2 de outubro de 2013

FEIRA DE FRANKFURT NEGA RACISMO EM LISTA DE BRASILEIROS


RIO - A pouco mais de uma semana da abertura da Feira do Livro de Frankfurt, que neste ano homenageia o Brasil, o alemão Jürgen Boos, presidente do evento, negou, em coletiva de imprensa realizada na última sexta-feira, os boatos de que critérios racistas foram utilizados na seleção dos escritores que o Brasil levará à feira.

Há cerca de um mês, o jornal alemão "Süddeutsche Zeitung" publicou uma matéria destacando que, entre os 70 autores chamados a representar o Brasil na Alemanha, só um é negro - o carioca Paulo Lins - e apenas um descende de índios - o paraense Daniel Munduruku. Segundo a publicação, a escolha definitiva não mostraria a amplitude da produção literária brasileira. Mas Boos rejeitou essa afirmação com veemência:

- Com toda certeza não houve racismo - disse ele. - Não tem nada a ver com o Brasil ou com as minorias. Quando é feita uma seleção, é natural que alguns fiquem de fora.

A polêmica suscitada pelo jornal encontra eco, no entanto, no fato de que, em 2012, quando a feira tinha a Nova Zelândia como homenageado, foi adotado um critério de proporcionalidade étnica na composição do time de escritores que iriam ao evento.

- No ano passado, houve uma grande presença maori. Mas esse é um dos grandes grupos étnicos da Nova Zelândia, e o país tem tradição de proporcionalidade - explicou Boos. - Não sei quantas centenas de etnias há no Brasil. Mas há outros critérios, como o reconhecimento que o autor tem no país, se ele já foi traduzido, o que é importante, e a forma como ele representa a nação, a língua. Sempre há os que são deixados de fora, mas isso não é racismo.

Critérios de reconhecimento

Anunciada em março, a lista dos 70 escritores que estarão em Frankfurt entre os dias 9 e 13 é resultado de uma curadoria do jornalista Manuel da Costa Pinto com Maria Antonieta Cunha, diretora de Livro, Leitura e Literatura da Fundação Biblioteca Nacional, e Antonio Martinelli, coordenador de programação do Sesc São Paulo. E Costa Pinto diz que o critério central de escolha foi a relevância dos autores no meio editorial brasileiro.

- Paulo Lins, autor de "Cidade de Deus", teria que estar presente na feira independentemente de sua cor. Nossa curadoria não se rendeu a critérios extraliterários. Não usamos cotas. E é importante frisar que negros e indígenas estarão sim representados lá com ao menos um autor.

Mas essa polêmica não é a única em torno da participação do Brasil no maior evento mundial do mercado livreiro. Há duas semanas, o consulado brasileiro em Frankfurt abriu três licitações para contratar serviços básicos como hospedagem para a delegação, produção executiva para 26 eventos e ainda assessoria de imprensa na Europa. A demora em fechar questões como essas dariam sinais de que o Brasil chegaria atrasado na organização da feira. Na época, o Ministério da Cultura afirmou que o atraso não prejudicaria a presença brasileira, que conta com um orçamento total de R$ 18,9 milhões.

Extraído do sítio Yahoo!

APÓS 12 ANOS SEM FEIRA, BANCAS JÁ ESTÃO NO CENTRO DE SAPUCAIA - Denise Morato

Patrona Eni Allgayer convidou a comunidade a participar da feira.


Sapucaia do Sul - Com o slogan Ler é Voar Bem Alto, a Feira do Livro voltou para estimular a leitura na cidade. Após 12 anos, o município abriu na manhã desta segunda-feira a Feira do Livro, que ganha espaço no Calçadão, no Centro, até dia 5 de outubro. Dez livreiros da região marcam presença no evento, que ainda reserva espaço para lançamento de obras, bate-papo com escritores, dança, música, teatro e contação de histórias. E como toda a feira, não pode faltar a anfitriã. Este ano, a Prefeitura - promotora do evento com realização do Sesc – escolheram a escritora e historiadora de Sapucaia do Sul, Eni Allgayer, 65 anos como patrona. “É uma alegria muito grande poder participar do retorno desse processo de incentivo a cultura, em especial a literatura”, disse Eni Allgayer que ao lado do prefeito em exercício Arlenio da Silva, do secretário de Educação Edson Portilho, da gerente do Sesc São Leopoldo, Andrea Guedes, iniciou o cortejo pelas principais ruas do Centro. Ao som de um sino a patrona convidou os sapucaienses a participarem da feira. Uma homenagem também foi prestada ao poeta Olinto Vargas, 89.

