30 de dezembro de 2012

EM FOTOS: FRIO EXTREMO NA EUROPA

A neve cobre as árvores nas margens do rio Sluch, cerca de 240 km ao sul de Minsk, Bielorússia, em 15 de dezembro de 2012 (Viktor Drachev/AFP/Getty Images)

Na semana passada, grande parte da Europa experimentou um mordiscar gelado e neve pesada, mas a Ucrânia e o Oeste da Rússia sofreram o maior impacto das condições climáticas, com temperaturas de níveis árticos. Houve relatos que 37 pessoas morreram apenas na Ucrânia devido ao clima.

Temperaturas de 23ºC negativos congelaram partes da Ucrânia, segundo o Daily Telegraph.

Na Rússia, pelo menos 45 pessoas morreram como consequências das condições climáticas, segundo a emissora estatal RT. As temperaturas despencaram até 50ºC negativos em algumas áreas.

Mas outras partes da Europa, como a Bulgária e a Bielorrússia, também não foram poupadas do fria e da neve.

Moradores de rua fazem fila para receberem comida quente gratuita, organizado pelo serviço social durante um enregelante dia de inverno em Kiev, Ucrânia, em 18 de dezembro de 2012 (Sergei Supinsky/AFP/Getty Images)

Um trator de neve limpa as ruas na Piazza Duomo em Milão em 14 de dezembro de 2012 (Tiziana Fabi/AFP/Getty Images)

Um homem passa com sua bicicleta por uma fogueira num subúrbio de Sofia em 14 de dezembro de 2012 (Nikolay Doychinov/AFP/Getty Images)

Uma ovelha caminha numa caminho coberto de neve em 14 de dezembro de 2012 em Breubert, Oeste da Alemanha (Frank Rumpenhorst/AFP/Getty Images)

Duas jovens enfrentam o frio no centro de Moscou em 19 de dezembro de 2012 (Natalia Kolesnikova/AFP/Getty Images)

Um homem se abriga com um guarda-chuva enquanto caminha sob a neve que cai num parque em Milão em 14 de dezembro de 2012 (Fabi/AFP/Getty Images)

Um homem sai do lago Serpentine no parque Hyde depois de uma natação matinal em 13 de dezembro de 2012 em Londres, Inglaterra (Dan Kitwood/Getty Images)

O cenário congelado de ‘Lochan na h-Achlaise’ em Rannoch Moor, Reino Unido (Jeff J. Mitchell/Getty Images)

Uma dupla fotografa árvores congeladas no Westonbirt Aboretum em 12 de dezembro de 2012, próximo de Tetbury, Inglaterra (Matt Cardy/Getty Images)

Um trabalhador limpa a neve do telhado e das esculturas que adornam a ‘Casa com Quimeras’ do arquiteto Vladislav Gorodetsky (1863-1930) em Kiev, Ucrânia, em 17 de dezembro de 2012 (Supinsky/AFP/Getty Images)

Extraído do sítio The Epoch Times

A BAHIA DE TODOS OS SANTOS E PECADOS, NA VISÃO DE GILBERTO FREYRE

O sociólogo, antropólogo, historiador, pintor, escritor e poeta pernambucano Gilberto de Mello Freyre (1900-1987), além de se consagrar como um estudioso da história e da cultura brasileiras, também dedicou-se à poesia. É bem verdade que aquele que se dedica a ler com atenção seus livros pode perceber o dom literário do sociólogo, cuja habilidade na escrita torna atraentes os temas que aborda em seus estudos, conforme “Bahia de Todos os Santos e de Quase Todos os Pecados”.

Gilberto Freyre, Anísio Teixeira e Jorge Amado, em 1961
Segundo Lucia Lippi Oliveira, pesquisadora e professora da Fundação Getúlio Vargas – RJ, o poema “Bahia de Todos os Santos e de quase todos os pecados” fala das casas e ruas, das cenas do cotidiano, dos cheiros, das cores, dos rituais, dos letreiros, das personagens. Parece cena descrita ou pintada por um estrangeiro chegando pela primeira vez à cidade, ainda que Gilberto tenha um repertório de saberes que o torna íntimo do lugar.

