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2 de outubro de 2013

BELEZA E TRISTEZA: O QUE PENSAVAM DO OUTONO OS GRANDES ESCRITORES RUSSOS - Ajay Kamalakaran

Com sua miríade de folhas coloridas contra o vento fresco e o céu claro, o outono é definitivamente a estação mais bonita na Rússia; no entanto ele sempre evocou sentimentos diversos entre os grandes escritores do país.

O outono causou um impacto especial em grandes escritores da literatura russa e a leitura de pequenas preciosidades sobre a estação Foto: Lori / Legion Media

Amarelo e dourado são as cores predominantes das folhagens no outono russo, como retratado por Isaak Levitan em óleo sobre tela em sua obra-prima “Outono Dourado”. Os artistas se sentem particularmente inspirados pelas cores da estação, mas o outono, com suas colheitas, clima imprevisível e tradições tais como apanhar cogumelos e mirtilos, tende a evocar emoções variadas entre os grandes escritores do país.

Para alguns dos maiores escritores russos o outono era uma época sombria, muitas vezes comparada ao outono da vida. Para Fiódor Dostoiévski, a estação evocava memórias nostálgicas da infância ao mesmo tempo em que trazia um grau de angústia com a realidade contemporânea, uma vez que a vida estava realmente passando. Ele expressou esses sentimentos, como na maioria de seus livros, através de seus protagonistas.

No primeiro romance de Dostoiévski, ”Gente pobre” (que foi escrito sob a forma de cartas trocadas entre dois personagens), Varvara Dobrossiolova escreve: “Como eu costumava amar o campo no outono! Ainda criança, eu era um ser sensível que amava as tardes de outono mais do que suas manhãs. Lembro-me como ao lado de nossa casa, aos pés de uma colina, havia uma grande lagoa e como a lagoa –posso vê-la agora mesmo!– brilhava na superfície ampla, que era clara como cristal”. Em sua carta a Makar Dévuchkin, a protagonista de Dostoiévski continua a descrever vividamente a estação no campo e a “época dourada” que foi sua infância.

Dobrossiolova continua: “Levada por essas memórias, eu poderia chorar como uma criança. Tudo, tudo volta de forma tão clara em minha memória! O passado permanece tão vividamente diante de mim! Mas no presente tudo parece escuro e sombrio! Como isso tudo acabará? Como? Sabe, eu tenho uma sensação, algo como um forte pressentimento de que vou morrer no próximo outono, por isso me sinto terrivelmente (...)” Em seus livros posteriores, Dostoiévski continuaria a produzir metáforas com a estação. "O mundo das fantasias desaparecerá, sonhos vão esmorecer e morrer e cairão das árvores como as folhas de outono", escreveu em “Noites Brancas”.

“Assim como um pintor precisa de luz para dar os últimos retoques à sua obra, eu preciso de uma luz interior, a qual nunca sinto ter o bastante no outono.” Muitos atribuíram essa citação de Lev Tolstói ao bloqueio que o escritor costumava sentir nessa estação. No entanto, o grande romancista estava em seu auge poético quando descreveu o outono em “Guerra e Paz”. Sua narrativa sobre as condições do tempo durante o período entre a Batalha de Borodino e a entrada dos franceses em Moscou encanta os leitores: “(...) durante toda aquela agitação, semana memorável, o clima era o do extraordinário outono que sempre traz uma surpresa, quando o sol repousa e aquece mais do que na primavera, quando tudo clareia e brilha na raramente limpa atmosfera que aviva o olhar, quando os pulmões são fortalecidos e revigorados pela inalação do ar perfumado do outono, quando até mesmo as noites são quentes e, quando nessas noites quentes e escuras, estrelas douradas nos surpreendem e nos deliciam caindo continuamente do céu”.

Em “Reminiscências de Anton Tchékhov”, Maksím Górki comparou a obra de Tchékhov com o final do outono. "Ler as histórias de Anton Tchékhov dá a sensação de se estar em um dia melancólico de final do outono, quando o ar é transparente e o contorno das árvores nuas, casas estreitas e pessoas acinzentadas é nítido", escreveu Górki. Sem dúvida, Górki, que foi um grande crítico de Tchékhov, não gostava do outono. “Tudo é estranho, solitário, imóvel, indefeso. O horizonte, azul e branco, derrete-se no céu pálido e sua respiração é terrivelmente fria sobre a terra, que fica coberta com lama congelada. A mente do autor, assim como o sol do outono, surge em monótonos caminhos de traços rígidos, as ruas tortuosas, as casinhas miseráveis nas quais pessoas diminutas e pobres ​​são sufocadas pelo tédio e pela preguiça e enchem as casas com uma ininteligível agitação sonolenta".

