24 de julho de 2013

LIVRO ILUSTRADO APRESENTA OS HETERÔNIMOS DE FERNANDO PESSOA COM CARTA ESCRITA PELO AUTOR PORTUGUÊS


Acaba de chegar às livrarias o livro Eu, Fernando Pessoa. Com roteiro de Susana Ventura e ilustrações de Eloar Guazzelli, a obra usa o formato dos quadrinhos, uma carta e poemas do autor português para explicar a origem dos heterônimos, figuras em que Pessoa se desdobrava ao escrever e que marcaram sua criação literária pela sinceridade com que os considerava autores reais. 

A multiplicidade do poeta foi inspiração para Guazzelli alterar o estilo dos desenhos conforme a história se desenrola. Em entrevista por telefone, concedida de Brasília, onde estava de passagem, Guazzelli, que mora em São Paulo, falou sobre a relação de Florianópolis — onde passa os verões — com o livro e comentou a dedicatória para sua mãe, que lhe apresentou Fernando Pessoa e morreu há pouco tempo.

Você sempre gostou de poesia?

Sim. Apesar de achar que é perigosa porque tem muita poesia ruim (risos). Ela é a coisa mais sublime que existe, mas muita gente não tem esse respeito e se permite fazer coisas ruins. Eu li muito na juventude, sou mais ligado à prosa, mas tenho uma ligação forte com a poesia, em particular com o Fernando Pessoa. 

Este é um livro muito emotivo para mim, ele é bastante aquático, e muitos desenhos fiz aí em Florianópolis, na minha casa no Ribeirão da Ilha. O ambiente local foi sendo incorporado nas imagens. 

Além disso, a obra é dedicada à minha mãe, que morreu há pouco tempo. Ela gostava muito de literatura e me apresentou ao Pessoa. Foram meus pais que me introduziram nesse mundo. Me envolvi tanto com o projeto que estou fazendo um curta sobre o Pessoa de 11 minutos.

Como foi seu primeiro contato com ele?

Engraçado você perguntar assim porque parece que é uma amizade que tenho com ele — e é isso mesmo. Os autores que são importantes na minha vida tenho como amigos, até para não mistificá-los demais. Na minha biblioteca, tenho todos os livros do Fernando Pessoa. Tive momentos na minha vida em que me aproximei dele, mas agora, aos 50 anos, me sinto mais próximo ainda. Lancei há dois anos um livro sobre ele que acabei emendando nesse segundo. 

Sem renegar o primeiro, mas foi o atual que me permitiu realmente dizer as coisas que queria. Eu li uma biografia muito bonita, com imagens, e isso me deu a chance de aprofundar minha abordagem. A vida dele foi fantástica, apesar de não ter sido aventureira. 

Ele morou na África e depois praticamente a vida inteira em Lisboa, mas era muito rico interiormente. Fez propagandas, uma delas ficou famosa porque foi polêmica, e também fazia mapas astrais - era uma autoridade nesse setor. Fazia mapa inclusive de seus heterônimos. Foi muito legal fazer essa pesquisa.

No livro dá para perceber que você não traduziu as metáforas do Pessoa em imagens, mas criou outras em cima das dele.

Espero que sim. Se não fiz isso, fracassei (risos). A redundância é um perigo fatal para transposições também para o cinema. Toda tradução de uma linguagem para outra tem esse risco. Não é função do ilustrador, seja de história em quadrinhos ou gráfico, repetir o que o texto diz. Para que repetir? Não tem função. A gente tem que trabalhar nas entrelinhas, pensar nas imagens que aquilo desperta. 

No meu caso, ler o poema e trabalhar minha própria poesia em cima. Que imagens esse poema me desperta? Ou que imagens quero projetar para os outros a partir disso? Terminei o livro contente e isso é muito difícil, então acredito que tive sucesso nessa tradução. Em função dos heterônimos, o estilo dos desenhos varia. 

Pessoa é muitas pessoas, é uma multidão. Isso me contaminou muito. O resultado final é quase o que queria quando idealizei o projeto. Fiz 12 páginas e, se um dia eu fizer 70 com essa qualidade, paro de trabalhar e me dou por satisfeito.

