28 de março de 2012

FRASES DE MILLÔR FERNANDES

"Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim."

"O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde."

"De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência."

"Com muita sabedoria, estudando muito, pensando muito, procurando compreender tudo e todos, um homem consegue, depois de mais ou menos quarenta anos de vida, aprender a ficar calado."

"Metade da vida é estragada pelos pais. A outra metade, pelos filhos."

"Se todos os homens recebessem exatamente o que merecem, ia sobrar muito dinheiro no mundo."

"Um homem começa a ficar velho quando já prefere andar só do que mal acompanhado."

"Erudito é um sujeito que tem mais cultura do que cabe nele."

"O homem é um macaco que não deu certo."

"Todo homem nasce original e morre plágio."

"A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades."

"Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem."

"As pessoas que falam muito, mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades."

"Viver é desenhar sem borracha."

"Esnobar
É pedir café fervendo
E deixar esfriar."

"Não devemos resistir às tentações: elas podem não voltar."

"Chato: indivíduo que tem mais interesse em nós do que nós temos nele."

"Essa é a verdade: a vida começa quando a gente compreende que ela não dura muito."

"O dinheiro não dá felicidade. Mas paga tudo o que ela gasta."

"Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

"Anatomia é uma coisa que os homens também têm, mas que, nas mulheres, fica muito melhor."

"[POEMEU EFEMÉRICO]
Viva o Brasil
Onde o ano inteiro
É primeiro de abril."

Extraído do sítio do Último Segundo - IG  

MILTON - Marcelo Rubens Paiva






Foi-se o maior poeta do humor e filósofo brasileiro.

Com quem tive a honra de conviver quando criança no Rio de Janeiro.

Amigo de pôquer do meu pai.

Jogou botão comigo algumas vezes.

Com quem ia ao MARACA ver jogos da Seleção.

Ele e a sobrinhada.

Sempre com o sorriso estampado, gozador.

Do outro lado, ficava NELSON RODRIGUES emburrado.

Este BRASIL se vai.

E sobra aquele 1 pouco + medíocre.

Que dá Pânico…

Mal sabia eu que o Brasil já foi tão mais inteligente.

Inspirador.

Adios, Millôr…








Extraído do sítio do Estadão.com.br

MILLÔR FERNANDES (1904-2012)

http://www2.uol.com.br/millor/
O jornalista e escritor carioca Millôr Fernandes morreu às 21h de terça-feira (27), aos 88 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. Ele morreu de falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca.

Milton Viola Fernandes nasceu no dia 16 de agosto de 1923 e foi registrado apenas em 24 de maio de 1924 como Millôr por conta de uma caligrafia incerta. Começou a carreira muito cedo, quando foi trabalhar como contínuo na revista O Cruzeiro aos 14 anos, em 1938. No mesmo ano, ganhou um concurso de contos da revista A Cigarra, onde foi trabalhar. Nesse período, criou o pseudônimo Vão Gogo, que só abandonou em 1962. Voltou a trabalhar na revista O Cruzeiro em 1941, onde criou a coluna "Pif-Paf" ao lado do cartunista Péricles.

Autodidata, fez sua primeira tradução em 1942, para o livro Dragon seed (A estirpe do dragão), da escritora americana Pearl S. Buck. Foi considerado o principal tradutor de William Shakespeare. Traduziu também obras de Anton Tchekov, Bernard Shaw, Dario Fo, Luigi Pirandello, Molière, Mario Vargas Llosa, Samuel Beckett, R. W. Fassbinder e Tennessee Williams

Millôr Fernandes em 16 de fevereiro de 2000 (Foto: Ana Branco / Agência O Globo)
Seu primeiro livro, Eva sem costela, foi lançado em 1946. Ao longo de sua carreira, lançou mais de 40 obras literárias, entre peças, coletâneas de contos e textos curtos, reuniões de aforismos, livros de poesia e peças de teatro. Entre suas principais obras estão as peças Liberdade, liberdade, escrita em parceria com Flávio Rangel, e Pigmaleoa, ambas de 1965, o livro Fábulas fabulosas, de 1964, e a grande coletânea Millôr definitivo - A bíblia do caos, de 1994.

