2 de março de 2012

CORDEL JÁ CHEGOU À ERA DIGITAL



Coleções de Cordel já podem ser lidas em tablets em todo o mundo. O Cordel superou a civilização imprensa de Gutemberg e ingressou na civilização cibernética do espaço virtual. Tradição nordestina ganha espaço na rede com obras completas disponibilizadas por instituições.

Popularizada em feiras livres da Região Nordeste do Brasil, onde seus folhetos impressos em papel pardo adornados por xilogravuras ficavam expostos em varais, a literatura de cordel também pode ser acessada via internet.

Fundação Casa de Rui Barbosa - Rio de Janeiro
Uma das principais fontes para tal é a Fundação Casa de Rui Barbosa, localizada no Rio de Janeiro. Repositório de literatura popular desde 1989, o órgão disponibilizou parte do acervo de 9 mil folhetos em um site especialmente construído para facilitar o acesso remoto. 

Segundo Dilza Ramos Bastos, chefe de Serviço de Biblioteca da instituição, o trabalho começou em 2001. Inicialmente, a ideia era divulgar o material por meio de CDs e, depois, migrou para a rede.

A digitalização foi uma medida importante para a preservação do próprio acervo, que passou a ser menos manipulado por pesquisadores. “Nós diminuímos a manipulação e facilitamos o acesso à informação visual do texto e das ilustrações”, explica. “Hoje são raros os casos em que precisamos dar acesso direto ao documento.”

A origem exata da literatura de cordel é difícil de ser pontuada. Formas literárias similares são encontradas em outros países, como França, Espanha e Portugal. Os romances ibéricos em versos, oriundos da tradição oral e posteriormente impressos em folhetos, e os desafios improvisados do Nordeste, são indicados por pesquisadores como algumas das forças criadoras do cordel. Surgido na primeira metade do século XIX em Pernambuco e na Bahia, a forma clássica do cordel atingiu o auge da produção entre 1930 e 1960.

Impressos em papel barato, os folhetos de cordel mediam cerca de 12×18 centímetros e possuíam de oito a 32 páginas, ilustradas com imagens reproduzidas de jornais ou xilogravuras. Seus versos rimados relatavam desde temas tradicionais (como os romances de cavalaria medieval) até eventos sociais, econômicos e políticos brasileiros, como o fenômeno do cangaço ou o suicídio do presidente Getúlio Vargas, em 1954.

Um dos primeiros cordelistas a imprimir e vender seus versos foi o paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918), autor de Peleja de Manoel Riachão com o Diabo, publicado, provavelmente, em 1889. Tal folheto pode ser lido e impresso na íntegra pelo usuário por meio do site da Fundação Casa de Rui Barbosa (www.casaruibarbosa.gov.br/cordel). 

Outras instituições como a Fundação Joaquim Nabuco, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel e até mesmo a Biblioteca do Congresso norte-americano possuem acervos digitais semelhantes.

Atualmente, existem 2.340 folhetos digitalizados no banco de dados virtual da instituição, inaugurado em julho de 2008. A escolha das obras publicadas na rede procurou obedecer aos critérios de direitos autorais e de raridade. Por causa disso, apenas 25% dos 9 mil folhetos foi disponibilizado para o acesso via internet. O número corresponde aos autores que já caíram em domínio público ou cujos herdeiros autorizaram sua reprodução. 

Para o presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Gonçalo Ferreira da Silva, todos os meios de comunicação acabam se constituindo como novos espaços de produção e divulgação dos cordéis. “Muita gente pensou no início que o rádio de pilha acabaria com a literatura de cordel. Pelo contrário, ele serviu como veículo de divulgação para os cordelistas e repentistas”, reflete o cordelista nascido na cidade cearense de Ipu, em 1937.

Fonte: Blog Famaliá.

Extraído do sítio do Portal Vermelho

LIVROS DE BOLSO FAZEM SUCESSO NO MERCADO BRASILEIRO - Eduardo Tristão Girão


Andy Warhol tem destaque na coleção
L&PM Pocke
Quem passa por postos de gasolina, farmácias, bancas de jornal e livrarias onde os títulos de bolso (pocket books) da editora gaúcha L&PM são vendidos talvez não desconfie que essa boa ideia nasceu num momento de crise. A empresa estava quase quebrada em fevereiro de 1997, quando a coleção, hoje eclética (literatura, culinária, quadrinhos etc), começou. Este mês, com Diários de Andy Warhol, ela chega ao milésimo volume nesse formato – e vendendo dois milhões de exemplares por ano. A concorrência já despertou para esse mercado.