Programação

02/10 – QUARTA
9h30min – Divulgação - livro “Poemas em sala de aula” dos alunos da EMEF José Plácido de Castro
10h - Contação de histórias - “Era uma vez...” - Trupe Teatro Escola – SESC
13h30 – Teatro - “O casamento da Bruxa Onilda” - EMEF Marechal Bitencourt
14h30min – Contação de histórias - Projeto Conte Mais – FERGS/UME Sapucaia
16h – Lançamento - livro “Como é estudar no João de Barro” - alunos dos 5º anos A B e C da E.M.E.B. João de Barro
16h30min - Apresentação do Grupo de Dança RAD´ance
19h - Bate-papo - Alex Gonzaga, escritor do livro “Diálogo com jovens negros”

03/10 – QUINTA
10h - Contação de histórias - “Era uma vez...” - Trupe Teatro Escola – SESC
13h30 – Bate-papo - Caio Spessatto, escritor dos livros “Ritmo Só” e “Miramar a vida e suas sentimentalidades”
15h - Recital de viola - oficineiro e alunos das oficinas artísticas da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo
17h30min - Bate-papo - escritora Marina Leal sobre educação, escola pública e desenvolvimento regional
19h – Bate-papo - escritor Wagner Coriolano de Abreu e Juremir Machado

04/10 – SEXTA
10h - Contação de histórias “Era uma vez...” - Trupe Teatro Escola – SESC
13h30min – Bate-papo - Marjorie Barth, escritora dos livros “A saga de Júlio no parque dos delírios” e “Júlio e a ira dos Deuses”. Lançamento do livro “Caos: sobrevivência ou extinção”.
15h - Premiação do Concurso de Redação e do Concurso de Frases das Escolas Municipais
17h – Show voz e violão - Volnei Cavalheiro - SESC

05/10 – SÁBADO
9h às 12h – Recreação com brinquedos infláveis - SESC
11h - Apresentação da Academia de Música Silvio Costa
13h30min - Teatro de Bonecos – Grupo Fantomania - "O desaparecimento do Sol" - SESC
16h30min - Encerramento e show voz e violão - Raul Quiroga – SESC

Extraído do sítio Diário de Canoas

ESTRUTURA DA FEIRA DO LIVRO DE CRICIÚMA JÁ ESTÁ MONTADA NA PRAÇA NEREU RAMOS - Amanda Garcia

Fotos: Ana Paula Cardoso

A estrutura para a Feira do Livro de Criciúma já está de pé na praça Nereu Ramos. O evento, que começou nesta terça-feira, segue até a sexta-feira da próxima semana, dia 11 de outubro. A abertura da feira aconteceu às 9h30min, com a apresentação do Coral Infantil do Colégio São Bento. 

Na sequência, aconteceu a contação de histórias, exibição de documentários e atividades culturais. Às 19 horas o evento foi encerrado com um Café Literário, em homenagem ao centenário de nascimento de Vinícius de Morais. 

A feira já tem dez livrarias confirmadas, o que trará uma grande diversidade de livros para a cidade. “A feira sempre tem uma grande variedade de atrações, além dos livros. Música, teatro e outras apresentações também serão realizadas”, explicou a diretora de Cultura da Fundação Cultural de Criciúma (FCC), Solange Scotti, ao Jornal da Manhã.

A estrutura da feira chegou ao estacionamento onde ficavam os taxistas, e estes foram realocados temporariamente para o acesso de moradores que fica em frente à Livraria Fátima (apenas referência). 

Segundo o presidente da Autarquia de Segurança, Trânsito e Transportes de Criciúma (ASTC), Giovani Zappelini, como a cobertura da tenda foi até a ponta da calçada, o ponto de táxi ficou prejudicado. “Para não atrapalhar o trabalho deles, reforçamos que os carros poderão ficar onde está o paver vermelho de acesso de moradores. Eles podem ficar apenas neste local”, reafirma.