Eu, Fernando Pessoa: Editora Petrópolis - Roteiro de Susana Ventura - Ilustrações de Eloar Guazzelli - 72 págs - Preço médio: R$ 39

Confira abaixo o Poema em Linha Reta, o favorito de Pessoa escolhido por Eloar Guazzelli. Ele foi escrito pelo heterônimo Álvaro de Campos.

Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Extraído do sítio Portal Vitrine

23 de julho de 2013

DOMINGUINHOS: SANFONEIRO MORRE AOS 72 ANOS - Allan Walbert

Sanfoneiro Dominguinhos morre aos 71 anos. (Mariana Leal / TVPE)

O cantor e sanfoneiro José Domingos de Morais, o Dominguinhos, faleceu nesta terça-feira (23), às 18h, de acordo com o último boletim oficial divulgado pelo Hospital Sírio-Libanês. O cantor lutava contra um câncer de pulmão há sete anos. Dominguinhos estava internado desde 17 de dezembro, com um quadro grave de pneumonia. No dia 13 de janeiro, a pedido da família, o músico foi transferido para o Sírio-Libanês, em São Paulo. De acordo com o boletim médico divulgado pelo hospital, ele faleceu em decorrência de complicações infecciosas e cardíacas. 

Dominguinhos nasceu na cidade pernambucana de Garanhuns em 12 de fevereiro de 1941. Com apenas oito anos, conheceu Luiz Gonzaga. Aos 13 anos e já morando no Rio de Janeiro, ganhou do Rei do Baião a sua primeira sanfona. A partir daí, a relação musical e de amizade entre os dois começa a se intensificar. Tocaram juntos diversas vezes. Dominguinhos teve Gonzagão como mestre e ajudou a espalhar o forró tradicional pelo país.

Além do forró, xote e xadado, o distinto sanfoneiro trazia influências de ritmos como a bossa nova, o choro e o jazz. Essa versatilidade o levou a tocar em diferentes lugares do Rio de Janeiro, desde churrascarias a hotéis e cassinos. Em 1967, entrou para a Rádio Nacional do Rio de Janeiro e ganhou projeção nacional. Foi neste mesmo ano que gravou seu primeiro disco, intitulado 'Fim de Festa'.

Além de ser um cantor e músico com notável respeito do público e de outros artistas – chegou a se apresentar e gravar com Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia – foi também um requisitado compositor. Assina canções como 'Tantas Palavras', ao lado de Chico Buarque; e 'De Volta para o Aconchego', com Nando Cordel em gravação de Elba Ramalho.

Ao longo de sua carreira, Dominguinhos lançou mais de quarenta discos. Entre os prêmios que recebeu, estão dois Grammys Latinos pelo CDs Chegando de Mansinho (2002) e Iluminado (2012); e o Prêmio Shell de Música (2010).

A última apresentação de Dominguinhos foi no dia 13 de dezembro do ano passado, na cidade natal de Luiz Gonzaga (Exu, em Pernambuco) para celebrar o centenário do Rei do Baião. Simpático e atencioso, após o show conversou com o Portal EBC sobre as influências do Gonzagão e o futuro do forró. Essa foi uma das últimas entrevistas concedidas por ele.

Extraído do sítio Portal EBC

BIENAL INTERNACIONAL DE CURITIBA COMEÇA EM 31 DE AGOSTO

Nesta edição, a arte urbana e as performances artísticas ganham atenção especial.


A Bienal Internacional de Curitiba completa 20 anos em 2013 priorizando a arte que vai para as ruas, com ações que não se restringem aos museus e galerias de arte, mas que ganham o espaço urbano. Sob curadoria geral dos críticos de arte Teixeira Coelho (MASP) e Ticio Escobar (Bienal de Valencia), a Bienal acontece na capital paranaense entre os dias 31 de agosto e 1º de dezembro com obras de artistas dos cinco continentes em mais de 100 espaços da cidade.

“O único critério para a seleção das obras é o da qualidade e pertinência: elas devem impor-se pela qualidade e serem capazes de apontar para algumas das inúmeras questões da arte contemporânea”, dizem os curadores gerais ao explicar por que optaram por deixar de lado a prática de se escolher um tema e um título para as bienais.