“Atualmente, o livro de bolso é a alma da L&PM. Quando soube dessa ideia, um consultor nos disse que seria a salvação da editora. Quatro anos depois, conseguimos pagar todas as dívidas e resgatar o prestígio da empresa. Apostamos na diversidade: de quadrinhos a obras transgressoras, com o máximo possível de tendências. Queremos que seja a coleção dos leitores e também dos não leitores”, afirma Ivan Pinheiro Machado, um dos proprietários do grupo gaúcho.

Entre os feitos da L&PM estão edições (com novas traduções) de escritores como Balzac, Shakespeare, Maupassant, Gogol e Dostoiévski, a coleção completa de Sherlock Holmes e versões bilíngues de obras gregas antigas, com os textos em português ao lado de originais em grego clássico. Não há corte de conteúdo por causa do tamanho reduzido dos livros. Boa parte deles custa menos de R$ 20 (cada), mas há caixas que esbarram nos R$ 100, como a de cinco títulos do escritor alemão Bukowski.

Se ainda há quem pense que lançamentos sem grande importância compõem o catálogo da editora, títulos como os já citados e, mais recentemente, Diários de Andy Warhol estão aí para provar o contrário. A caixa dedicada ao americano tem dois volumes e traça um retrato cultural do século 20, no qual o artista registra seu cotidiano, impressões pessoais, fatos e eventos protagonizados por celebridades como ele, como o cantor Jim Morrison, o lutador Muhammad Ali e o estilista Calvin Klein.

O mercado de livros digitais (e-books) não compromete o de volumes de bolso, avalia Ivan. “As empresas de tecnologia forçam a barra para vender essa tese, como se o mundo tivesse acabado. Os caras querem fazer disso um Grenal, mas um não elimina o outro. São complementares”, ironiza ele. Sua editora investiu quase US$ 1 milhão na plataforma digital, mas ainda não teve retorno significativo. “É um mercado muito incipiente, representa menos de 0,3% do faturamento das editoras brasileiras. Isso é expressivo apenas nos Estados Unidos”, diz.

No momento, a prioridade da L&PM é o lançamento da série de bolso 64 páginas. Inicialmente, serão 12 volumes vendidos a R$ 5 e, como o nome sugere, todos com 64 páginas. Já estão previstas obras de Bukowski, Kerouac, Pessoa, Tchekov e Conan Doyle.

Arte Apostando nesse nicho de mercado desde 2005, a editora Companhia das Letras já colocou nas lojas 170 títulos pelo selo Companhia de Bolso. Em média, são 24 lançamentos por ano, sempre reedições de grandes sucessos da empresa. Em formato menor, elas são mais baratas. Os pockets passaram a representar 11% das vendas da editora no ano passado. O público-alvo, nesse caso, são os estudantes.

Além do preço, outro ponto que ajuda a tornar os títulos da Companhia das Letras mais atraentes é a preocupação com a arte das capas. Todas são reproduções de pinturas de Jeff Fisher com motivos diferentes, mas com a mesma identidade visual. A maioria dos títulos é vendida por cerca de R$ 20. Há obras de autores como Hannah Arendt, Caetano Veloso, Salman Rushdie, Milan Kundera e Oliver Sacks.

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO
O escritor italiano Umberto Eco
 está preparando pessoalmente a
 edição de bolso brasileira de seu
Nome da Rosa

Na disputa por adeptos dos pocket books, o selo Best Bolso, da Editora Record, é um dos que mantêm maior quantidade de títulos. Agora, vai chegar ao número 300 com o clássico O nome da rosa, de Umberto Eco, que está no prelo. O autor revisou o texto em novembro, “enxugando” termos em latim e deixando o romance mais acessível. “Acredito que vire um estudo de caso, pois o leitor mais dedicado vai querer comparar as edições e ver as diferenças”, afirma Silvia Leitão, coordenadora do selo.

A Record está bem abaixo da L&PM e seus 1.029 títulos, mas com boa vantagem sobre a terceira colocada (em termos quantitativos), a Companhia das Letras, com 170. Como o Grupo Editorial Record conta com outros 14 selos, a política de apenas relançar livros da empresa encontra sentido nas centenas de opções que, dessa forma, estão à disposição.