Ao descrever, explica a professora, Gilberto vai dando sinais positivos e negativos aquilo que apresenta. Esse poema pode também ser considerado como uma das primeiras manifestações contra o bacharelismo, ao mesmo tempo reforça um imaginário sobre a mulata, que terá longa vida e que teve, como representante maior, Jorge Amado, como no trecho: “Eu detesto teus oradores, Bahia de Todos os Santos /Teus ruisbarbosas, teus otaviosmangabeiras /Mas gosto das tuas iaiás, tuas mulatas, teus angus”.

BAHIA DE TODOS OS SANTOS E DE QUASE TODOS OS PECADOS - Gilberto Freyre

Bahia de Todos os Santos (e de quase todos os pecados)
Casa trepadas umas por cima das outras
Casas, sobrados, igrejas, como gente se espremendo pra sair num retrato de revista ou jornal
(vaidade das vaidades! Diz o Eclesiastes)
Igrejas gordas (as de Pernambuco são mais magras)
Toda a Bahia é uma maternal cidade gorda
Como se dos ventres empinados dos seus montes
Dos quais saíram tantas cidades do Brasil
Inda outras estivessem para sair
Ar mole oleoso
Cheiro de comida
Cheiro de incenso
Cheiro de mulata
Bafos quentes de sacristias e cozinhas
Panelas fervendo
Temperos ardendo
O Santíssimo Sacramento se elevando
Mulheres parindo
Cheiro de alfazema
Remédios contra sífilis
Letreiros como este:
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo
(Para sempre! Amém)
Automóveis a 30 $ a hora
E um ford todo osso sobe qualquer ladeira
Saltando pulando tilintando
Pra depois escorrer sobre o asfalto novo
Que branqueja como dentadura postiça em terra encarnada
(a terra encarnada de 1500)
Gente da Bahia! Preta, parda, roxa, morena
Cor dos bons jacarandás de engenho do Brasil
(madeira que cupim não rói)
Sem rostos cor de fiambre
Nem corpos cor de peru frito
Bahia de cores quentes, carnes morenas, gostos picantes
Eu detesto teus oradores, Bahia de Todos os Santos
Teus ruisbarbosas, teus otaviosmangabeiras
Mas gosto de tuas iaiás, tuas mulatas, teus angus
Tabuleiros, flor de papel, candeeirinhos,
Tudo à sombra das tuas igrejas
Todas cheias de anjinhos bochechudos
Sãojoões sãojosés meninozinhosdeus
E com senhoras gordas se confessando a frades mais magros do que eu
O padre reprimido que há em mim
Se exalta diante de ti Bahia
E perdoa tuas superstições
Teu comércio de medidas de Nossa Senhora e de Nossossenhores do Bonfim
E vê no ventre dos teus montes e das tuas mulheres
Conservadores da fé em vez entregue aos santos
Multiplicadores de cidades cristãs e de criaturas de Deus
Bahia de Todos os Santos
Salvador
São Salvador
Bahia
Negras velhas da Bahia
Vendendo mingau angu acarajé
Negras velhas de xale encarnado
Peitos caídos
Mães das mulatas mais belas dos Brasil
Mulatas de gordo peito em bico como pra dar de mamar a todos os meninos do Brasil.
Mulatas de mãos de anjos
Mãos agradando ioiôs
Criando grandes sinhôs quase aos do Império
Penteando iaiás
Dando cafuné nas sinhás
Enfeitando tabuleiros cabelos santos anjos
Lavando o chão de Nosso Senhor do Bonfim
Pés dançando nus nas chinelas sem meia
Cabeções enfeitados de rendas
Estrelas marinhas de prata
Tetéias de ouro
Balangandãs
Presente de português
Óleo de coco
Azeite-de-dendê
Bahia
Salvador
São Salvador
Todos os Santos
Tomé de Sousa
Tomes de Sousa
Padres, negros, caboclos
Mulatas quadrarunas octorunas
A Primeira Missa
Os malês
Índias nuas
Vergonhas raspadas
Candomblés santidades heresias sodomias
Quase todos os pecados
Ranger de camas-de-vento
Corpos ardendo suando de gozo
Todos os Santos
Missa das seis
Comunhão
Gênios de Sergipe
Bacharéis de pince-nez
Literatos que lêem Menotti Del Picchia e Mário Pinto Serpa
Mulatos de fala fina
Muleques
Capoeiras feiticeiras
Chapéus-do-chile
Rua Chile
Viva J. J. SEABRA morra J. J. SEABRA
Bahia
Salvador
São Salvador
Todos os Santos
Um dia voltarei com vagar ao teu seio moreno brasileiro
Às tuas igrejas onde pregou Vieira moreno hoje cheias de frades ruivos e bons
Aos teus tabuleiros escancarados em x (esse x é o futuro do Brasil)
A tuas casas a teus sobrados cheirando a incenso comida alfazema cacau

(Colaboração enviada pelo poeta Paulo Peres – site Poemas & Canções).