Extraído do sítio Engeplus

DEPOIS DO SUSTO, O NOVO VERISSIMO - Leonardo Cazes

Na noite do dia 21 de novembro de 2012, o escritor Luis Fernando Verissimo foi internado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. O mal-estar, que parecia ser provocado por uma gripe, se revelou algo bem mais sério. Foram 24 dias até a alta, em dezembro. E Verissimo só voltou a escrever suas colunas para o Globo em janeiro deste ano. Logo no primeiro texto, “Desmoronamento”, ele falou sobre o assunto: a morte aparecera como uma viagem em um elevador de loja de departamentos. Em cada parada, em vez do ascensorista anunciar “Lingerie” ou “Adereços femininos”, dizia “Desce aqui e salva tua alma” e “Pense no que poderia ter sido”. No final, o prédio de lata do seu sonho não desmoronou sobre o seu corpo espatifado no chão e o escritor voltou para casa.

Passados 10 meses, o escritor lança o primeiro livro após o susto, Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos (Objetiva), uma coletânea que traz 10 textos de ficção, sendo quatro inéditos, entre eles o que dá nome à obra. Os outros seis foram escolhidos a partir de sua produção para os jornais, como o próprio Globo e O Estado de S. Paulo. A morte aparece explicitamente em dois textos: “Memória” e no inédito “A mulher que caiu do céu”.

No primeiro, um homem à beira de um ataque cardíaco consegue lembrar a receita de um martini perfeito, de um antigo goleiro do Botafogo, mas não onde deixou os remédios. Curiosamente, o texto é o mais antigo de todos e o autor nem se lembra onde foi publicado originalmente. Já no segundo, a morte é uma mulher que não consegue cumprir a sua missão de matar o protagonista José Roberto ao sentir uma profunda empatia por ele e sua família.

Mãe adotiva

Em entrevista respondida por e-mail, de Porto Alegre, dois dias antes de completar 77 anos, na quinta-feira, Verissimo conta que não notou uma influência da internação nos textos do livro, até porque muitos já estavam escritos. A maior mudança, talvez, tenha sido na sua própria vida. “Sou cardíaco, mas a internação foi por outro motivo, uma solerte bactéria que atacou os rins e quase me matou. O susto não teve nenhum efeito, que eu notasse, nos textos do livro, e alguns já estavam escritos, eram pré-susto. O efeito do susto na minha vida foi o de diminuir a certeza de ser imortal, que todo mundo tem um pouco. Foi isso, passei a me sentir um pouco mais mortal”, diz o escritor gaúcho.

Os quatro inéditos têm em comum o protagonismo da relação entre homem e mulher. Em “Os últimos quartetos de Beethoven”, a vida de cinco garotos gira em torno da enigmática e encantadora Livia, a primeira da turma a fumar maconha, a fazer tatuagem, a usar brinco numa orelha só e, de quebra, ainda tocava violoncelo – a música é um tema caro ao autor, que toca saxofone e é integrante do grupo Jazz 6. “Livia era Livia, as divindades não precisam contar os detalhes banais da sua existência”, escreve.

Já em “Lo” o menino Zé Maria, rebatizado de “José José”, se envolve em um tórrido romance incestuoso com sua mãe adotiva, uma nobre europeia decadente, Dolores Fuertes y Obregon. Os dois cruzam vários países da Europa numa fuga até que uma tragédia provoca a separação. A história do casal é uma referência aberta a “Lolita”, de Nabokov, só que com sinal invertido.

Duas homenagens

No caso de “O pôster”, João e Maria formam um casal que chega aos 30 anos e vive a apreensão de receber André, o chefe de João, para jantar. Tudo indica que a visita é um teste para uma possível promoção. Antes da chegada, João decide retirar o pôster de Che Guevara pendurado na parede da sala, esconder o seu exemplar do clássico Veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano, e só não consegue arrumar um lugar para os livros da mesa de centro, sobre Picasso e Francis Bacon. “Um comunista e um veado. E se ele examinar os nossos CDs? Muita Mercedes Sosa”, ironiza Maria. Depois, o interesse do chefe por João se revelará um tanto ambíguo.

Verissimo afirma que várias pessoas já apontaram a recorrência do tema em seus trabalhos, como na série “Comédias da vida privada”, mas ele não sabe apontar uma razão clara. “Já me chamaram a atenção para o fato de escrever muito sobre casais, e casais se desfazendo. Não é a minha experiência pessoal, estou casado há 50 anos com a mesma mulher. Talvez seja por isso mesmo que a eterna guerra entre essas duas nações, a masculina e a feminina, me atraia tanto, como um observador não combatente.”