Há certas diretrizes para que um título seja reeditado em formato de bolso, explica Silvia. “Quando as vendas de livros convencionais começam a decrescer, relança-se o mesmo título no mercado para revigorar o que ainda tem fôlego comercial. Há também efemérides e datas comemorativas que impulsionam novas edições. Em 2011, F. Scott Fitzgerald entrou em domínio público e publicamos pela Best Bolso as grandes obras do autor”.

A política de preços é competitiva, com pockets vendidos entre R$ 9,90 e R$ 19,90 (sempre abaixo das edições originais). Atuando desde 2007, a editora mantém o ritmo de 60 lançamentos anuais, o que tem garantido aproximadamente 15% do faturamento anual do grupo. A atuação na área digital também é complementar aos segmentos convencionais, deixando que o leitor decida qual formato prefere. “No caso de Agatha Christie, por exemplo, os 11 títulos estão disponíveis em formato pocket e e-book”, completa Sílvia.

Bom negócio “O preconceito em relação ao livro de bolso era forte no Brasil até o início da década de 1990. Hoje, não mais. Nossas edições são impressas em papel branco, o brasileiro rejeita o papel jornal. As capas são atraentes e os textos revisados. O leitor sente que está fazendo um bom negócio ao comprar um produto bom por preço melhor ainda. Costumo dizer que se trata de algo bom, bonito e barato. Os autores, em geral, gostam muito de ter sua obra nesse formato”, analisa a coordenadora editorial.

Classificando os livros de bolso como “leitura de entretenimento”, Silvia Leitão informa que seu público é formado predominantemente por jovens, estudantes e pessoas em férias (daí a importância do produto pequeno, fácil de carregar).

A Record também se interessa pelas áreas de motivação, espiritualidade e bem-estar. Ano passado, criou outra coleção de bolso, a Viva Livros, que tem autores como Deepak Chopra e Louise Hay.

EM CATÁLOGO

COMPANHIA DAS LETRAS Abaixo as verdades sagradas (Harold Bloom), O último suspiro do mouro (Salman Rushdie), Jean-Jacques Rousseau: a transparência e o obstáculo (Jean Starobinski), Tio Tungstênio (Oliver Sacks) e O fim da terra e do céu (Marcelo Gleiser).

L&PM
As melhores histórias da mitologia (A. S. Franchini e Carmen Seganfredo), O eterno marido (Dostoiévski), Convite para um homicídio (Agatha Christie), Um fracasso de Maigret (George Simenon) e Diários de Andy Warhol (editado por Pat Hacket).

PAZ E TERRA
Os livros de bolso da Coleção Leitura estão entre os menores do mercado (10,5cm x 13,5cm), com predomínio de clássicos como O príncipe (Maquiavel), A dama das camélias (Alexandre Dumas) e Antígona (Sófocles).

OBJETIVA
Desde 2009, a editora aposta em pockets pelo selo Ponto de Leitura, com títulos já lançados em formato tradicional por seus demais selos (Alfaguara, Fontanar e Suma de Letras). Era no tempo do rei (Ruy Castro), Minha fama de mau (Erasmo Carlos) e Uma esposa confiável (Robert Goolrick) são os mais novos.

RECORD
Com 300 pockets no catálogo (alguns esgotados) do selo Best Bolso, a editora também aposta em autores consagrados, como Carlos Drummond de Andrade, Umberto Eco e Isabel Allende. Entre as novidades está Heróis comuns (Scott Turow).

SEXTANTE
A lista de pockets da editora não é extensa. Ela se dedica ao segmento de autoajuda, reunindo autores como Augusto Cury, Dalai Lama e João Paulo II.

ZAHAR
Também segmentada, a coleção de bolso da editora tem foco na informação, com títulos sobre ciência, filosofia, psicanálise, história, arte, literatura e ciências sociais. Vários são apresentados no formato ligeiro, como Newton e a gravidade em 90 minutos.