Foi um dos principais membros da redação do jornal O Pasquim, em 1969, que ficou conhecido pela oposição ao regime militar. Trabalhou também em alguns dos mais importantes jornais do país, como Folha de S. Paulo, Correio Braziliense, Jornal do Brasil e O Estado de S. Paulo.

Mantinha um site desde 2000, que reunia textos publicados ao longo de sua carreira e produções recentes. Sua conta no Twitter tinha mais de 285 mil seguidores.

O jornalista Zuenir Ventura, em entrevista à Globo News, afirmou que a morte de Millôr foi uma "perda terrível para o jornalismo, para a tradução e para o teatro. Ele conseguia o milagre de misturar palavras e desenhos, que faziam rir, mas tinham base filosófica. Ele era simplesmente genial. Seu humor era acessível e fazia pensar".

Em 2011, o escritor foi internado duas vezes na Casa de Saúde São José, no RIo de Janeiro, mas os motivos não foram divulgados.

O velório está marcado para quinta-feira (29), das 10h às 15h, no cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária. O corpo do escritor será cremado.


Extraído do sítio da Revista Época

PORTO ALEGRE ANO A ANO

Historiador Sérgio da Costa Franco.
O historiador e escritor Sérgio da Costa Franco lança – nesta quarta-feira (28/03), no Centro Cultural Erico Verissimo – o livro Porto Alegre ano a ano 1732-1950 pela editora Suliane Letra e Vida.

A obra – cerca de 320 páginas, com muitas ilustrações, fotos e folhas de rosto de jornais antigos – é o sexto trabalho individual do escritor sobre a capital gaúcha, com uma abordagem mais jornalística do que histórica, destinada, principalmente, a servir como guia de consultas sobre importantes efemérides e fatos pitorescos dos séculos XVIII, XIX, e XX.

O livro, certamente, também aguçara a velha polêmica sobre a data de fundação de Porto Alegre: 1732, quando se estabelecem alguns estancieiros – como Jerônimo de Ornelas? Ou 1752, quando chegam os primeiros casais de açorianos? Ou 1772, data oficial, quando foi desmembrada de Viamão?

Natural de Jaguarão e apaixonado por Porto Alegre, onde construiu vida e carreira profissional, Costa Franco ajudou a derrubar certas lendas, como a da “muralha” que cercava a cidade e que, segundo ele, “não passava de uma fossa cheia de maricás e seus espinhos”.

Em Porto Alegre ano a ano 1732-1950, que consumiu dois anos de pesquisa, Costa Franco prendeu-se a história factual, consultando velhas atas da Câmara Municipal e da Assembleia, relatórios oficiais, jornais e revistas: “é jornalismo puro, nada de interpretações e explicações como fazem os acadêmicos historiadores. Trata-se, grosso modo, de um almanaque, um guia para diferentes tipos de pesquisadores ou curiosos”, explica o escritor.

Os açorianos enfrentaram doenças e falta de comida no longa viagem até o sul do continente.
Para ele – apesar da ocupação da região por estancieiros, em 1732, ou 20 anos depois, por casais de açorianos que, originalmente, dirigiam-se as Missões – a data de 1772, como fundação oficial da cidade, é mais significativa por razões, não de início de povoamento, mas de autonomia em relação a Viamão, primeira capital da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul: “é a partir de 1772 que as coisas realmente se organizam, que a aldeia de pescadores passa a ganhar contornos de burgo cuja denominação evoluirá de Porto do Dorneles para São Francisco do Porto dos Casais e, em 1773, para Nossa Senhora da Madre de Deus de Porto Alegre”.

Assim, sem fazer concessões ao ficcional e ao lendário, como consta na apresentação do livro, trata-se, Porto Alegre ano a ano 1732-1950, de uma cronologia histórica, na qual estão registrados episódios da vida política, administrativa, econômica, cultural e esportiva da cidade. Vejamos alguns tópicos.