Extraído do sítio Tribuna da Internet

29 de dezembro de 2012

EXÉRCITO DE CHUMBO DO HERMITAGE - Karina Ivashko

© Voz da Rússia

O famoso museu Hermitage, de São Petersburgo, encerra o ano de 2012 com três exposições dedicadas à vitória da Rússia na Guerra Patriótica de 1812.

No ano do bicentenário da guerra com Napoleão, no Hermitage programaram uma série de exposições, pois o próprio museu está estreitamente relacionado com os acontecimentos de 1812: a começar pela arquitetura da Praça do Palácio, dos interiores do Palácio de Inverno e terminando com o Panteão da glória dos heróis da campanha de 1812-1814. Como disse em entrevista à Voz da Rússia o vice-diretor do Hermitage, Gueorgui Vilinbakhov, o museu preparou um original calendário virtual dos acontecimentos de duzentos anos atrás. No final de dezembro há três exposições: A tempestade do ano doze.., Nós uniremos nossas almas e Soldadinhos de Chumbo no Hermitage:

"Nós marcamos as exposições para coincidir com o dia da assinatura, por Alexander I, do Manifesto sobre o término da guerra de 1812, sobre a expulsão do inimigo para fora da Rússia. E além da exposição principal, baseada em materiais do Hermitage sobre a guerra, planejamos mais duas, mais compactas: uma dedicada às medalhas criadas em memória da guerra de 1812. E uma exposição de soldadinhos de chumbo, destinada, antes de mais nada, ás crianças".

No espaço da exposição as figuras de chumbo estão colocadas conforme a realidade histórica. Há duas grandes composições: uma representa o ataque da cavalaria francesa à infantaria russa, outra – a perseguição dos russos aos Franceses em retirada.

Entre os "soldadinhos russos" há aqueles que em 1855 foram encomendados pelo imperador Nicolai I à firma Heinrichsen em Nuremberg: naquela época lá estavam as mais conhecidas oficinas, que faziam soldadinhos de chumbo. As figuras de 6-8 centímetros de altura deveriam representar todos os regimentos da guarda imperial russa. Para atender a encomenda foram criadas cerca de cem formas para fundir as figuras e no Estado maior general da Rússia prepararam esboços coloridos das fardas de todos os regimentos do exército russo. Mas esta é apenas uma pequena parte da coleção do Hermitage – diz Gueorgui Vilinbakhov.

"A coleção de soldadinhos de chumbo no Hermitage é muito interessante por sua composição: nela estão representadas figuras da coleção do crítico de arte e pintor Alexander Benois, há figuras da coleção do famoso historiador e escritor Lev Rakov, que era conhecido como especialista em história das fardas militares. Há figuras que nos foram trazidas por operários,, que as encontraram na demolição de uma das casas".

O próprio Gueorgui Vilinbakhov também tem soldadinhos, apesar de não se considerar colecionador. Conta que eles ficaram da infância, quando seu pai os fez especialmente para ele. Mas confessa que a paixão infantil ficou para toda a vida. Aliás, os colecionadores são convictos de que os soldadinhos de chumbo não são brinquedo de criança. Fala Iliá Gornostaev:

"Dir-se-ia que os soldadinhos de chumbo são brinquedos. Mas, ainda assim, brinquedos para adultos. São enormes as exigências em relação às pequenas figuras. Aqui tudo é importante: a escala, a veracidade histórica da farda, até mesmo a raça dos cavalos. Assim que tudo aqui é sério".