MEMÓRIA
Primeiros Passos

Criada em 1980 pelo fundador da editora Brasiliense, o intelectual Caio Prado Jr., esta coleção reúne dezenas de pequenos livros com a proposta de explicar temas de forma didática e aprofundada. O que é contracultura, O que é mais valia, O que é punk e O que é lesbianismo são alguns desses títulos. Entre os autores estão nomes de peso como Paulo Sandroni, Marilena Chauí, Dalmo Dallari, José Graziano da Silva e Roberto Muggiati. Novas edições vêm sendo lançadas, como O que é turismo (2010), de Alexandre Panosso Netto. Esses pequenos volumes – salvação de estudantes, curiosos e jornalistas, por exemplo – são a prova de que tamanho não é documento.

Extraído do sítio Divirta-se Uai

DEPÓSITO SECRETO DE LIVROS ANTIGOS É ENCONTRADO EM BIBLIOTECA DE MUSEU - Aleksandra Guzeva

Esconderijo foi encontrado após retirada de uma parede da biblioteca.

Foto: Ilia Varlamov.
Nos calabouços da biblioteca do Museu Politécnico foi encontrado um verdadeiro tesouro – um depósito secreto de livros e revistas antigos. Quando, quem e, o mais importante, por que motivo alguém escondeu as publicações ninguém sabe, mas todos os livros são de valor único e sem precedentes não apenas como antiguidade, mas também do ponto de vista do conhecimento científico que eles contêm.

Foto: Ilia Varlamov.
A biblioteca preparava-se para mudar para um espaço temporário, uma vez que o edifício em que está localizada tem mais de cem anos e já precisa de uma restauração. Os funcionários começaram a recolher antecipadamente os principais livros, já que embalá-los leva muito tempo."A disposição da sala não é exatamente adequada para uma biblioteca, de modo que o armazenamento de livros foi formado aleatoriamente. Quando era preciso um lugar novo, no improviso, íamos construindo prateleiras onde era possível", conta a diretora-adjunta da biblioteca do Museu Politécnico, Svetlana Kukhtévitch.

Foto: Ilia Varlamov
Para gerar espaço para as caixas de livros, prateleiras vazias foram desmontadas. Então, atrás de uma delas, foi encontrada uma parede de madeira compensada, que "balançava" de forma estranha. "Nós removemos a madeira compensada e vimos que atrás dela havia livros! Claro, nós imediatamente quebramos a parede e na nossa frente apareceram montanhas de livros empilhados do chão até o teto!", contou Svetlana.

Foto: Ilia Varlamov
De acordo com cálculos preliminares, no nicho de dois metros de comprimento havia cerca de 30 mil livros, que eram considerados perdidos. No esconderijo foram encontrados basicamente livros pré-revolucionários em línguas estrangeiras: francês, alemão, latim e grego. "Todos os estudiosos e qualquer pessoa minimamente instruída do século 19 sabiam diversas línguas, por isso, não havia demanda por livros em russo", afirma Svetlana. O exemplar mais antigo é o livro "Descrição pictórica das áreas ocupadas pela Alemanha", publicado em 1706. Mas a maioria foi publicada no final do século 19, início do século 20. Um dos livros mais recentes é "Mapa Administrativo da URSS", da editora NKVD, de 1936.

Foto: Ilia Varlamov
A biblioteca do Museu Politécnico foi fundada em 1871, antes mesmo do próprio museu, e consistiu sua coleção primeiramente com doações da Sociedade de História Natural, que era composta por professores da Universidade de Moscou (Mendeleev, Butlerov Metchnikov, Setchenov, Timiriazev).

A reposição da coleção contribuiu para o intercâmbio de publicações com o Museu de História Natural de Paris e com a Sociedade Real de Edimburgo. Após a Exposição Politécnica em Moscou, da qual a biblioteca fez parte, ela começou a receber, para a sua coleção, literatura de todos os congressos científicos e exposições.

A maior parte dos livros do "tesouro", como o esconderijo foi chamado pelos funcionários, entrou na biblioteca do Politécnico através de um depósito público que mantinha todas as coleções privadas nacionalizadas. Ex-proprietários nobres de alguns livros podem ser localizados de acordo com antigos livreiros. Assim, em um catálogo completo de aves na língua francesa, estão registrados desenhos dos famosos comerciantes Mámontov.