Foram selecionados 150 artistas sob curadoria de Coelho e Escobar, de Stephanie Dahn Batista (coordenação curatorial), de Adriana Almada (adjunta), Tereza de Arruda (associada), Maria Amélia Bulhões, Fernando Ribeiro e Ricardo Corona (convidados). Pensando na formação de novos profissionais, a Bienal instituiu o Prêmio Jovens Curadores, nesta edição foram selecionados Angelo Luz, Debora Santiago, Kamilla Nunes e Renan Araujo. Dentre os artistas, figuram os nomes Ai Weiwei (China), Ann-Sofi Sidén (Suécia), Antoni Abad (Holanda), Luis Felipe Noé (Argentina), Katharina Grosse (Alemanha), Martine Viale (Canadá), Peter Kubelka (Áustria), Regina Silveira (Brasil) e William Kentridge (África do Sul).

Nesta edição, a arte urbana e as performances artísticas ganham atenção especial, pois, além de estarem cada vez mais fortes e presentes no cenário internacional, oferecem um contato direto e imediato com a comunidade. Não fosse o bastante, as obras de rua ainda ajudam a cumprir o papel de deixar heranças mais duradouras, ampliando sua ação para além do período de exposições. Literatura e web arte recebem também grande espaço no evento.

“A Bienal é uma excelente oportunidade para se ter contato com o que há de mais contemporâneo no mundo da arte. Ao observar as obras, acompanhar as performances, visitar um museu, é possível cruzar fronteiras geográficas e expandir o repertório cultural. Este ano, a Bienal envolverá toda a cidade, provocando as pessoas de um jeito diferente”, afirma o diretor-geral da Bienal, Luiz Ernesto Meyer Pereira.

Serviço: Bienal Internacional de Curitiba 2013 - Data: 31 de agosto a 1º de dezembro - Local: Curitiba − PR
Ingresso: Gratuito.

Extraído do sítio Bem Paraná

FLIPORTO 2013 SERÁ GRATUITA. VEJA QUAIS ESCRITORES PARTICIPAM

Festa Literária Internacional de Pernambuco ocorre de de 14 a 17 de novembro em Olinda.

Entre os dias 14 e 17 de novembro, a Praça do Carmo, em Olinda, recebe a 9ª edição da Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto). A programação completa do evento foi divulgada nesta terça-feira (23). Neste ano, todas as atividades serão gratuitas, incluindo a tenda principal. O evento homenageia o escritor José Lins do Rêgo e tem como tema A literatura é um jogo.

Entre as novidades, um espaço dedicado à literatura de cordel, a criação de uma plataforma de serviços na internet com rádio e televisão próprias. A expectativa é que 100 mil pessoas compareçam ao evento. 

Embora não esteja presente, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman gravou entrevista que será exibida sobre assuntos recorrentes em seus livros, como o conceito de “modernidade líquida”, o consumo e as manifestações populares. O vídeo será exibido durante a Fliporto. 

Imagem: Fliporto/divulgação

Veja os autores confirmados: 

Laurentino Gomes: Escritor e jornalista. Autor de 1808 (Prêmio Jabuti de melhor livro reportagem e de melhor livro não-ficção) e de 1822, lança durante a Fliporto a obra que encerra a trilogia, 1889, sobre a proclamação da república. Trabalhou como repórter em veículos como o O Estado de São Paulo e a Veja. 

Maitê Proença: Atriz, apresentadora e escritora. Atuou em telenovelas como Torre de babel, Da cor do pecado e O salvador da pátria. Lançou em 2005 o primeiro livro, Entre ossos e a escrita, uma coletânea de crônicas. Este ano, lança É duro ser cabra na Etiópia. 

Miguel Gonçalves Mendes: Diretor, roteira e produtor de cinema. Dirigiu Autografia, sobre o poeta Mário Cesariny, e José e Pilar, enfocando a relação entre José Saramago e Pilar del Río. O próximo filme do diretor será também relacionado a Saramago: O evangelho segundo Jesus Cristo. 

Sérgio Besserman Viana: Economista com atuação no IBGE e BNDES, é professor de economia brasileira na PUC-RJ e comentários na Globonews e CBN. 

Cristina Fuentes La Roche: Animadora cultural espanhola, diretora do Hay Festival de literatura na Colômbia, no México, Líbano e Espanha. 