Se houve uma lenda da literatura russa que amou o outono com enorme paixão, essa pessoa foi Aleksandr Púchkin, cujas palavras soam vindas do coração desse escritor:

“As pessoas têm palavras duras para esses dias de outono,

mas, leitor, eles me são caros, eu amo

sua luz despretensiosa, sua beleza calma.

O outono me atrai como uma menina negligenciada

entre suas irmãs. E, para ser bem sincero,

ela é a única que aquece meu coração.

“Ela tem seus dotes; caprichosamente sonhadora

e livre de vaidade, a mim seus encantos são atraentes.”

O outono causou um impacto especial em grandes escritores da literatura russa e a leitura de pequenas preciosidades sobre a estação, que algumas vezes estão escondidas nos recônditos de grandes romances, é apenas mais uma forma de tentar descobrir as profundezas da alma russa. Independentemente de quais emoções a estação realmente evocava nas almas dos lendários escritores, as cores, cheiros, imagens e sons do outono realmente trouxeram as melhores descrições e criatividade que havia neles.

Extraído do sítio Gazeta Russa

8 de agosto de 2013

DOISTOIÉVSKI EM TRAÇOS - Vanessa Corrêa da Silva

Exposição em São Paulo traz obras de artistas brasileiros e alemães que interpretaram as narrativas do escritor russo por meio de ilustrações.

Abertura da exposição "Noites Brancas". Foto: divulgação
Considerado por muitos o maior escritor russo de todos os tempos, Fiódor Dostoiévski (1821-1881) é tema de uma exposição inaugurada no museu Lasar Segall, em São Paulo, no final do mês de julho.

A mostra “Noites Brancas: Dostoiévski Ilustrado”, que fica em cartaz até o dia 29 de setembro, conta com obras de Lasar Segall (1891-1957), Oswaldo Goeldi (1895-1961), Alfred Kubin (1877-1959) e outros 11 artistas que com seus desenhos e gravuras buscaram realizar interpretações gráficas da obra de Dostoiévski.

Das 64 obras expostas, 44 vieram das instituições alemãs Gabinete de Gravuras de Dresden e Museu Lindenau, de Altenburg, e foram trazidas pela primeira vez ao Brasil para a mostra. São gravuras, desenhos e livros originais editados no Brasil e na Alemanha.

Com curadoria de Samuel Titan Jr., professor do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo, a exposição enfoca o diálogo entre os artistas da mostra e a obra de Dostoiévski através do expressionismo alemão.

CINEMA

Para complementar a exposição, o museu organizou a mostra “Dostoiévski e o Cinema”, um ciclo de oito filmes inspirados na obra do autor russo, que serão exibidos durante os finais de semana do mês de agosto.Escolhida pela pesquisadora e crítica de cinema Ilana Feldman, a programação da mostra traz títulos que vão de “O Idiota” (1951), de Akira Kurosawa, até “Crimes e Pecados” (1989), de Woody Allen, passando por obras de cineastas como os italianos Luchino Visconti e Bernardo Bertolucci e o brasileiro Heitor Dhalia. 

“A ideia da exposição surgiu um pouco por acaso. Em 2005, ganhei uma bolsa para estudar em Berlim e decidi procurar ilustrações de Alfred Kubin, pois já conhecia a ligação dele com Goeldi. Encontrei uma edição de 1913 do livro 'O Duplo' com 60 ilustrações de Kubin e, pesquisando mais, fui me dando conta de que Dostoiévski foi adotado pelo expressionismo alemão como uma figura de destaque”, disse Titan Jr. à Gazeta Russa.

“Entre os autores do século 19, Dostoiévski era aquele que, para os alemães, parecia ter o caráter mais visionário. Mais do que um romancista, ele era um autor que soube fazer com precisão o diagnóstico da crise do homem de sua época”, explica o professor.