Foto: Ilia Varlamov
Foi possível ver em vários livros a anotação "remover o sinal" e marcas de antigas livrarias arrancadas. Nos tempos soviéticos, tentavam, assim, de modo literal, apropriar-se e nacionalizar todas as coleções privadas. Milagrosamente, a marca pessoal do ministro da Educação do Povo durante o reinado de Nicolau I, o conde Semion Uvarov, permaneceu no livro com letras de ouro, em uma edição em língua francesa de "A História dos Insetos", datada de 1734.

Dos livros em russo, merece atenção especial o tomo "As Forças Produtivas da Rússia", sobre todas as fábricas em todos os setores. "Quando você lê um livro desses você entende que tudo prosperou no nosso país, e houve tanto progresso. Progresso que talvez não tenha acontecido em vários países ocidentais", comenta Olga Plechkova, bibliotecária-chefe do espaço.

Datado de 1906, o livro de história do estudante do segundo ano do ginásio Serguêi Tchelnokov conservou uma vida antiga subterrânea. Dentro, folhas foram acondicionadas com as anotações a lápis do menino. Nelas, vê-se claramente que a princípio ele começara a escrever uma lição ou a fazer anotações, e quando se cansou, ele desenhou alguma coisa e ficou exercitando a escrita do nome do comandante Barclay de Tolly.

Após essa descoberta maravilhosa no porão da biblioteca, foi encontrada ainda outra parede de madeira compensada. Ela foi quebrada sem demora, e foram achados dois nichos também cheios até o teto de periódicos estrangeiros do século 19 – revistas sobre a história da ciência e da tecnologia, sobre as artes e arquitetura. "Agora nós podemos não apenas complementar a nossa coleção de periódicos, mas também substituir as revistas copiadas sem valor por aquelas encontradas no esconderijo", conta Svetlana.

Foto: Ilia Varlamov
Um dos presentes proporcionados pela descoberta é ter, por exemplo, quase todos os números da revista “Engenharia” a partir de 1884. Tal descoberta não é boa somente para bibliógrafos, mas também para pesquisadores da área de tecnologia – a revista reúne praticamente todo o patrimônio dos conhecimentos de engenharia.

Nos tempos soviéticos, a biblioteca fazia parte do Comissariado de Educação do Povo.

Ela organizava exposições relacionadas a todos os avanços científicos e tecnológicos do país, de "Literatura popular científica sobre a agricultura" a "Engenharia da luz".

A biblioteca recebeu exemplares de leitura obrigatória sobre ciência e tecnologia, publicados na Rússia. Hoje, nos arquivos, absolutamente todos os livros sobre história da ciência e tecnologia têm sua versão escrita em russo.

Foto: Ilia Varlamov
O mistério permanece do mesmo modo: por que esconder todos esses livros ideologicamente inofensivos e revistas sobre química, física, biologia, agricultura, matemática, história, astronomia e outras ciências?


Não ficou nenhuma evidência de que a gerência da biblioteca ou o governo soviético deu uma diretriz específica para destruir os livros. Mas talvez por medo de perder essas publicações valiosas, os funcionários do museu decidiram escondê-las. Segundo Kukhtévitch: "Nós ficávamos imaginando que em algum lugar na biblioteca poderia ter um esconderijo com livros, mas não sabíamos onde. A antiga diretora trabalhou aqui 30 anos e não encontrou nada". Os bibliotecários têm em mente ainda um lugar onde pode haver outro esconderijo.


Extraído do sítio da Gazeta Russa

1 de março de 2012

TETRA PAK - Márcio-André


por um animal
          todo-feito de tetra pak
que se devora enquanto se move

esse animal-caligrama
que transpassa o alfabeto através do corpo

e a imundície da rua através do tempo

usina de merda contra
as mil falhas tectônicas do céu

mesmo a morte faz mais sentido quando fodemos
usina de força gerando forças contrárias

uma pedra sobre a mesa tem mais alma que um
rinoceronte a lograr-se
          no ladrilho de suas placas

ou ainda
esse ordinário que vive das coisas complexas:
o dia a dia alternando suave
os terrenos baldios a ordem das casas os vagões de trem.

Extraído do sítio de Marcos-André

"O LIVRO PRECISA DE MAIS DIVULGAÇÃO", DIZ MARCELO DUARTE - Vanessa Gonçalves

Marcelo Duarte comanda a editora Panda Books e segue apaixonado por livros, jornalismo e esportes
O jornalista Marcelo Duarte queria ser piloto de avião. O desejo de conhecer novos lugares encantavam o menino que ficava entusiasmado com os cartões-postais enviados pela prima de segundo grau, Maria Cristina Duarte, que era editora da revista Claudia.