Para o escritor, o que une as ficções da coletânea é a sua diversidade. “O que liga os dez textos é justamente a variedade, de tamanho e enfoque. Há coisas humorísticas e coisas mais sérias, ou pelo menos mais pretensiosas, e a ideia era essa mesmo. Mas os textos já publicados na imprensa e reaproveitados foram selecionados pela editora, o que significa que o fio não foi só eu que dei. Uma reincidência que pode ser citada é das duas homenagens a Nabokov, no conto ‘O expert’ e no ‘Lo’, que é um anti-Lolita”, aponta o autor.

Observador atento

O livro também traz um conto escrito para a coletânea “Vozes do golpe”, publicada pela Companhia das Letras em 2004, com trabalhos do autor e também de Carlos Heitor Cony, Moacyr Scliar e Zuenir Ventura. “A mancha” conta a história de Rogério, um militante de esquerda que foi preso e torturado durante a ditadura militar, mas que, após um período no exílio, fica rico comprando e vendendo imóveis e terrenos. Sua vida caminha em direção aos paraísos artificiais dos condomínios fechados contemporâneos quando ele reencontra o imóvel onde acredita que foi mantido em cativeiro. E a experiência traumática retorna com todas as suas contradições com o presente.

Perguntado se quando começa a escrever já sabe se sairá um conto ou uma crônica, Verissimo elaborou uma tese simples para delimitar a fronteira entre os gêneros depois do trabalho pronto: a extensão. No caso dos textos para os jornais, ele explica que já sabe o tamanho de antemão e aí a dúvida é só se escreverá ficção ou não. “A velha questão sobre o que é exatamente crônica e quando ela deixa de ser crônica e vira conto pode ser resolvida, talvez simplisticamente, com uma regra: como crônica muitas vezes também é ficção, o que a diferencia de um conto é o tamanho. Passou de um certo tamanho, é conto. Deixa de ser um veleiro e se transforma num navio e, no caso do romance, num transatlântico. No livro há textos curtos e longos, alguns escritos para o livro e outros já publicados. Mas é tudo ficção. Assim as crônicas, apesar do tamanho, foram promovidas a contos, pela companhia. É claro que quando começo a escrever uma crônica para o jornal sei que tamanho ela vai ter, para caber no espaço. Só preciso decidir se vai ser ficção ou não”, argumenta ele.

Apesar de não estar presente no livro, o futebol, outra de suas grandes paixões, também teve vez na conversa. Verissimo integrou a cobertura das últimas três Copas do Mundo com o Globo e participou de uma entrevista exclusiva com Ronaldinho Gaúcho, em 2006, quando o craque estava no auge. O escritor continua um observador atento da seleção brasileira e tem a sua explicação para a demora do time em engrenar: o excesso de trocas de comando da equipe. “É curioso como se experimenta técnicos radicalmente diferentes para treinar a seleção, para ver qual é o estilo que funciona. Dunga foi tentado como um exemplo de dedicação pessoal, o Mano Menezes como um pensador moderado e agora o Felipão como um empolgador sem sofisticação... Como os jogadores convocados para as últimas seleções têm sido mais ou menos os mesmos, não me admira que ainda não tenham firmado um jeito de jogar. São como um elenco que recebe um script diferente de cada novo diretor. Mas o Felipão já ganhou com seu estilo ‘Vamos lá!’ Talvez dê certo outra vez”, resume Verissimo.

* Reproduzido originalmente do blog Prosa, de O Globo, 28/9/2013.

Extraído do sítio Observatório da Imprensa

CONFIRA 12 LIVROS INDICADOR POR ERNEST HEMINGWAY A JOVENS ESCRITORES - Marina Prado

Você gosta de literatura e quer aprimorar suas habilidades de escrita? Confira 14 livros indicados por Ernest Hemingway a jovens escritores e baixe gratuitamente alguns deles.

Crédito: Shutterstock.com

Aos amantes da literatura, Hemingway é leitura indispensável e, mais do que isso, possui dicas valiosas a quem deseja começar a escrever.

Ernest Hemingway foi um escritor famoso por suas obras com escrita direta, que normalmente evitava muitas análises psicológicas, como O Velho e o Mar, premiado com um Pulitzer, e Por Quem os Sinos Dobram, resultado da experiência que teve durante a Guerra Civil Espanhola. Aos amantes da literatura, Hemingway é leitura indispensável e, mais do que isso, possuidicas valiosas a quem deseja começar a escrever.