A admiração por Dostoiévski fez com que diversos artistas do expressionismo alemão se dedicassem a ilustrar contos e trechos de seus romances. “Max Beckmann, que ilustrou episódios do romance ‘Recordações da Casa dos Mortos’, dizia: ‘Quero ser para Dostoiévski o que Botticelli foi para Dante’”, conta Titan Jr, fazendo referência à relação do pintor italiano Sandro Botticelli com o autor de “Divina Comédia”.

Segundo o professor, dúzias de edições ilustradas de seus contos e romances surgiram na Alemanha entre o início da décade de 1910 e a ascensão do nazismo, quando o expressionismo passou a ser reprimido e entrou em declínio. Além de ilustrações, houve o surgimento de uma série de gravuras em pedra, madeira e metal, além de portfólios em formato de revista, com artistas mostrando suas interpretações da obra do escritor russo.

“Somente na Alemanha Dostoiévski foi objeto de uma recepção gráfica tão coerente. Essa tradição morreu no país, mas ressurgiu algum tempo depois no Brasil, com as edições de suas obras pela editora José Olympio”, diz Titan Jr.

Para o professor Bruno Gomide, coordenador do programa de pós-graduação em Literatura e Cultura Russa da Universidade de São Paulo, as ilustrações feitas para as edições da José Olympio da obra de Dostoiévski são um dos pontos altos da coleção e receberam o mesmo cuidado dedicado à tradução dos textos. “As ilustrações têm um peso muito grande até hoje e talvez sejam a primeira coisa que vem à cabeça das pessoas quando pensam nessa coleção.”

Fazem parte da exposição diversos desenhos e gravuras feitos por Oswaldo Goeldi para ilustrar os livros do autor russo por encomenda da José Olympio, durante as décadas de 1930 e 1940. Entre as narrativas que ganharam interpretações de Goeldi na forma de desenhos estão “Memórias do Subsolo”, “O Idiota” e “Humilhados e Ofendidos”.

O público também poderá ver uma série de cinco litografias que Lasar Segall realizou em 1917 em torno da novela “Uma criatura dócil”, além de gravuras de artistas alemães como Erich Heckel, Max Beckmann e Otto Möller e 40 das 60 gravuras de Kubin que fazem parte da edição de 1913 de “O Duplo” encontrada por Titan Jr. em Berlim.

Gomide acredita que a exposição do museu Lasar Segall é uma das facetas de uma onda de redescoberta de Dostoiévski no Brasil, com reedições de obras do escritor feitas por várias editoras, encenações teatrais e filmes.

Extraído do sítio Gazeta Russa

6 de agosto de 2013

DOSTOIÉVSKI É PROCESSADO 131 ANOS DEPOIS DE MORRER

Mesmo morto, Dostoiévski segue envolvido com a Justiça russa…

Fiódor Dostoiévski, um dos maiores nomes da história da literatura mundial, morreu há 131 anos. Mesmo assim, por uma característica da lei russa, acabou processado por incitar o desrespeito a um tribunal. As informações são da agência de notícias estatal russa Ria Novasti.

O processo começou após um morador da longínqua região de Kamchatka, no nordeste da Rússia, usar a palavra “idiota” para se referir a um oponente durante um julgamento, em 2011.

Processado criminalmente por desrespeito ao tribunal, o homem alegou em sua defesa que a “perniciosa influência” da leitura de O Idiota, uma das obras-primas de Dostoiévski, publicada em 1869, o havia levado a ofender o adversário, e que o escritor deveria ser investigado por incitá-lo a desrespeitar o tribunal.

Após o prazo de nove meses, dentro qual Dostoiévski teria sido investigado, o processo foi finalmente arquivado no início deste ano pelo fato de o escritor estar morto desde 1881. As autoridades judiciais russas são obrigadas a processar todos os requerimentos feitos ao Judiciário, independentemente de parecerem absurdos, segundo um porta-voz.

O crime de desrespeito a tribunal prevê pena de até seis meses de detenção ou multa de 200 mil rublos (cerca de R$ 14 mil) na Rússia.

Inocentado neste processo, Dostoiévski passou grande parte da vida tendo problemas com a Justiça. Em 1849, o escritor foi condenado à morte junto com outras 19 pessoas por distribuir panfletos contra o governo, mas a sentença foi cancelada na última hora.

Caso tivesse morrido na ocasião, ele não teria escrito seus principais romances, como “Crime e Castigo”, “Irmãos Karamazov” e o livro que teria incitado o desrespeito a tribunal praticado pelo morador de Kamchatka.