Mas a principal tarefa da exposição consiste, ainda assim, em fazer com que se interessem pelos soldadinhos não só os adultos, mas também crianças – assinala o vice-diretor do Hermitage, Gueorgui Vilinbakhov:

"Quando nós fizemos exposições de soldadinhos sempre observamos que há mais crianças perto das vitrines. O que é netrual, Os adultos, que na infância não leram contos, não leram o conto de Andersen O Firme Soldado de Chumbo, não se interessaram. E as crianças, que os vêem gostam deles, querem brincar – aqui já existe esperança de um bom futuro".

Aliás, o próprio diretor do Hermitage, Mikhail Piotrovski admitiu que, como seus colegas, esperava esta exposição desde a infância.

Extraído do sítio Voz da Rússia

PERFIL DE UM MESTRE: BOUGUEREAU - Michael Wing

Regina Angelorum de William Bouguereau, 1900. Óleo sobre tela. Musee du Petit Palais, Paris (Art Renewal Center)

O pintor realista francês William-Adolphe Bouguereau (1825-1905) era conhecido em seu tempo como um mestre de lendárias realizações artísticas. No entanto, com a ascensão do movimento modernista, suas realizações foram denegridas e denunciadas, e seu nome foi banido da história da arte. Apenas nas ultimas décadas, após o colapso do movimento modernista, Bouguereau reapareceu no campo de nossa consciência histórica, mesmo que apenas nas margens. Com as suposições modernistas tendo virado coisa do passado, Bouguereau ganhou mais reconhecimento hoje e, muito provavelmente, ainda possamos aprender algumas coisas desse artista lendário.

Quando olhamos pela primeira vez uma obra de Bouguereau, nota-se imediatamente um realismo impressionante, descrito por alguns como foto-realística (as fotografias com certeza tiveram influencia sobre os artistas daquela época); também se nota uma técnica perfeita, uma vida de obsessiva preocupação com a perfeição dos mínimos detalhes, sem consideração por deixar qualquer marca visível da mão do artista. Em seus trabalhos também se pode notar um mundo idealizado cheio de juventude, sentimentalismo (as vezes sensual), bondade, divindade e beleza. Olhando uma pintura de Bouguereau, pode-se notar todas as razões do porque seu trabalho foi uma vez banido da historia da arte, e ainda assim notar suas intermináveis qualidades.

Talvez, através de seus trabalhos, uma pessoa possa compreender como uma vida dedicada à arte pode ser completamente pisoteada e destruída, e depois retornar à vida. Possivelmente há alguma importância em seu trabalho para ser descoberta.

A carreira de Bouguereau foi um constante sucesso em termos de conquista social, financeira e artística; ainda, ao mesmo tempo que em sua vida suportou uma série de contínuas tragédias que tiveram seu efeito sobre a saúde e espirito do artista, levando à sua eventual morte. Provavelmente seja verdade o que alguns dizem: “Sem perda não há ganho”.

Em 30 de novembro de 1825, nasceu o filho de Theodore Bouguereau, chamado William, um vendedor de óleo de oliva e vinho, sem sucesso, que morava em La Rochelle, na França. Devido a problemas de negócios, as relações entre os integrantes da família de Bouguereau eram tensas, e Bouguereau foi finamente enviado para morar com seu tio Eugene em Mortagne. Tal mudança acabou por ser uma benção para o jovem William, já que seu tio, ao contrário de seu pai, o incentivou a abraçar a cultura e a arte. Bouguereau teve suas primeiras aulas de arte durante sua estadia em Mortagne.

Após se mudar para Bordeaux, para ajudar nos negócios de família, Bouguereau finalmente convenceu seu pai a deixa-lo frequentar a escola de Belas Artes em Paris, após ter ganhado o primeiro premio numa competição de pintura local. Com a ajuda de seu tio, William obteve uma comissão que iria ajudar a pagar seus estudos.

Bouguereau começou seus estudos em 1846, trabalhando no estúdio de François Picot, e era frequentemente classificado como o melhor de sua turma. Em sua terceira tentativa, o artista finalmente ganhou o prestigioso Premio de Roma por sua pintura intitulada, “Zenóbia encontrada pelos pastores nas margens do Araxes”. Ele foi premiado com um ano de estudos pagos em Villa Médici, localizada no centro da cultura e arte clássica: Roma. Foi na Itália que Bouguereau leu as obras de Michelangelo, Leonardo, Ticiano, Raphael, entre outros. Acima de todos os outros, Bouguereau considerava Raphael como o classicista ideal na arte da pintura. Bouguereau produziu uma excelente cópia da obra da obra de Raphael “O Triunfo de Galatea”, que foi uma das quais ele foi designado a levar à academia de Paris.