A seguir, indicamos 12 livros indicados por Ernest Hemingway a jovens escritores:

1. Madame Bovary - Gustave Flaubert: Madame Bovary foi escrito por Gustave Flaubert no século XIX e foi um grande escândalo ao ser publicado, fazendo com que o autor fosse acusado de ofender a moral e a religião. A história fala sobre uma mulher que se vê presa ao casamento e entediada com a rotina burguesa na qual vivia. Download do livro. 

2. Dublinenses - James Joyce: Dublinenses é um livro de contos do escritor irlandês James Joyce que falam sobre a vida da cidade de Dublin e seus habitantes. Download do livro. 

3. O Vermelho e o Negro - Stendhal: O escritor francês Stendhal trata nessa obra sobre a vida de um filho de um comerciante que sonha em ser um herói, sendo uma narrativa de um desencontro histórico que se passa na época do governo de Napoleão.

4. Of Human Bondage - Somerset Maugham: Of Human Bondage é uma espécie de autobiografia do autor. A obra fala sobre a história de um jovem manco, órfão que cresce influenciado por regras religiosas e acaba se prendendo a uma paixão que surge no futuro.

5. Anna Karenina - Liev Tolstói: Anna Karenina é uma obra que trata sobre a difícil história de um amor proibido vivido pela protagonista na Rússia czarista. Download do livro. 

6. Guerra e Paz - Liev Tolstoi: Descrevendo a invasão da Rússia pelo exército francês, esse romance com mais de mil páginas em sua versão original, Guerra e Paz fala essencialmente sobre a aristocracia russa. Download do livro. 

7. Buddenbrooks - Thomas Mann: Buddenbrooks é uma crônica que fala sobre o declínio de uma família mercantilista alemã no século XIX, retratando costumes da vida da época.

8. Hail and Farewell - George Moore: Hail and Farewell é um livro de memórias do escritor irlandês George Moore sobre o tempo que ele passou em Dublin na década que antecedeu a Primeira Guerra.

9. Os Irmãos Karamazov - Fiódor Dostoiévski: Uma das mais importantes obras russas, Os Irmãos Karamazov fala sobre a história de uma conturbada família na Rússia, contando com um palhaço que subiu na vida e teve as duas de suas mulheres mortas de maneira precoce. Download do livro. 

10. The Enormous Room - E. E. Cummings: The Enormous Room é um romance autobiográfico do escritor americano E. E. Cummings que fala sobre sua prisão temporária na França durante a Primeira Guerra Mundial.

11. O Morro dos Ventos Uivantes - Emily Bronte: A obra da importante escritora britânica Emily Bronte fala sobre um romance devastador entre amigos de infância em uma fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes. Download do livro. 

12. The American - Henry James: The American fala sobre a história de um homem de negócios americanos bondoso, misturando comédia e melodrama.

Extraído do sítio Universia Brasil

DEPRESSÃO: O GRANDE DESAFIO CONTEMPORÂNEO - Gilmar Torquato


Ainda uma incógnita, a patologia será o problema de saúde mais comum no mundo, em menos de 20 anos. Só no Brasil, estima-se que atinja 38 milhões de pessoas. Especialistas avaliam o transtorno mental sob várias perspectivas em busca de tratamentos eficientes.

Mais de 350 milhões de pessoas de todas as idades sofrem de depressão no planeta. A estimativa assustadora da Organização Mundial da Saúde (OMS) é compensada por uma boa notícia: hoje contamos com mais informação e mais opções de tratamento. Nesse caso é fundamental inteirar-se sobre o que há nos campos da medicina e da psicoterapia, e esclarecer dúvidas e preconceitos sobre o transtorno pode ser o primeiro passo para encontrar a estratégia, ou a combinação de várias, mais adequadas. As estimativas variam. mas sem nos deixarmos seduzir pelo exagero, é muito provável que pelo menos um em cada dez de nós enfrente a depressão em alguns momentos da vida. Os sintomas são cruéis: incluem perda de interesse na vida, insônia, impotência, exaustão crônica e até mesmo aumento do risco de doenças, como cardiopatias. A patologia também leva ao isolamento, uma tendência agravada ainda mais pelo estigma associado ao quadro, o que faz com que tanta gente evite procurar tratamento. Quando não tratada, a depressão pode levar ao suicídio – a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima-se que a cada 40 segundos uma pessoa atente contra a própria vida de forma direta. Todos esses fatores contribuem para que quadros depressivos sejam hoje considerados como principal causa de incapacitação.