Celina Portocarrero: Tradutora e poeta. Autora de Retro-retratos. Atualmente estrou na literatura infantil com A princesa e os sapos.

Simone Pedersen: Autora de O curumim poeta, Dinossauros, índios e versos, O sequestro da borboleta, entre outros na categoria infanto-juvenil.

Stella Maris Rezende: Escritora, desenhista, cantora e atriz. Venceu o Prêmio Jabuti 2012 nas categorias livro do ano de ficção e melhor livro juvenil. Autora de livros como As gêmeas da família, A menina Luzia e Apaixonante coração. 

Marcos Haurelio: Cordelista, poeta, editor, professor, pesquisador do folclore brasileiro.

Ana Cláudia Ramos: Escritora e ilustradora, especialista em literatura infato-juvenil. Autora de livros como Coisas de criança eAs Marias

Luiz Antonio Aguiar: Escritor e tradutor. Autor de vários livros sobre Machado de Assis, entre eles o Almanaque de Machado de Assis.

Anabella López: Ilustradora de livros infantis, a argentina é um dos destaques da programação infanto-juvenil da Fliporto.

Valter Hugo Mãe: O angolano/português ganhou projeção internacional a partir de 2007, quando venceu o Prêmio José Saramago. No ano passado, conquistou também o Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa. Participou da Flip em 2011, ocasião em que comentou a importância do Brasil na sua formação de escritor.

Luiz Ruffato: O mineiro tem obtido destaque desde 2001, quando seu primeiro romance conquistou o Troféu APCA (da Associação Paulista de Críticos de Arte) e o Prêmio Machado de Assis, da Fundação Biblioteca Nacional. É celebrado por críticos e historiadores como uma das mais importantes manifestações da literatura brasileira nos anos 2000.

Pilar Del Río: Durante a Fliporto, são lembrados os 91 anos de nascimento de José Saramago (1922-2010), em 16 de novembro. A abertura do evento será feita pela jornalista e tradutora espanhola Pilar Del Río, viúva do escritor. 

Bernardo Buarque de Holanda: Primo do cantor Chico Buarque, é autor de livros sobre o futebol brasileiro e sobre José Lins do Rego. 

Walcyr Carrasco: Mais conhecido como autor de novelas, o paulista é também dramaturgo, escritor de livros infantis e infantojuvenis. 

Sylvio Back: Cineasta catarinense, é autor de obras de poesias e ensaios.

Luciano Trigo: Jornalista e escritor carioca, escreveu livros abrangendo os mais diversos gêneros, sendo o mais recente a poesia.

Ana Maria Machado: Presidente da Academia Brasileira das Letras, a jornalista e escritora carioca já publicou mais de 40 livros e vendeu cerca de 19 milhões de exemplares. Tem vasta atuação na literatura infantojuvenil. 

Andrea del Fuego: Paulista, venceu o Prêmio José Saramago de 2011. É apontada como um dos novos nomes da literatura contemporânea brasileira. 

Ronaldo Correia de Brito: Cearense radicado em Pernambuco há mais de quatro décadas, é médico, escritor, dramaturgo e roteirista de filmes e documentários.

Robert Löhr: Autor alemão é formado em jornalismo e roteirista de filmes e peças de teatro, além de trabalhar como diretor e ator. 

Anna Funder: Advogada, jornalista e documentarista, a australiana recebeu, pelo seu livro de estreia, o Samuel Johnson Award, um dos mais respeitados prêmios literários da Grã-Bretanha.

Andres Neuman: O argentino é reconhecido pela maturidade de sua escrita. Em seu primeiro romance, discute questões políticas, sociais e literárias do século 19 com o olhar de um observador do século 21.

Francisco José Viegas: O jornalista, político e escritor português foi também diretor da Casa Fernando Pessoa. Colaborou em vários jornais e revistas e foi autor de vários programas na rádio e televisão.

Extraído do sítio Diário de Pernambuco

ESPECIALISTAS ALERTAM PARA DANOS EMOCIONAIS QUE VÍCIO EM TABACO PODE TRAZER - Gabriela Pacheco

Pesquisa norte-americana identificou que fumantes têm saúde emocional pior que não fumantes. Entrevistados tabagistas afirmaram sentir estresse, depressão e preocupação com mais frequência do que aqueles sem o vício.