1732, os primeiros estancieiros

Mapa das três sesmarias que formariam a cidade de Porto Alegre. O núcleo do vilarejo estava nas terras de Jerônimo de Ornellas, que tinhas limites no rio Gravataí até o arroio Jacarai (Dilúvio).

“Alguns anos depois da expedição de João Magalhães e seus 30 lagunistas, que em novembro de 1725 vieram ao Rio Grande num reconhecimento de caráter militar e afirmação de posse, começaram a estabelecer-se invernadas e estâncias nos campos de Viamão, inclusive no que é hoje o município de Porto Alegre. Pela mesma época, estabeleceram-se com invernadas e fazendas de criação, Jerônimo de Ornelas Menezes Vasconcelos, natural da ilha da Madeira, que estagiara por algum tempo em Minas Gerais e em Guaratinguetá-SP, mais Sebastião Francisco Chaves e Dionísio Rodrigues Mendes, ambos procedentes de Laguna SC”.

1752, chegada de paulistas e açorianos

Esperando a viagem que nunca seria feita, os colonos construíram moradias de barro e capim onde hoje é a Praça da Alfândega.
“A 19 de novembro desse ano, chegaram ao local então chamado de “Porto de Viamão”, às margens do Lago Guaíba e em terras de Jerônimo de Ornelas, 60 paulistas enviados pelo Coronel Cristóvão Pereira de Abreu, devidamente armados e municiados, e com as indispensáveis ferramentas de trabalho, para preparar a migração de casais açorianos, que deveriam estabelecer-se no território dos 7 Povos das Missões”.

1772, criação da freguesia

A primeira igreja da Matriz, com a capela do Espírito Santo a frente. Marco da elevação do povoado a freguesia.
“26 de março – O bispo do Rio de Janeiro, Dom Antônio do Desterro, desmembrou o Porto dos Casais da jurisdição da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Viamão, denominando-a como “freguesia de São Francisco do Porto dos Casais”. Esta data, duzentos anos depois, foi oficializada pelo município com o da fundação de Porto Alegre. Também cabe destacar que, em 25 de julho de 1773, o então governador José Marcelino de Figueiredo, comunicou aos “juízes ordinários e mais oficiais da Câmara deste Continente do Rio Grande, a mudança da capital, que se achava sediada em Viamão, para Porto Alegre.

1854, outro réu supliciado na forca


“A 9-novembro, às 11h da manhã, no Largo da Forca, sofreu a pena capital o baiano Manoel (escrevo de Fermiano Pereira Soares), que, para ser vendido, se achava hospedado na casa do comerciante Domingos José Lopes, à esquina da Rua da Praia com a Vasco Alves. Tinha resistido a uma ordem de Domingos e reagira contra o castigo que este lhe quisera aplicar. Na luta que se seguiu, contra os escravos que secundavam o patrão, matou Gaspar a golpes de faca e lesionou gravemente outros dois cativos da casa [...] Da execução deste escravo nasceu a lenda das “torres malditas”, porque ele teria, no patíbulo, augurado que a igreja das Dores, então ainda em obras, jamais seria concluída”.

1855, abriu-se um dos primeiros cafés

“Na rua Nova, hoje Andrade Neves, o imigrante italiano João Batista Blengini abriu um dos primeiros cafés da cidade, que foi o “Café da Fama”. Esse estabelecimento deve ter durado muitos anos, pois a ele se referiu Aquiles Porto Alegre em uma de sua crônicas”. Segundo o comentário de Aquiles: “Neste tempo, havia uma séria prevenção contra as casas de negócio deste gênero. Pareciam casas malditas. De dia só aparecia lá um ou outro forasteiro vindo de terras mais cultas ou algum embarcadiço de cachimbo ao canto da boca. Pessoa conhecida esperava que caísse a noite para ir até lá”.

Mais antiga foto da Rua da Praia, 1860.
1855, declarou-se em novembro a epidemia de cólera

“Uma terrível epidemia de cólera-morbo, a mais trágica epidemia na história sanitária de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, manifestou-se em Porto Alegre a partir de 20-novembro, depois de já se haver declarado em Rio Grande, Pelotas e Jaguarão. Segundo o relato oficial do presidente provincial, Barão de Muritiba, a doença, que já grassava em portos o norte e do sudeste, chegou com passageiros do vapor “Imperatriz”, vindos do Rio de janeiro. Desde logo foi alta a letalidade, sobretudo entre escravos”.