O gosto pela leitura e escrita aproximaram Marcelo Duarte do jornalismo. Afinal, a profissão permitia que unisse a paixão por viagens, escrita e futebol numa coisa só. Tanto insistiu na paixão pelo jornalismo esportivo, que logo passou a trabalhar na revista Placar. De lá para cá os anos passaram e hoje Marcelo Duarte também é dono da Panda Books, uma da editoras mais queridas pelos amantes do futebol e da boa literatura. De fato, Marcelo é louco por livros, jornalismo e futebol.

Como começou sua relação com a literatura?

Eu tinha o sonho de escrever um livro, mas ainda não sabia sobre o quê. Não sabia se seria um livro-reportagem ou uma biografia sobre alguém. Só tinha colocado na minha cabeça que eu ia escrever um livro. Quando estava trabalhando na revista Veja São Paulo comecei a guardar recortes com informações curiosas para usar nas minhas reportagens. Uma vez fiz uma matéria sobre atendimento bancário e fiquei na fila duas horas e dez minutos. Na hora de escrever o texto comparei usando uma curiosidade, mostrando que se uma lesma fizesse o mesmo percurso que eu fiz no banco ela ia demorar uma hora e 40 minutos Então usava essas curiosidades nas minhas reportagens e era muito elogiado.

Era o seu diferencial?

Sim, eu usava isso para dar um “molho” na reportagens e era incentivado a usar isso cada vez mais. Um belo dia, por uma grande coincidência, estava no interior de São Paulo, na casa de uma tia para o casamento de um primo e vi na prateleira a “Enciclopédia Curiosa”. Comecei a folhear enquanto esperava e achei muito engraçado, apesar de serem livros muito defasados. Resolvi apresentar um projeto para a editora Companhia das Letras para fazer a “Enciclopédia Curiosa” em versão atualizada. Eles toparam e batizaram de “Guia dos Curiosos”. Fiquei um ano trabalhando na versão dos almanaques dos anos 60 e aí o livro pegou. Foi um dos livros mais vendidos de 1995 e ficou na lista de mais vendidos em primeiro lugar quase o ano inteiro.

Então esse projeto abriu as portas do mundo da literatura para você?

Sim, deu a oportunidade para que eu escrevesse outros almanaques e livros de literatura juvenil. Hoje eu tenho publicados cinco livros pela Coleção Vaga-lume, o “Guia dos Curiosinhos”, “Os Endereços Curiosos de São Paulo”, entre outros. Esse livro abriu uma série de possibilidades porque as pessoas começaram a me enxergar como um especialista em curiosidades. Foi um campo muito legal que se abriu para mim na literatura também.

Blog dos Curiosos
E como foi apostar na literatura e abrir uma editora? 

Depois de um tempo escrevendo livros para a Companhia das Letras eu saí da Editora Abril porque os livros começaram a me tomar muito tempo. Em 1998 eu queria fazer um livro que era a continuação de uma reportagem de capa que eu fiz para a Veja São Paulo. A matéria falava sobre onde encontrar o que é difícil em São Paulo. Apresentei o projeto e a editora não se interessou. Eu queria muito lançar o livro porque gostava muito daquela ideia e pensei: ‘vou abrir a minha editora para lançar esse livro’. Na minha cabeça dava para abrir uma editora para lançar apenas um livro, mas vi que não era tão simples, que na verdade eu tinha que ter um projeto. Comecei a perguntar para outros amigos jornalistas se tinham livros para serem publicados e achei meia dúzia de pessoas com projetos de livros legais. Aí criei a editora para fazer os meus livros e o de mais algumas pessoas. 

Esse projeto recusado pela Companhia das Letras deu certo?

“Os Endereços Curiosos de São Paulo” deu muito certo e de cara vendeu 20 mil exemplares, ajudando a mostrar o nome da editora que estava nascendo e tinha apenas um livro no catálogo. O segundo livro também deu certo, o terceiro também... Enfim, a editora começou a ter um movimento legal, a vender bem e as livrarias reconheceram que eu tinha um projeto. Hoje a Panda Books tem 12 anos de vida, 350 títulos publicados, muitos livros adotados em escolas, além de outros livros que aparecem nas listas dos mais vendidos. A coisa cresceu, mas no começou eu atendia a porta, ajudava a editar, ia entregar os livros.