Bouguereau de tornou mais bem conhecido quando se estabeleceu em Paris, em 1854. Em 1856, se casou com Marie-Nelly Monchablon, e no ano seguinte sua primeira filha (a primeira de cinco filhos) Henriette, nasceu. No mesmo ano, Bouguereau ganhou uma medalha de Honra por sua pintura, O retorno de Tobias, exibido num Salão em 1857. Os Salões eram exposições de obras culturais e muitas vezes atraiam mais de 300 mil visitantes, o que foi fundamental para acelerar a fama de Bouguereau por toda Paris, lhe garantiu constantes comissões e uma renda decente. George, seu primeiro filho nasceu em 1859, e em 1861, sua segunda filha Jeanne nasceu no dia do Natal.

O Cacho de Uvas de William Bouguereau, 1868. Óleo sobre tela. Coleção Privada (Art Renewal Center)

A vida pessoal de Bouguereau continuou a prosperar durante os próximos anos, no entanto, a tragédia veio à tona no ano de 1866, quando sua filha mais nova Jeanne faleceu. Os anos seguintes foram ainda mais dolorosos, mas sua carreira continuou a florescer. Durante o período da guerra Franco-Prussiana (após o nascimento do seu segundo filho, Paul) quando o artista se juntou temporariamente à guarda nacional, e enquanto esperava a Comuna de Paris em La Rochelle, continuou a pintar, e obras de artes foram produzidas uma após a outra. No entanto seu filho George faleceu de uma doença em 1875, e em 1877, a esposa do artista também faleceu após dar a luz ao seu terceiro filho Maurice, que também faleceu com 7 meses de idade. Seu luto inspirou obras religiosas como ‘A Pietá’. Durante esse tempo o artista foi nomeado com o mais alto cargo na Academia de Belas Artes.

Em 1879, William se casou novamente, desta vez com uma de suas alunas, Elizabeth Gardner, que era 12 anos mais nova. Até então ele havia produzido diversas obras de artes como: ‘Nymphs e Satyr’, ‘Charity’, e ‘Homer and his Guide’. Sua filha Henriette também se casou em torno dessa época, para grande contentamento do artista. No entanto, seu filho restante, Paul, que agora era advogado, adoeceu e faleceu em 1900. Este foi o golpe mais doloroso para a alma do artista, e sua saúde começou a se deteriorar rapidamente. William Bouguereau faleceu em sua cidade natal, La Rochelle, em 1905.

Embora Bouguereau tenha sido considerado um dos maiores pintores clássicos da historia, e até comparado por alguns à Raphael, havia outros que criticavam-no. Em particular os impressionistas que tentaram derrubar as escolas tradicionais de pintura. Por fim, eles conseguiram. Isso trouxe o movimento modernista, e alterou drasticamente os assuntos sobre arte, e historia da arte. Desta perspectiva o trabalho de Bouguereau foi considerado regressivo. Princípios e práticas tradicionais foram considerados como grilhões que impediam a expressão da arte. Pensou-se que a perfeição de Bouguereau ocultava a real arte. A técnica do artista e o idealismo clássico de sua arte foram considerados, por alguns, como um retrocesso sem sentido. Mas sua arte era tão inútil como alguns disseram? Embora acusado de ‘sentimental’ e, às vezes, até piegas, seu trabalho também era conhecido como cheio de beleza, devoção e bondade. Quem sabe, essas qualidades, mereçam ser revividas novamente.

Extraído do sítio The Epoch Times

EXPLORE O ENCANTO E RARIDADE DOS GLOBOS - Isabelle Kellogg

Um par de globos celeste e terrestre de 1816 disponíveis na Rau Antiques por 125 mil dólares (Cortesia da Rau Antiques)

Qual a razão dos globos terrestres fascinarem as pessoas e os colecionadores? Será a sua forma perfeitamente redonda? Serão os locais reias e distantes que neles estão contidos? Serão os destinos aos quais eles nos transportam? Será por causa das terras imaginárias a que nos convida a sonhar?