Extraído do sítio Sul21

4 de junho de 2013

CULTURA DA LITERATURA AO CINEMA, PAÍS INSPIRA O MUNDO - Dmitri Sukhodólski

Dos clássicos à psicodelia, a arte e a cultura têm muito a celebrar junto à Rússia.

Dançarinos do Balé Nacional da Rússia apresentam o espetáculo “Lago dos Cisnes” Foto: Photoshot/Vostock-Photo
Quer saber um fato surpreendente sobre a arte contemporânea? Ela foi inventada por um artista russo. Em 1915, Kazimir Malevitch pintou Quadrado Negro, obra emblemática da vanguarda que teve grande impacto sobre todas as artes. O conceito de “transformar em arte aquilo que ninguém poderia sequer ter imaginado antes de você” teve seus reflexos não só em “A Fonte”, mictório de Marcel Duchamp exibido em 1917, e na “teoria da evitação” do músico Arnold Schoenberg, mas também na composição silenciosa 4.33, de John Cage, e em várias outras obras, do dadaísmo à “arte povera” do pós-guerra.

Só o nome de Malevitch seria suficiente para atestar a contribuição russa para a cultura mundial. Mas há também um outro artista contemporâneo seu, Vassíli Kandínski, que aos 40 anos abandonou o cargo de professor de economia para se tornar um dos fundadores e principais teóricos da pintura abstrata.

De seu grupo fez parte o arquiteto Konstantin Mélnikov, um grande excêntrico do vanguardismo russo que começou a brilhar alguns anos antes – e se apagou alguns anos depois da Revolução de 1917. Mélnikov é considerado o melhor arquiteto da história da Rússia. Seu destino não é menos surpreendente do que suas obras. 

Nascido em uma família numerosa cujo chefe era inspetor de linhas ferroviárias, Mélnikov trabalhou na empresa de um engenheiro rico que notou o talento do menino e lhe permitiu estudar com os mentores de seus filhos. Como resultado, aos 15 anos Mélnikov foi aprovado por uma prestigiada escola de arte da capital russa e se tornou, no início dos anos 20, o mais famoso arquiteto de Moscou.

Cada nova obra experimental causava sensação e lhe rendia fama internacional. Seu talento brilhou até 1936, quando o regime stalinista proibiu o arquiteto de trabalhar, acusando-o de formalismo. Mélnikov viveu enclausurado o resto de sua vida em uma incrível casa feita com dois cilindros que se comunicam e cerca de 60 janelas em forma de hexágono no centro de Moscou.

De escritores a químicos

Se você perguntar a um estrangeiro culto o que ele sabe sobre a cultura russa, a primeira coisa que ele lembrará será provavelmente a literatura clássica do século 19. Um europeu falará sobre a obra de Lev Tolstói, um norte-americano, sobre os livros de Fiódor Dostoiévski, enquanto um apaixonado por teatrocomentará o espólio dramático de Anton Tchekhov.

Vale notar que, além desses, os russos veneram outros grandes nomes pouco conhecidos no Ocidente. Um deles é Aleksandr Púchkin. Em 25 anos de trabalho, esse poeta genial “traduziu”, ou melhor, adaptou ao solo russo milhares de anos de literatura ocidental, imprimindo aos gêneros literários criados na Europa um tom original. Para o leitor russo, a obra de Púchkin continua a ser um modelo de linguagem e estilo. Para o ocidental, ela soa demasiadamente densa. 

Mas não se preocupe com o fato de os melhores exemplos do discurso melódico russo não estarem disponíveis para quem não estudar bem nossa língua. A música é compreensível a todos: os balés e óperas de Piotr Tchaikovsky fazem parte do repertório dos melhores teatros estrangeiros, de Sydney a Boston. Os especialistas veneram também a obra do compositor Aleksandr Skriabin, fundador da música de cores, enquanto Serguêi Rachmaninoff é item obrigatório na programação de pianistas virtuosos.

A Rússia tem do que se orgulhar na cenografia, como as temporadas parisienses de balé promovidas por Serguêi Diaghilev, e na teoria e prática teatrais, com o ator Michael Tchekhov, que emigrou para os Estados Unidos e lá implantou os princípios fundamentais da arte dramática em Hollywood. Como resultado, todos os atores modernos atuam de acordo com os princípios de Stanislávski ou deTchekhov. No cinema, qual apreciador desconhece os nomes de Serguêi Eisenstein e Andrêi Tarkóvski? 