O Brasil é um país que não tem a cultura da leitura. Qual é o desafio de fazer livros atrativos para que as pessoas tomem gosto pela leitura? 

De verdade? Acho que o livro precisa de mais divulgação. Sofremos pelo número excessivo de livros no mercado e o espaço reduzido na mídia para falar deles. Um exemplo: temos três estreias por semana no cinema e todos os jornais, tevês e rádios conseguem falar sobre esses lançamentos. No caso dos livros, em uma semana, sem exagerar, devem ser lançados uns 200 livros e o espaço que o livro tem na mídia é o mesmo do cinema, ou seja, apenas uns três ou quatro, são divulgados por semana. Podemos até dizer que há muita porcaria ou mesmo livros que não têm mercado, mas com certeza tem muita gente que poderia se interessar por mais livros se soubessem que eles foram lançados. Hoje as livrarias não têm espaço para tantos lançamentos e selecionam os autores mais conhecidos. Então tem muito livro que você nem sabe que existe.

O acesso à internet também prejudica que a leitura se torne um hábito?

Com certeza. Temos uma disputa de espaço muito grande na vida das pessoas. Eu sou de uma geração que não tinha computador, tv a cabo com desenho 24 horas por dia, videogame, então o livro era um passatempo que tinha mais espaço na nossa vida. Hoje há uma luta inglória. Você tem que lutar para que as crianças se apaixonem pela literatura muito cedo, porque depois quando entra na competição com a internet, o livro acaba perdendo, mas também acho que faltam para as escolas um projeto de literatura. Eu defendo que as escolas parem um pouco com a opção dos livros obrigatórios e façam uma oferta maior para os alunos para que eles possam escolher o que querem ler. Talvez isso seja importante para as escolas para quando chegar a idade da leitura dos clássicos. Quem sabe assim os alunos não tenham tanto pavor do livro e o interesse pela leitura surja naturalmente, não como uma coisa imposta.

Então você acredita que uma maior oferta de livros pode estimular o gosto pela leitura desde a infância?

Acho que as escolas devem fazer com que as crianças leiam e que a leitura seja obrigatória, mas que os títulos não sejam impostos. Porque tudo é questão de gosto. Você pode se encantar por um livro e outra pessoa detestar, então ao oferecer um leque maior talvez ajudasse. Hoje as bibliotecas escolares são bem antiquadas, mas também há escolas com projetos ótimos onde jogam almofadões no chão e deixam o espaço da leitura mais descontraído. Já vi também escolas que têm o horário da leitura para toda a escola onde de tal hora a tal hora todo mundo vai ler, desde o cara da cantina, até o professor, o bedel e a diretora. Isso é muito bacana. A verdade é que as escolas têm umas atividades que não acrescentam nada, então deveriam abrir mais espaço para a leitura.

Hoje brigamos muito por espaço com a internet. Você acha que o caminho para ampliar o alcance da leitura seria o lançamento de e-books?

Acho que isso é inevitável. Não dá para imaginarmos que o papel vai durar para sempre. O livro de papel não vai acabar totalmente, porque ele ainda vai ter uma utilidade. Agora o tablet permite que você faça livros com muita interação, o que pode desviar sua atenção da leitura também. Afinal, não estamos falando apenas do livro, mas também da leitura em si. Pouco importa se a pessoa está lendo em papel ou tablet, o importante é que as pessoas tenham o hábito da leitura. E não só a leitura de ficar lendo manchete de site de notícia da internet achando que você está informado porque lê as manchetes do UOL. Tem que ler um pouquinho mais. Acho que o próprio jornal vai ter espaço para artigos mais trabalhados e não vai perder a importância na era dos tablets. Na minha opinião, o tablet é mais uma mídia que vai ter seu espaço e pode até ser uma solução para a leitura, mas a grande preocupação é que se e-book será uma plataforma para você ler ou ele terá que ter desenhos, filmes e um monte de coisas agregadas.

Isso acabaria dispersando a leitura?