Seja qual for a razão, os globos celestiais e terrestres capturam a nossa atenção à séculos.

Antes dos sistemas GPS, aviões e detalhados mapas Rand McNally estarem disponíveis, os globos providenciaram uma mapa visual para os homens conquistarem o mundo. Depois de uma longa temporada no mar, pense na emoção de correr os dedos sobre todos os continentes, terras e oceanos percorridos durante as conquistas.

Para Bill Rau, dono da Rau Antiques situado no bairro francês de Nova Orleans, os globos dão uma perspetiva temporal e histórica dos territórios e céus de outra era.

“Existiam dois grandes construtores de globos que dominaram o mercado de globos do séc 18, os famosos cartógrafos Jonh Newton e Filho e J & W Cary“, explicou Rau.

“Cartógrafos reproduziram continentes com grande esforço. Com o tempo, descobertas de novas terras e uma maior compreensão da geografia pelos cientistas modernos e geólogos fizeram destes globos objetos especialmente raros e especiais para qualquer colecionador”, continuou Rau.

Globos terrestres representam a forma perfeita de uma esfera e o nosso planeta Terra. Quanto aos globos terrestres antigos também construidos em forma esférica, as descobertas espaciais provam que a galáxia não está contida numa forma esférica.

Obsessão por globos

Hoje em dia, globos não são usados apenas como objetos decorativos. Eles possuem diversos usos – desde lâmpadas até peso de papéis de secretaria.

Para Bill Rau, esta “obsessão por globos” teve uma nova reviravolta quando um cliente recentemente lhe pediu para elaborar um globo especial utilizando um mapa antigo muito estimado por ele. Bill Rau, sempre disposto a fazer mis por um, fechou uma partceria com um fabricante de globos inglês exclusivo para encomendar o trabalho.

Um globo de mesa da Morgan & Sanders English Regency em madeira de mogno (Cortesia da Rau Antiques)

Dois dos globos mais importantes disponíveis na Rau Antiques são os globos J & W Cary, de 1816 (por 125 mil dólares), que são um par de mapas terrestres e celestes produzidos num tamanho especial de 18 polegadas que raramente é replicado. As viagens de dois dos maiores capitães, Cook e Vancouver estão desenhadas na superfície, incluindo mapas detalhados de estrelas e constelações.

Apoiado em pedestais de mogno, estes dois globos J & W Cary possuem um mapa envernizado em papel machê, anéis dos meridianos em bronze e anéis horizontais que possuem os meses e calendários astrológicos. Compassos de precisão estão embutidos nos pedestais – um toque de qualidade para um par de esferas de dimensões tão majestosas.

Outro par de globos muito notável no inventário da Rau Antiques foi fabricado em 1728 por Johann Gabriel Doppelmayr de Nuremberg, Alemanhã (185 mil dólares). Ambos os Doppelmayr foram construidos para propósitos científicos , mas ao mesmo tempo tem alto valor decorativo – provando que os globos deste calibre eram reconhecidos como preciosos objetos de arte.

Numerosos retratos de exploradores famosos, tal como Amerigo Vespucci, Magalhães, Olivier van Noort, Dampier e Colombo, estão presentes no globo terrestre Doppelmayr. A grande muralha da China está desenhada e legendada em relevo assim como vilas, cidades, portos, rios, montanhas e florestas. O par de globos celestes de Doppelmayr é tão elaborado quanto.

Para os modernos colecionadores de globos que buscam algo realmente único, considerem um globo de mesa ‘Morgan & Sanders’s English Regency’ em mogno. O interior forrado a couro possui inclusive um apoio reclinável para possibilitar a escrita.

Para mais detalhes sobre estes e outros globos raros, visite www.RauAntiques.com.

* Isabelle Kellogg é escritora e consultora de relações públicas do setor de luxo, com uma paixão por diamantes, joias, relógios e outros produtos de luxo, incluindo viagens. 

Extraído do sítio The Epoch Times

OS DESTAQUES DO CINEMA EM 2012

Como não poderia ser diferente, o ano de 2012 teve grandes estreias no cinema. Houve belas surpresas surgidas de filmes pouco comentados, como Holy Motors, do diretor francês Leos Carax. Outros muito aguardados, a exemplo do novo Batman, não decepcionaram. Teve até polêmica envolvendo deputado que pedia censura do filme Ted. Confira alguns destaques.