Mas afinal, o que leva alguém à depressão? A questão, tão complexa, pode ser compreendida sob vários olhares. Fatores genéticos e experiências vividas com pais na infância podem ter grande influência para o aparecimento da doença. Nada disso, porém, determina com certeza que a pessoa apresentará sintomas. Há características específicas de cada um que fazem com que pessoas diferentes reajam de formas diversas às mesmas experiências. Para a psicanálise, a depressão pode ser entendida como o rompimento da rede de sentidos e amparo. “É o momento em que o psiquismo falha em sua atividade e deixa entrever o vazio que nos cerca, ou o vazio que o trabalho psíquico tenta cercar; é o momento de um enfrentamento insuportável com a verdade”, afirma a psicanalista maria Rita Khel, autora do livro O tempo e o cão (Boitempo), ganhador do prêmio jabuti de melhor livro do ano de não ficção em 2010, que trata do tema da depressão. Algumas pessoas conseguem evitá-lo a vida toda, outras passam por ele em circunstâncias traumáticas e saem do outro lado. “Mas há os que não conhecem outro modo de existir, são órfão da proteção imaginária do ‘amor’, trapezistas que oscilam no ar sem nenhuma rede protetora embaixo deles”.

O escritor americano Andrew Solomon, autor do livro O demônio do meio-dia (2002), no qual discorre amplamente sobre a depressão, escreve: “A depressão é uma imperfeição do amor”. Por cinco anos ele pesquisou a patologia – relatos de pacientes, causas e efeitos, tratamentos, hipóteses bioquímicas, estatísticas. Recolheu histórias de vida de dezenas de pessoas que passaram por crises depressivas. O trabalho é embasado em sua própria vivência de episódios de depressão.


Do ponto de vista estritamente biológico, há consenso de que a patologia resulta de um desequilíbrio químico do cérebro. E a serotonina é o principal “suspeito” de ser o vilão da história, já que muitos estudos têm relacionado a depressão a baixos níveis de neurotransmissor, o que dificulta a propagação de mensagens através das sinapses (os pequenos espaços entre os neurônios).

A teoria era de que um aumento nos níveis de serotonina deve retornar dinâmica neural e o humor para níveis “normais”. O primeiro medicamento baseado na hipótese de serotonina – fluoxetina, mais conhecida como Prozac – foi lançado no final dos anos 80 e quase todos os antidepressivos subsequentes têm operado com o mesmo princípio geral: manter os níveis de serotonina elevados, impedindo o cérebro de reabsorvê-los.

Mas há um porém: embora tais drogas permaneçam como ferramentas importantes no combate da depressão, esses produtos parecem estar ficando cada vez menos eficazes. Há duas décadas, 1,5% da população dos Estados Unidos sofria de depressões que exigiam tratamento. Hoje esse número subiu para 5%. Parece impossível não se perguntar se a doença cresce com o desenvolvimento da medicina ou se a indústria farmacêutica produz as doenças para os remédios que desenvolve, do mesmo modo que outros ramos empresariais criam mercados para seus produtos. Boas escolhas: hábitos saudáveis, como meditação e alimentação rica em legumes e frutas, podem ajudar a prevenir o desequilíbrio.

Estudos clínicos desenvolvidos entre 1980 e 1990 indicaram que essas drogas ajudariam em torno de 85% dos pacientes a entrar em remissão. Mas os estudos na década de 2000 mostraram que os antidepressivos-padrão funcionam apenas em 60% a 70% dos casos – um declínio ressaltado quando o Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH, na sigla em inglês), em Bethesda, Maryland, publicou os resultados de uma ampla pesquisa desenvolvida nos Estados Unidos. Ao contrário de muitos ensaios farmacêuticos – que muitas vezes “filtram” participantes – este foi o primeiro a medir a eficácia dos antidepressivos em uma amostra da população do mundo real.

O que pode explicar a aparente diminuição na potência de antidepressivos? Talvez os próprios fármacos nunca tenham sido tão eficazes como foi apregoado pela mídia. Para aprovar determinado medicamento, a Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador dos Estados Unidos, só quer dois estudos de grande escala para verificar se a droga é superior a um placebo. No entanto, as empresas farmacêuticas não têm obrigação de fornecer ao FDA todos os estudos que realizaram, apenas os positivos.