De acordo com os dados, cerca de 50% dos fumantes disse ter sofrido com estresse no dia anterior, contra 37% dos não-fumantes. Foto: Alexandro Auler/D.A Press

Como você se sentiu durante boa parte do dia de ontem? Irritado? Estressado? Feliz? Satisfeito com a vida? Respeitado? Triste? Foram esses alguns dos questionamentos que uma empresa de consultoria norte-americana fez a cerca de 83 mil entrevistados como parte de um índice da saúde emocional. O projeto separou fumantes de não fumantes e revelou que os amantes do cigarro relatam mais queixas sobre o cotidiano e a vida que pessoas sem o mesmo hábito.

Os dados do Gallup Healthways Well-Being Index são de 2012. De acordo com eles, cerca de 50% dos fumantes disse ter sofrido com estresse no dia anterior, contra 37% dos não-fumantes. A diferença continua entre as outras emoções negativas. Questionados sobre momentos de preocupação, 40% dos fumantes confirmaram ter experimentado o sentimento recentemente, assim como 28% dos não-fumantes. Outros 26% dos entrevistados que fumam também afirmaram sofrer de depressão, sendo que somente 15% do outro grupo relatou o mesmo.

A associação não é uma surpresa para especialistas. Além de ser, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o maior responsável por mortes evitáveis no mundo, o hábito de fumar também é um dos principais causadores de dependência química e, como consequência, um grande inimigo da saúde emocional.

“Se a nicotina é capaz ou não de causar diretamente depressão e sentimentos como esses eu não sei, mas ela está relacionada a várias questões que diminuem a qualidade de vida. E falta de qualidade de vida causa depressão”, afirma o psiquiatra do Ambulatório de Dependência Química do Hospital das Clínicas, Gustavo Coutinho.

O médico ressalta que é importante entender que a questão é complexa. Segundo ele, a dependência é uma forma do indivíduo lidar com situações corriqueiras da vida. “A maioria das pessoas que a gente atende passa por situações estressantes, estão passando por depressão ou ansiedade e associam esses sentimentos ao cigarro, porque ele está perto na hora difícil. Então, quando a gente vai tratar o tabagismo, sempre temos que tratar eles de alguma forma a estimulá-los a melhorar sua qualidade de vida”, relata.

O psicólogo e coordenador do Programa de Controle do Tabagismo de Sabará, região metropolitana de BH, Wagner Prazeres dos Santos, acredita que o cigarro é um mantenedor do status de depressão e stress de seus usuários. "Como ele associou tudo ao alívio que o cigarro dá, quando aparece o estresse, ele fuma. Passa a ser a maneira dele enfrentar o problema. Ele se alivia no cigarro e é depende psicologicamente do que o cigarro traz para ele. É como um afeto que a pessoa passa a ter", diz.

No entanto, ainda não é claro se o ato de fumar causa problemas, como a depressão ou o estresse, ou se pessoas com esse tipo de problemas emocionais têm uma tendência maior de buscar o cigarro. "Na minha experiência prática vejo que quase 100% das pessoas que têm essa dependência são ansiogênicas, deprimidas ou têm depressão mascarada. Se isso deve-se exclusivamente ao tabagismo é difícil dizer", pontua Santos.

Falso alívio

O cigarro também traz consigo uma falsa impressão de alívio, o que faz seus usuários acharem que fumar ajuda a diminuir o estresse - quando, na verdade, o efeito pode ser o contrário. Um estudo britânico, publicado em 2010 pela revista Addiction, acompanhou 469 fumantes que foram hospitalizadas por problemas cardíacos e constatou que aqueles que decidiram parar de fumar tiveram quedas no nível de estresse.

Um grupo de 41% dos entrevistados conseguiu manter a abstinência durante um ano após as internações. Essas pessoas apresentaram uma redução de 20% nos níveis de estresse em relação aos registrados anteriormente, enquanto que para os participantes que voltaram a fumar os índices de tensão mudaram pouco. O estudo ainda afirma que, para algumas pessoas, fumar acaba contribuindo para o estresse crônico.