No início do ano, dois ótimos filmes sobre a magia do cinema estrearam por aqui. O longa-metragem francês O Artista, de Michel Hazanavicius, transporta o telespectador à década de 20, quando o cinema mudo dá lugar ao cinema falado. O filme retrata a angústia de um ator de cinema mudo em declínio por não acompanhar as mudanças trazidas pelo cinema falado. Mudo e em preto e branco, o filme foi o grande vencedor do Oscar 2012, levando cinco estatuetas, incluindo a de Melhor Filme e Melhor Diretor. 

Já em A Invenção de Hugo Cabret, o diretor Martin Scorsese se aventura pela primeira vez em um filme infantil – mas o belo trabalho de Scorsese não agrada apenas ao público infantil. O filme – repleto de nostalgia, mostra a magia das primeiras projeções e recebeu o maior número de indicações ao Oscar.

No último trimestre do ano estreou por aqui o surreal Holy Motors. O filme acompanha um homem que divide suas existências vivendo diferentes vidas - empresário, mendigo, assassino, pai de família, para citar alguns. Difícil de ser interpretado, é o tipo de filme que deixa o espectados com muitas perguntas e pouquíssimas respostas. Esta característica é um dos baratos do filme, pois passa longe da mastigada formula hollywoodiana. Na sua estreia em Cannes, o filme foi recebido com estranheza, mas também entusiasmo. Holy Motors é "um pouco de ficção científica sobre como é viver no mundo real", descreveu Carax.

Cena do filme Holy Motors
A comédia politicamente incorreta Ted, gerou polêmica, depois que o deputado federal Protógenes Queiroz afirmou que iria entrar na Justiça a fim de impedir o filme de ser exibido no país. Após levar o filho ao cinema para assistir ao filme, o deputado escreveu indignado, em seu twitter, acusando-o de “incentivar o uso de drogas”.

Urso de pelúcia aprecia maconha, cerveja e garotas no filme 'Ted'
Ted mostra um ursinho de pelúcia que ganha vida graças ao desejo de um menino solitário. O pedido se realiza e com o passar do tempo Ted se torna um ursinho adulto. E é este detalhe que rende boas risadas no filme. É engraçadíssimo ver a adorável figura de um ursinho de pelúcia já adulto, desbocado, beberrão e fumante de maconha.

O ano também contou com estreias de franquias já conhecidas do público. Destaque para o elogiado Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, último da trilogia. A estreia de Amanhecer – Parte 2, marcou o fim da série de cinco filmes ‘Crepúsculo’, febre entre os adolescentes. Também estrearam por aqui O Espetacular Homem-Aranha, Homens de Preto 3, Resident Evil 5, American Pie: O Reencontro, Os Mercenários 2 e Alvin e os Esquilos 3.

Festival do Rio

Os cariocas ainda puderam aproveitar o Festival do Rio 2012, que transformou a cidade na capital oficial do cinema entre 27 de setembro a 11 de outubro. A sexta edição do festival trouxe 400 filmes de 60 países, exibidos em 30 locais e 25 salas de cinema. 

O longa-metragem O som ao redor, do pernambucano Kleber Mendonça Filho, foi o ganhador do Troféu Redentor de melhor longa-metragem de ficção da Première Brasil, a mais importante mostra do festival. O filme mostra um grupo de moradores de classe média no Recife que têm suas vidas mudadas com a chegada de uma milícia que oferece serviço de proteção.

Premiado também nos festivais de Gramado e na 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, além dos festivais internacionais de Copenhage e Roterdã, O som ao redor foi incluído na lista dos dez melhores filmes do ano pelo New York Times.

Cena do premiado filme nacional O Som ao Redor
"Em seu primeiro lançamento, 'Mr. Mendonça', um ex-crítico de cinema, faz crônica do ritmo diário da vida em um próspero condomínio de apartamentos na cidade litorânea brasileira do Recife. O que surge é um retrato sutil de uma sociedade em meio a uma rápida transformação social, ainda assombrada pela crueldade do passado feudal", descreveu o crítico Anthony Oliver Scott no "New York Times".

Extraído do sítio Jornal do Brasil