Se de um lado pesquisas recentes trazem resultados preocupantes, de outro é inegável que para inúmeras pessoas que sofrem de formas mais graves da patologia os medicamentos se caracterizam como sinal de esperança – ainda que não sejam soluções definitivas e prontas como tantos anseiam. Mesmo sabendo já de antemão que novos produtos não funcionarão igualmente bem para todos, eles trazem alguma esperança.

Uma dessas substâncias, ainda em estudo, voltada para pacientes resistentes aos antidepressivos é a cetamina (ou quetamina), anestésico já usado de maneira ilícita como alucinógeno. No maior estudo clínico até o momento, com 72 participantes, pesquisadores da Escola de Medicina Icahn, no hospital da Universidade Monte Sinai, em Nova York, descobriram que pessoas que não conseguiram responder a nenhum outro tratamento experimentaram alívio de pensamentos suicidas. Cientista ainda não sabem precisar o risco da droga, nem quando estará liberada para consumo, mas estudos mostram que, aplicada por meio de injeção, tem potencial de desbloquear receptores de glutamato (neurotransmissores que estimulam as sinapses e, segundo vários pesquisadores, têm níveis muito baixos no cérebro de pessoas deprimidas). Uma vantagem da droga é fazer efeito em menos de uma hora, principalmente considerando que os antidepressivos que existem atualmente no mercado levam pelo menos 15 dias para começar a fazer efeito – uma eternidade para quem está mergulhado no sofrimento. O glutamato desempenha papel fundamental no cérebro, favorecendo processos complexos como aprendizagem, motivação e memória e plasticidade. Vários pesquisadores acreditam que os níveis de glutamato são muito baixos no cérebro da pessoa deprimida, assim como acontece com os de serotonina.


Mas é aí que determina a semelhança. Em vez de simplesmente ajudar no transporte de mensagens entre os neurônios, o neurotransmissor pode influir na plasticidade, contribuindo para incrementar a capacidade de reparação dos neurônios. Essa hipótese é coerente com uma teoria que vem ganhando destaque nos últimos anos, segundo a qual a depressão faz com que alguns dos prolongamentos das extremidades dos neurônios, os dendritos, tendam a murchar. É como se as sinapses se tornassem “pontes quebradas”, o que impede a transmissão das mensagens. Entre outras evidências para apoiar essa teoria está a constatação de que cada episódio sucessivo de depressão parece deixar as pessoas mais vulneráveis a um episódio subsequente.

Terapia ao alcance das mãos

A forma como usamos nossas mãos pode ter papel crucial na prevenção de episódios depressivos. Para compreender essa relação é preciso levar em conta que as estruturas motoras que controlam nossos movimentos estão intimamente conectadas ao centro de recompensas cerebral, onde registramos prazer, e à área cortical, que controlam o processo de pensamento superior. A ligação das regiões neurológicas permite o controle de ações, emoção e pensamento. Ao desenvolvermos atividades que envolvem vários desses componentes acionamos o circuito de recompensas impulsionadas pelo esforço. Parece que quanto mais esse sistema impulsionado pelo esforço é ativado e mantido em ação, maior o senso de bem-estar psicológico: é como se uma corrente elétrica estivesse passando por toda a rede. Isso ocorre, por exemplo, quando a pessoa instala um novo acessório de iluminação que exige as duas mãos. As conexões neurais são então reforçadas e as células dessas áreas do cérebro permanecem “ligadas”, secretando neurotransmissores como dopamina e serotonina, envolvidas na deflagração da sensação de bem-estar. Há fortes indícios de que todo esse processo estimula a neurogênese (produção de novas células cerebrais) e um fator importante na recuperação da depressão.

Os gestos manuais ativam áreas maiores do cérebro do que movimentação de partes bem maiores do nosso corpo, como costas e pernas. Ou seja: organizar fotografia em um álbum (à moda antiga mesmo) e tricotar um suéter são atividades que podem nos distrair das tensões da vida e ocupar o cérebro de maneiras intensas e benéficas à saúde mental. passear no parque ou ir á academia para malhar – particularmente se você considera essas atividades significativas – também podem estimular substâncias neuroquímicas importantes para o equilíbrio emocional, como a serotonina e as endorfinas. Alguns especialistas chegam mesmo a suspeitar que tais atividades podem altera o cérebro de uma maneira mais significativa que qualquer dose de um medicamento isolado conseguiria. “Quando encaramos um desafio, embarcamos no dinâmico processo de tomar a decisão sobre uma estratégia eficiente, de implementar um plano e de observar o desfecho desejável; é como se o cérebro ‘tomasse notas’ dessas situações para poder acessar estratégias de respostas similares no futuro”, explica a neurocientífica e psicóloga Kelly Lambert, professora titular da cadeira de psicologia da Randolph-Macon College.