"O cigarro passa a ser para a pessoa um grande auxílio nos seus problemas diários. O fumante acha que o cigarro o acalma mas, na verdade, ele acelera o metabolismo. Ele é um excitante, que causa reações neuroquímicas no cérebro e dá a sensação de alívio e bem estar porque produz dopamina, um neurotransmissor ligado ao prazer", explica Santos.

O psicólogo ainda explica que por essa sensação de prazer ser tão frequente, o fumante passa a associar o hábito a uma espécie de 'lugar seguro'. "Ele causa uma dependência comportamental que é extremamente nociva", destaca.

O psiquiatra do HC Gustavo Coutinho ainda acrescenta: “A gente tem o costume de dizer que o tabagismo é mais que uma dependência química. Ele também uma dependência psicológica e um hábito aprendido pela repetição”.

Essa complexidade que envolve a dependência criada pela nicotina faz com que o tratamento envolva também o acompanhamento psicológico. Em Belo Horizonte, o Hospital das Clínicas ajuda pessoas abandonarem o vício por meio de trabalhos em grupo, medicamentos e acompanhamento terapêutico. “A gente não pode simplesmente querer tirar o que causa a dependência sem que a pessoa aprenda a lidar com seus problemas de forma saudável”, explica o psiquiatra.

Evitar as coisas que a pessoa associa ao cigarro é uma atitude que ajuda quem quer parar. Se a hora de fumar é associada ao álcool, por exemplo, a sugestão para o começo do período de abstinência é evitar beber também.

Extraído do sítio Diário de Pernambuco

22 de julho de 2013

QUINTA EDIÇÃO DO PROJETO AUDIOVISUAL REVELANDO BRASIS É ABERTA NESTAS SEGUNDA-FEIRA

Brasília – Moradores de municípios com até 20 mil habitantes podem participar da quinta edição do projeto Revelando os Brasis. Histórias reais ou inventadas serão selecionadas para a realização de curtas-metragens. Poderão participar do projeto pessoas acima de 18 anos e que tenham interesse em audiovisual. As inscrições começaram hoje (22) e encerram no dia 30 de setembro.

Ao todo, quatro mil municípios estão habilitados para o projeto Revelando os Brasis. Em entrevista à Agência Brasil a coordenadora do projeto e diretora do Instituto Marlin Azul, Beatriz Lindenberg, disse que o objetivo de limitar a participação às cidades com até 20 mil habitantes é “iniciar um processo de produção de filmes nas pequenas cidades brasileiras, porque a maioria não tem cinema e não tem equipamentos disponíveis”. Para ela, “o projeto atinge grande parte de brasileiros que tem pouca oportunidade de participar de cursos de audiovisual e produzir seus próprios vídeos”.

Segundo Beatriz os participantes não concorrem com municípios grandes, que têm facilidade de acesso a cursos e equipamentos. Ela acrescentou que a proposta é inserir “a linguagem de cinema para pessoas sem experiência”. A coordenadora do projeto disse, ainda, que essas pessoas não concorrem com municípios mais favoráveis ao audiovisual e, por isso, têm oportunidade de vivenciar e realizar a produção de um curta. É um estímulo para que mais pessoas contem as suas histórias e façam um vídeo”.

A coordenadora ressaltou que os temas dos curtas-metragens poderão ser reais ou inventados. Ela disse que tem recebido muitas histórias de personagens da cidade, de fatos históricos, lendas, casos locais, além de histórias simplesmente de ficção. Toda a produção do filme – autor, equipe e elenco - será formada por moradores das cidades e profissionais que vão operar os equipamentos.

O concurso tem cinco etapas: inscrição, seleção, oficinas, gravação de vídeos e circuitos de exibição. Os autores das 40 histórias selecionadas passarão 15 dias no Rio de Janeiro, para realizar um curso de produção audiovisual. Feito isso, eles retornarão à seus municípios para produzir o curta-metragem com até 15 minutos de duração.

O formulário de inscrição e o regulamento podem ser feitas visualizados pelo site http://www.revelandoosbrasis.com.br. 

A realização é do Instituto Marlin Azul, em parceria com o Canal Futura, Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e o apoio da TV Brasil.

Extraído do sítio Agência Brasil