1917, a passeata da rolha

“Em 26 de outubro, o presidente Venceslau Braz declarou o estado de guerra entre o Brasil e a Alemanha, o que gerou sérias preocupações ao governo de Borges de Medeiros, em face dos graves acontecimentos ocorridos em abril. O chefe de polícia de então, Firmino Paim filho, publicou um edital proibindo reuniões públicas de mais de duas pessoas. Porém a época era de disputa eleitoral, avizinhava-se o pleito em que Borges de Medeiros pleiteava nova reeleição, o que, de algum modo explica o inédito protesto da oposição. Aparício Torelli (o barão de Itararé), então estudante de Medicina, de notórias tendências humorísticas, organizou, em 29 de outubro, uma segunda-feira, um desfile mudo, a dois de fundo, com os participantes de rolhas na boca. Segundo o cronista Augusto Meyer, seria uma coluna por dois, porque o edital proibia ajuntamento de mais de duas pessoas. Todos os participantes do desfile levavam rolhas na boca, silenciosos, passo a passo, caminhando ao longo da Rua Duque de Caxias, em direção a sede do governo. A passeata foi atalhada e dissolvida antes da esquina da Rua Espírito Santo pela cavalaria do piquete presidencial”.

1918, briga de faca num grenal

Estádio da baixada, primeira casa do Grêmio.
“No que parece ter sido o primeiro incidente grave em partidas entre o Grêmio e o Internacional, em quatro de agosto, no campo da Baixada, da Rua Mostardeiro, um torcedor do Grêmio, Manoel de Almeida Costa, agrediu a faca o atleta Álvaro Ribas, do Inter, assim como a Octavio Telles de Freitas, funcionário da Delegacia Fiscal do Tesouro. O agressor foi preso em flagrante e conduzido ao posto policial no automóvel do próprio chefe de polícia, Ariosto Pinto. A partida foi interrompida quando o Grêmio vencia por uma zero, em gol de pênalti; nunca foi concluída. A rivalidade entre as duas torcidas se tornara forte desde 1913, quando o internacional venceu seu primeiro grenal”.

Praça da Alfândega, 1925.
Praia de Ipanema, anos 70.
A grande enchente de 1941, deixou 40 mil desabrigados.
Extraído do sítio do Jornal Já

TREZE LIVROS E UM DESTINO LEITOR - Wander Lourenço

Estávamos a petiscar queijos e azeitonas no Antigamente, da Rua do Ouvidor, eu, mais os poetas Marco Antônio Saraiva, André Luís Pinto e o jovem sonetista Teixeira dos Santos quando, repentinamente, este último resolvera indagar-me sobre quais seriam os treze romances da literatura brasileira que os leitores não poderiam morrer sem ler, com a condição de não terem o visto literário carimbado por São Pedro e seus querubins de alfândega. Como jamais havia cogitado a hipótese de elencar as obras mais importantes do espólio da ficção nacional, solicitei ao garçom lápis, papel e cerveja, não sem antes objetar que tal seleção adviria da leitura particular de um reles intelectual de botequim.

Desafio aceito, salvo engano coube ao Saraiva explicitar que se ajuizasse a respeito de cada escolha para breve debate e contestação. Logo na votação do primeiro lugar iniciou-se uma polêmica em relação a Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Grande sertão: Veredas. Expliquei-lhes que, se a lista por mim fosse organizada, eu escolheria o livro de Guimarães Rosa, mesmo que considerasse Machado de Assis um ficcionista de maior calibre do que o escritor mineiro.

Não será preciso dizer que fui acusado de prolixo e contraditório pelos engajados interlocutores de boêmia ocasião. Protestei que o Rosa conseguira suplantar o mestre fluminense ao conceber a mais espetacular fabulação pelo viés da inventividade lírica que, a partir de uma proposição inovadora de âmbito narrativo e linguístico, pairaria sobre o espaço limítrofe entre o sublime e o espanto.