Sim. Antigamente tínhamos os cd’s room que eram mais ou menos isso. Agora, também não sei como serão os livros para smartphone. Acho dificílimo ficar lendo livros no celular. Eu tive a experiência de pegar um livro meu, a "Enciclopédia dos Craques", que é um livro de consultas e criar um aplicativo dele para celular. Livros de consulta são modelos que permitem a entrada nos celulares, agora livros só de leitura, eu não sei se darão certo. Talvez só se forem de poesia ou leituras mais curtas, como livros infantis.

Você tem algum projeto editorial de sua autoria para 2012?

Eu vou relançar o "Guia dos Curiosos dos Jogos Olímpicos" agora no meio do ano, mas quero fazer um "Guia dos Curiosos" inédito. Estou apostando num volume sobre videogames. A Panda tem um milhão de projetos. Estamos prevendo 50 lançamentos neste ano, inclusive dois deles são livros-reportagem. Um contará a historia dos bastidores dos 30 anos do filme “Coisas Eróticas”, que foi o primeiro filme pornô brasileiro, onde falaremos sobre o fim da censura e o fim da Boca do Lixo que sai da linha das pornochanchadas e vai para a linha do pornográfico. É um livro histórico de valor muito grande. O outro é a tradução de um livro de um jornalista argentino que escreveu a história da "La Doce", a torcida mais temida da Argentina. Ele fez um trabalho investigativo sensacional dos bastidores. Através do livro você consegue entender como é uma organização não é só com relação ao futebol mas com as questões que envolvem poder, dinheiro e violência. O autor deste livro, Gustavo Gabria, foi convidado e aceitou participar do Congresso de Jornalismo Investigativo deste ano.

Extraído do sítio Portal da Imprensa

PLANETA MULTILÍNGUE



De acordo com a UNESCO, metade de 6 mil línguas do planeta estão sob ameaça de extinção. Para preservar a diversidade linguística e cultural já há 12 anos em 21 de fevereiro o mundo celebra O Dia Internacional da Língua Materna. Cada ano a UNESCO anuncia um novo tema da política linguística, em 2012 é o diálogo intercultural.

A data do Dia Internacional da Língua Materna foi escolhida em memória dos eventos trágicos de 21 de fevereiro de 1952. Na altura, em Daca, capital do Bangladesh atual, polícia abriu fogo contra estudantes que manifestaram em defesa da sua língua materna Bengali e exigiram reconhecê-la como uma das oficiais do país. Em resultado, vários estudantes foram mortos.

É vital para a humanidade manter sua diversidade linguística e cultural, afirma o diretor do Institute de Etnologia e Antropologia da Academia de Ciências russa, Valeri Tichkov.

"Embora que devido à globalisação línguas pequenas tornam-se extintas e pessoas escolham uma língua mais forte ou uma com a qual teria melhor sucesso na vida, a diversidade linguística nas últimas décadas continua mantendo. Além disso, as línguas estão sendo revividas por causa que pessoas retomam intresse a seus raízes, suas culturas pequenas. E isto também se aplica ao nosso país e outros países do mundo. Nos meus olhos, renasceram línguas havaiana e galesa, certa vez estava estudando essas regiões. E em grande parte isso aconteceu graças aos entusiastas, aos esforços de linguístas, etnógrafos".

Na Rússia devido à politica do governo para apoiar a cultura das nações menores, praticamente nenhum idioma não desapareceu. Hoje o número deles supera 200. Este ano será o sexto que Moscou tem festejado O Dia da Língua Materna, declarou a professora do departamento da UNESCO do Institute de Educação Aberta de Moscou, Marina Krivenkaya.

"Celebramos de formas diferentes. Realizámos debates entre jovens, mesas-redondas, festivais grandes quando alunos apresentaram línguas faladas em Moscou. A popularidade deste evento ainda obrigou-nos alargar o seu âmbito. Já o terceiro ano na capital russa realiza-se um grande forum para jovens, intitulado “Moscou diversa e multilíngue”.

Todos os eventos estão realizando-se a partir do fim de janeiro. As ações destinam-se a dar conhecimentos de tradições linguísticas e culturais de diferentes nações do mundo, incluindo as que vivem em Moscou, e a fortalecer solidaridade baseada na compreensçao mútua. Em 21 de fevereiro, no Dia Internacional da Língua Materna, na conferência de juventude “A um diálogo intercultural através do estudo de línguas” serão concluidos resultados de todos os eventos.


Extraído do sítio Voz da Rússia