre número de horas que se passa sentado e depressão
Foto: Phillie Casablanca/Flickr
Investigadores na Austrália estudaram a relação entre o tempo que se passa sentado e a falta de exercício, com a saúde mental. Chegaram à conclusão de que estes fatores podem contribuir para um estado de depressão.

Um estudo levado a cabo por investigadores das universidades de Victoria e de Queensland, na Austrália, demonstra que quanto mais horas se passa sentado mais provável se torna desenvolver sintomas de depressão.

A investigação, publicada no "American Journal of Preventive Medicine" (AJPM), seguiu 8950 mulheres, entre os 50 e os 55 anos, e analisou os inquéritos a que estas responderam, de três em três anos, com início em 2001 e fim em 2010 (2001, 2004, 2007, 2010).

O objetivo era saber, de cada uma das inquiridas, os níveis de exercício físico, o tempo que passavam sentadas - para isso foram agrupadas em três períodos de tempo (quatro horas ou menos por dia, quatro a sete horas por dia, ou mais de sete horas por dia) -, bem como a existência de quaisquer sintomas depressivos.

Muito tempo na cadeira e no sofá é "perigoso"

O estudo acabou por concluir, pelas respostas obtidas ao logo do período de análise, que as mulheres que passavam mais de sete horas por dia sentadas tinham 47% de maior risco em adquirir sintomas de depressão, quando comparadas com as mulheres que passavam, por dia, quatro horas, ou menos, sentadas.

Numa situação mais crítica - com 99% de risco de desenvolver aqueles sintomas - estariam aquelas que não faziam qualquer exercício físico, em comparação com as mulheres que seguiam algum plano de atividades. Por fim, como seria de esperar, aquelas que passavam mais de sete horas sentadas, por dia, e não faziam qualquer exercício, representavam o grupo de maior perigo, em que as hipóteses de entrar em depressão triplicavam em comparação com qualquer outro grupo.

Extraído do sítio Jornalismo Porto Net.pt

23 de setembro de 2013

UM DUETO DE TITÃS EM LISBOA FAZ-SE COM POEMAS - Simone Duarte

O que acontece numa tarde quente de sábado quando um dos maiores escritores brasileiros se encontra com o maior poeta árabe vivo?

Milton Hatoum e Adonis este sábado na Fundação Gulbenkian. Foto: Daniel Rocha

Milton Hatoum, 61 anos, saiu de Manaus, no Brasil, viveu em Paris e Barcelona, parou em São Paulo. Ali Ahmad Said Esber, que conhecemos pelo seu nome de poeta, Adonis, 83 anos, saiu de Kassabin, na Síria, viveu no Líbano, parou em Paris.

Neste sábado 21, a Fundação Gulbenkian trouxe a Lisboa este escritor brasileiro que já ganhou os prémios Jabuti e Portugal Telecom de literatura e o sírio Adonis, considerado o maior poeta árabe vivo. A conversa fez parte do ciclo Grandes Lições, do Programa Próximo Futuro, comissariado por António Pinto Ribeiro.

Na sala lotada não se falou apenas de poesia, mas recitaram-se poemas, como num dueto. Hatoum, que escreveu a apresentação da primeira tradução de Adonis do árabe directamente para o português (do Brasil), Adonis, Poemas (edição Companhia das Letras), lia um poema do sírio em português, e Adonis respondia-lhe recitando outro em árabe.

“A língua francesa é intelectual. Para escrever poesia em francês é preciso travar uma guerra com a língua”, explica o poeta sírio que adoptou França como casa, arrancando risos do público. “Para escrever em árabe, travamos outra guerra. Não é uma língua intelectual, é corporal, escreve-se com o corpo, com os sentidos, com o ritmo do coração, com a pele. É uma força carnal.” O que a plateia parece, a esta altura, já ter compreendido depois de o ouvir recitar dois poemas em árabe. São as mãos de Adonis que se mexem em direcção ao rosto, são os gestos que parecem contar o que se passa. Não se percebe o significado das palavras mas sente-se a poesia no ar.

Milton Hatoum tem curiosidade. O que sente Adonis quando ouve um poema seu em português? Uma língua familiar ou distante? "Não sinto propriamente através da língua, sinto através da voz, dos gestos, a unidade com os outros", diz. “Se sou um nativo do Oriente é porque, antes de mais nada, invento meu próprio Oriente”, escreveu uma vez Adonis, lembra o brasileiro, Milton Hatoum, de origem libanesa, cujo primeiro livro - Relato de um certo Oriente - é a confluência do Amazonas com o Médio-Oriente.

Mas o Oriente real é motivo de crítica por parte da voz independente que os estados autoritários do Médio-Oriente preferem ignorar. “Nunca se estudou a estética da língua árabe – afirma Adonis - como nunca se fala de mudança no Médio-Oriente do ponto de vista das sociedades, apenas de governo, do poder, dos conflitos religiosos. Como se mudar uma sociedade fosse mudar de mãos o poder. Nunca falamos do direito das mulheres, nem do estado laico. Como imaginar uma revolução num país que impõe uma religião e que não quer libertar a mulher? Então o que é uma revolução?"

Inevitável a pergunta: Como vê o que se está a passar no seu país de origem, a Síria?

“Quanto tempo tenho para responder?” São 10 minutos. “É pouco para uma resposta que teria que ser longa.”

" Você não é muito querido pelos religiosos mais ortodoxos", comenta Hatoum. "É o preço a pagar pelo pensamento independente"?