Em um contexto mais amplo, não podemos deixar de mencionar o norte-americano de origem russa Vladímir Zvorikin, natural da cidade de Murom, na Rússia central, conhecido internacionalmente por ter levado à prática a teoria de TV. Até mesmo as revoluções psicodélicas dos anos 1960 e 1980 foram causadas, em grande parte, por Alexander “Sasha” Shulgin, farmacologista e químico americano de origem russa, conhecido por seus trabalhos na área de substâncias químicas psicoativas e por ter sintetizado pela primeira vez a maior parte das drogas “de expansão da mente”.

Extraído do sítio Gazeta Russa

8 de maio de 2013

"PETERSBURGO DE DOSTOIEVSKI" É OPÇÃO DE TURISMO NA RÚSSIA

Passeio levará o visitante a um mergulho no mundo do escritor russo.

A bailarina Evgenia Obraztsova na São Petersburgo de Dostoiévski.
Além dos tradicionais pontos turísticos de São Petersburgo, os visitantes da “capital cultural” da Rússia também têm a chance de conhecer um outro lado da cidade, explorado pelo grande escritor russo Fiodor Dostoievski. Trata-se da excursão “Petersburgo de Dostoievski”, organizada pelo Apartamento-Museu Dostoievski, que será realizada no dia 11 de maio.

Essa “outra São Petersburgo” é formada por cruzamentos e ruas, estreitos canais e pontes bucólicas, além de prédios e pátios que marcaram alguns livros clássicos da literatura russa. Dostoievski transformou a cidade em uma personagem à parte em seus livros, criando o fenômeno conhecido como "Petersburgo de Dostoievski".

Durante a excursão literária, os participantes têm a oportunidade de vivenciar a atmosfera dos romances do escritor, conhecendo tanto os lugares associados com os principais eventos da vida de Dostoievski, quanto algumas instalações municipais que expõem o planejamento da cidade.

O tour pela “Petersburgo de Dostoievski” passa pelas casas dos personagens de Rodion Raskolnikov e da velha agiota de “Crime e Castigo”, e de Rogozhin do livro “O Idiota”. A excursão também visita o Castelo de São Miguel, onde o escritor estudou e o local onde Fiodor Dostoievski esteve prestes a ser executado.

Se uma das melhores formas de conhecer um país ou uma cidade é pela sua cultura, o tour literário é uma ótima oportunidade de conhecer a capital cultural da Rússia pelo ponto de vista da biografia de Dostoievski e das personagens de seus romances.

O passeio será realizado no dia 11 de maio, entre 16h e 18h(horário de Moscou), começando pela estação de metrô Praça Sennaya.

Extraído do sítio Diário da Rússia

11 de abril de 2013

UNIVERSIA BRASIL OFERECE LIVROS DE JANE AUSTEN E DOSTOIÉVSKI PARA DOWNLOAD GRÁTIS

A Universia Brasil (www.universia.com.br) disponibiliza nesta semana para download grátis livros dos consagrados autores Fiódor Dostoiévski e Jane Austen. Do escritor russo, o portal disponibiliza o livro Os Irmãos Karamazov, escrito em 1879 e considerada uma das mais importantes obras tanto da literatura russa quanto da literatura mundial.

O livro conta a história de uma conturbada família que tem como patriarca um palhaço devasso que subiu na vida devido aos dotes de suas duas mulheres, ambas mortas precocemente. Com a primeira teve um filho, criado por um de seus empregados. Com a segunda esposa tem mais dois filhos, ambos criados por um familiar. Enquanto um dos filhos se torna um atormentado, devido à sua inteligência, o outro se torna uma pessoa mística e pura.

Já da escritora britânica Jane Austen, o portal oferece o livro Emma. A obra foi publicada pela primeira vez em 1815. Assim como em seus outros romances, Austen relata as dificuldades das mulheres inglesas do século XIX, criando, por meio de seus personagens, uma espécie de comédia de costumes.

Na introdução do livro, Austen descreve a personagem principal como “Emma Woodhouse, bonita, inteligente e rica”. Contudo, a jovem é, principalmente, mimada. Ela superestima seu poder de manipular as situações e acaba por não perceber os perigos de interferir na vida das pessoas. Isso faz com que ela se engane com o sentido das intenções e atitudes alheias.