Após mordidas e assopros, consegui ponderar que a medalha de prata seria destinada a Dom Casmurro, por razões que irei retratar no próximo artigo. Porém, a decisão foi difícil pelo que tais Memórias Póstumas representariam, no cenário pátrio oitocentista, divisor de águas merecedor de um bronze prateado. O quarto colocado foi Macunaíma, de Mário de Andrade, por sua magnífica releitura das contradições congênitas de uma desvairada nação sem caráter a clamar por macumba e ritos antropófagos. Em quinto lugar ficou Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, seguido de muito perto por Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro. Neste caso, a justificativa plausível é que ambos os discursos se pautam por implícitos acenos dialógicos com o passado histórico ilustrado pelo antológico refrão de Oswald de Andrade: Tupy or not tupy – that is the question. Aliás, ratifiquei que Memórias sentimentais de João Miramar fora preterido por questões estéticas apesar do ideário vanguardista. 

A sétima colocação foi ocupada por Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso, esplendorosa interpretação da alma humana por ferramentas de análise e introspecção, em consonância com a laboração de um estilo fragmentado quiçá a bordar o discurso da pós-modernidade. A obra-prima Fogo morto, de José Lins do Rego, fora escolhida para figurar no oitavo lugar por esboçar um retrato quase que proustiano da herança colonial através da decadência dos engenhos de cana-de-açúcar povoado pelo capitão Vitorino Carneiro da Cunha. O romance A hora da estrela, de Clarice Lispector, abocanhou o nono lugar por sua investida na bifurcação de uma tessitura que se ancora na magnífica verossimilhança do esboço de sua Macabéa.

Para o décimo lugar foi indicado Vidas secas, de Graciliano Ramos, cujas peregrinações dos imigrantes capitaneadas por Fabiano ultrapassam a fronteira da denúncia social. A décima primeira vaga foi ocupada por O cortiço, de Aluísio Azevedo, organicidade social arquitetada pela visão determinista por sobre a saga de João Romão, Bertoleza e Rita Baiana. No décimo segundo posto, Iracema, de José de Alencar, pode servir de parâmetro para se investigar parte do percurso da prosa de ficção, por seu mérito de originalidade forjada pelo projeto de nacionalidade romântico. Para a décima terceira posição optei por Dona flor e seus dois maridos, de Jorge Amado, pela força de imaginação criadora.

Apesar dos protestos de injustiça com uma ou outra obra mal avaliada, para acalmar os ânimos se estabeleceu que cada qual compusesse a sua lista particular, a fim de que, por média, definíssemos o ranking com um mínimo de coerência selada com mais um brinde ao autor brasileiro. Enfim, ao Leitor peço que se sinta convidado ao duelo que o título sugere sobre o destino dos treze livros e publique neste espaço a sua seleção literária. 

* Wander Lourenço de Oliveira, doutor em letras, é professor da Universidade Estácio e autor dos livros ‘Com licença, senhoritas (A prostituição no romance brasileiro do século 19)’ e ‘O enigma Diadorim’. wanderlourenco.

Extraído do sítio do Jornal do Brasil

O JORNALISMO, POR CLARICE LISPECTOR - Duda Rangel


“Ser jornalista na prática é um dos desejos mais urgentes que existem.”

“Não tenho tempo para mais nada, ser repórter me consome muito.”

“Liberdade é pouco. O que eu desejo tem nome: salário decente.”

“Já que sou assessora de imprensa, o jeito é ser.” (Macabéa, que atende cinco contas, em A Hora do Follow-up)

“Estou tentando captar a quarta dimensão do instante-já, que é o instante de fechar a edição do jornal.”

“Tenho várias caras. Uma é quase de sono, outra é quase de fome. Sou um o quê? Um quase jornalista no pescoção.”

“Ter virado jornalista me estragou a saúde.”

“Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu fiz quatro pautas.”

“Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas, eu não consigo terminar esta maldita matéria.”

“Ela acreditava em jornalismo imparcial e, porque acreditava, ele existia.”

Extraído do blog Desilusões Perdidas