“ Não sou contra as religiões. Mas sou contra as religiões impostas pelos Estados e o monoteísmo – do Islão, do Cristianismo, do Judaísmo. Religião é um assunto pessoal. Sou contra a imposição de uma religião sobre toda uma sociedade. Não se pode criticar o monoteísmo dos países árabes. Muita gente pensa como eu mas é marginalizada… E o papel do Ocidente? O Ocidente joga contra a sua própria História", defende o sírio.

Depois de uma hora de conversa é a cantora de fados Mísia, na plateia, que faz Adonis voltar à poesia. “E esta força carnal de que o Adonis fala quando descreve a poesia árabe não podia talvez estar na música, mesmo na europeia?” Poesia, pensamento cantado, gestos, sentidos, força carnal mais uma vez. “ Poesia é como o amor. Começa de estalo mas depois tem que ser construída.”

O que acontece mesmo quando um dos maiores escritores brasileiros se encontra com o maior poeta árabe vivo numa tarde quente de Lisboa?

Poesia.

Vida.

Extraído do sítio Público.pt

STEPHEN KING DIZ ESTAR NERVOSO COM CONTINUAÇÃO DE "O ILUMINADO"

Escritor vai lançar continuação de best seller 36 anos depois

Stephen King admitiu estar nervoso sobre a reação para seu próximo livro, uma continuação do romance de horror O Iluminado, de 1977.

Em entrevista à BBC, o escritor americano disse esperar que 95% das resenhas sobre o livro Doctor Sleep (ainda sem título em português) sejam uma comparação com a obra anterior.

"Você se depara com essa comparação e é natural que ela te deixe nervoso, porque muitas águas já passaram sob a ponte (desde o primeiro livro). Sou um homem diferente", afirmou.

Ele disse ainda que visita sites sobre literatura na internet para saber o que os fãs estão dizendo sobre o livro mesmo antes do lançamento.

Aos 65 anos, o veterano da literatura de suspense acredita que a qualidade de seus livros aumentou desde que escreveu O Iluminado, quando tinha 28 anos.

"O que muitas pessoas estão dizendo é 'okay, eu devo ler (Doctor Sleep), mas não vai ser tão bom quanto O Iluminado'. Mas eu sou otimista e quero que elas mudem de opinião ao terminarem de ler. O que quero realmente é que achem melhor que O Iluminado."

Filme 'frio'

O autor também afirma que não gostou da versão do diretor Stanley Kubrick para O Iluminado, uma das adaptações mais famosas de seus livros para o cinema.

"(O filme) É muito frio. Eu não sou uma pessoa fria. Acho que uma das coisas que as pessoas gostam nos meus livros é que há uma proximidade, algo que diz ao leitor 'quero que você seja parte disso'", disse.

King diz não ter gostado de versão cinematográfica de O Iluminado

"E com O Iluminado de Kubrick era como (os personagens) fossem formigas em uma fazenda, pequenos insetos fazendo coisas interessantes."

Durante a entrevista, ele também fez críticas às performances de Jack Nicholson, que interpreta Jack Torrance, e Shelley Duvall, que interpretou sua esposa Wendy.

"O Jack Torrance do filme parece louco desde o início. Eu tinha visto todos os filmes de motoqueiro de Jack Nicholson nos anos 60 e achei que ele estava só trazendo de volta o personagem", afirmou.

"Já Shelley Duvall como Wendy é um dos personagens mais misóginos já colocados em um filme. Ela basicamente está lá para gritar e ser burra, e essa não é a mulher sobre a qual eu escrevi."

O escritor revelou que o personagem de Jack Torrance é o mais autobiográfico que ele já escreveu.

"Quando eu escrevi o livro eu estava bebendo muito. Eu não me enxergava como um alcoólatra, mas os alcoólatras nunca se enxergam assim. Então eu o via como um personagem heroico que estava lutando sozinho contra seus demônios, como os 'homens americanos fortes' devem fazer."

Assustar ficou mais difícil

Em entrevista ao editor de artes da BBC Will Gompertz, King disse ter receio de que as pessoas que leram ainda jovens sua primeira história sobre a família Torrance no Hotel Overlook tenham as mesmas expectativas com Doctor Sleep.

"Acho que as pessoas liam aqueles livros sob as cobertas com lanternas quando elas tinham 12, 14 anos de idade e por isso tinham medo. Meu receio é que elas voltem esperando se assustar novamente como naquela época, e isso simplesmente não acontece. Eu quis escrever um livro mais adulto", diz.

Novo livro acompanha a vida do garoto Danny Torrance

Para ele, é mais difícil assustar os leitores hoje, porque "eles estão mais espertos a respeito dos truques que os escritores e cineastas usam para provocar sustos".

No entanto, o autor ainda acredita ser possível assustar as pessoas "de um jeito honrado, se elas se importam com os personagens".

"Quero que o público se apaixone por esses personagens e se importe com eles. E isso cria o suspense de que se precisa. O amor cria o horror."

O novo livro começa um ano depois que o hotel Overlook, onde a família Torrance se hospeda, é destruído e mostra o crescimento do garoto, Danny Torrence.

"As pessoas me perguntavam o que aconteceu com o garoto de O Iluminado. Eu fiquei curioso sobre o que aconteceria com ele, porque ele era realmente um filho de uma família disfuncional."

Já adulto, Danny trabalha como enfermeiro em uma casa de repouso, que usa suas habilidades psíquicas para ajudar pessoas que estão morrendo a passarem deste mundo para o próximo, de acordo com o autor.

Ele conhece uma menina que tem as mesmas habilidades e é perseguida por "vampiros psíquicos", que vivem da essência de crianças como ela.

Extraído do sítio BBC Brasil