“Assim como um triatleta deve exercitar os músculos repetidas vezes com séries simples de exercícios antes de participar de uma longa prova, qualquer pessoa também precisa enfrentar experiências positivas contínuas com recompensas simples impulsionadas pelo esforço para executar a complexa ginástica cerebral que enriquece a vida psíquica”, afirma. Segundo ela, qualquer coisa que nos permite ver uma clara conexão entre esforço e consequência – e aquilo que ajude a nos sentir no controle de uma situação difícil – é uma espécie de vitamina mental que contribui para aumentar a flexibilidade e funciona como amortecedor contra a depressão.

O cérebro e a palavra


Outra técnica experimental no Brasil, que também acena como perspectiva para pessoas em estado grave, que não respondem a outros tratamentos, é a estimulação cerebral profunda (DBS, na sigla em inglês). Nesse caso, os médicos colocam cirurgicamente dois eletrodos no cérebro. Os dispositivos, ligados a uma bateria presa ao tronco do paciente, enviam impulsos elétricos constantes. A proposta é que a estimulação promova a liberação de neurotransmissores, causando a diminuição dos sintomas.

Já a estimulação magnética transcraniana (EMT) superficial, reconhecida há um ano no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina, favorece a circulação sanguínea por meio da ação de ondas eletromagnéticas. Indolor e não invasivo, o tratamento estimula a atividade cerebral e é indicado para pessoas que não respondem aos medicamentos nem às psicoterapias. Atualmente pesquisadores estão testando também formas profundas de estimulação.



O procedimento prevê que o terapeuta se coloque de forma ativa, sem pretensão de manter a neutralidade, apresentando suas ideias e sentimentos – diferentemente do que em geral ocorre na terapia clássica. tradicionalmente, a psicoterapia busca modificar vivências fora da relação terapêutica, como conflitos no trabalho ou lembranças de um acontecimento traumático. Mas o paciente costuma transpor suas experiências de aprendizagens anteriores para muitas pessoas – especialmente para o terapeuta. O conceito de transferência foi desenvolvido por Sigmund Freud no início do século passado e desde então vem sendo aprofundado por vários psicanalistas. Embora adeptos de outras abordagens, como a terapia cognitivo-comportamental, muitas vezes combatam as ideias propostas pela psicanálise, o CBASP toma por base esse movimento psíquico e propõe que o próprio terapeuta estimule o desencadeamento de pensamentos, sentimentos e comportamentos depressivos no paciente – com o intuito de modificar padrões de reação inadequados.

Nessa abordagem, ao relatar as próprias reações ao comportamento dos pacientes, o psicoterapeuta espera que as pessoas percebam que quando agem de forma depreciativa e hostil normalmente causam consternação ou irritação nos outros. Além disso, se dão conta de que, com atituds simpáticas e generosas, despertam desejo de proximidades e gratidão e ainda notam que têm mais chances de obter ajuda com pedidos francos de apoio. No decorrer da terapia, o paciente reconhece que o terapeuta se comporta de forma diferente das pessoas de referência marcantes de sua infância.

Outra técnica experimental no Brasil, que , que também acena como perspectiva para pessoas em estado grave, que não respondem a outros tratamentos, é a estimulação cerebral profunda (DBS, na sigla em inglês). Nesse caso, os médicos colocam cirurgicamente dois eletrodos no cérebro. Os dispositivos, ligados a uma bateria presa ao tronco do paciente, enviam impulsos elétricos constantes. A proposta é que a estimulação promova a liberação de neurotransmissores, causando a diminuição dos sintomas.


Outra técnica experimental no Brasil, que , que também acena como perspectiva para pessoas em estado grave, que não respondem a outros tratamentos, é a estimulação cerebral profunda (DBS, na sigla em inglês). Nesse caso, os médicos colocam cirurgicamente dois eletrodos no cérebro. Os dispositivos, ligados a uma bateria presa ao tronco do paciente, enviam impulsos elétricos constantes. A proposta é que a estimulação promova a liberação de neurotransmissores, causando a diminuição dos sintomas.

* Fonte original: por Glaucia Leal, jornalista, psicóloga, psicanalista, editora de Mente e Cérebro / Mente e Cérebro - Edição 248.

Extraído do sítio Ler Saúde