Vale lembrar que desde o início deste ano, a Universia Brasil oferece aos internautas um novo livro por dia em seu portal. Todas as obras estão em formato PDF. O arquivo já conta com mais de 1.100 obras. Para ter acesso às obras basta acessar o link:http://noticias.universia.com.br/tag/livros-grátis.

Extraído do sítio Portal Nacional de Seguros

13 de outubro de 2012

LITERATURA RUSSA: QUANDO LER O QUÊ - Denise Sales

Existe época certa para ler os russos? Por qual autor começar? Qual obra? E as traduções, como escolher? Perguntas difíceis que podem ter várias respostas. Cada leitor deve buscar a sua.

Certa vez, um amigo meu passou por uma grave crise de saúde e ficou alguns dias hospitalizado. Pensando no tédio do quarto de hospital, comprei uma tradução de Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski, e levei pra ele de presente. Esse episódio agora faz parte do anedotário de nossa amizade. Ele adora contar e recontar como se sentiu torturado por aquela leitura.

Esse é um exemplo de presente certo na hora errada; tenho certeza de que meu amigo teria adorado Crime e Castigo em outro momento da vida. Assim como aconteceu com ele, muitos começam a ler os grandes romances de Dostoiévski ou Liev Tolstói na hora errada e nunca mais se animam a tentar de novo. Outros devoram as centenas de páginas desses clássicos em poucos dias e transformam-se em fãs eternos. Não há receita pronta, mas algumas dicas podem ajudar na escolha.

Os mais conhecidos e mais traduzidos

Fiódor Dostoiévski: Para quem gosta de romances densos e longos, há várias opções: Os Irmãos Karamázov, O idiota, Crime e Castigo...

As novelas são uma boa alternativa para quem começou, mas não conseguiu terminar os romances: Gente Pobre, Noites Brancas, Niétotchka Niezvânova...

Uma faceta pouco conhecida de Dostoiévski pode ser encontrada em O crocodilo, novela cômico-satírica de 1864.

Liev Tolstói: Os leitores mais familiarizados com os romances do século XIX vão gostar de Anna Kariénina e Guerra e Paz, clássicos lidos, discutidos e adaptados no mundo inteiro.

As novelas e contos longos, como Padre Sérgio, A morte de Ivan Ilitch, Três mortes e O diabo, são uma boa amostra para quem não tem fôlego para romances.

Duas opções para sair do trivial: Contos da nova cartilha e a peça (sim, Tolstói também foi dramaturgo!) O cadáver vivo.

Anton Tchékhov: Mais famoso como dramaturgo e contista.

Há várias seleções de contos curtos publicadas no Brasil: Os melhores contos de Tchékhov, A dama do cachorrinho e outros contos, A corista e outras histórias...

Os contos longos e as novelas revelam outro lado do escritor: O beijo e outras histórias, Minha vida...

Para quem gosta de ler peças, há diversas opções: As três irmãs, A gaivota, Os males do tabaco, Ivanov...

Quem prefere ser espectador em vez de leitor, pode ficar de olho na programação dos teatros da cidade onde mora. Tchékhov tem sido grande fonte de inspiração para a maioria das companhias teatrais brasileiras.

Aleksandr Púchkin: Para os russos, o maior e o melhor de todos os tempos. Iniciador da literatura russa moderna, um gênio da poesia e da prosa.

No Brasil, não é tão popular quanto Dostoiévski e Tolstói, mas muitas de suas obras já foram traduzidas: A dama de espadas, Noites egípcias, Eugenio Oneguin, Contos de Belkin, O negro de Pedro, o Grande...

Nikolai Gógol: Seu O inspetor geral é uma das peças russas mais conhecidas entre nós.

Os críticos dividem sua obra em duas fases: ucraniana e petersburguesa. Ambas encontram-se disponíveis em traduções brasileiras. Da primeira,Vii, Tarás Bulba, A terrível vingança... Da segunda, Almas mortas, O nariz,O capote, Avenida Niévski...

Autores que valem uma garimpagem 

1- Aleksandr Soljenítsin; 2- Vladimir Nabokov; 3- Viktor Pelevin; 4- Vladimir Voinóvitch; 5- Aleksandr Fuprin; 6- Ivan Turgueniev; 7- Nikolai Leikov; 8- Mikhail Liérmontov; 9- Vladimir Maiakóvski; 10- Fiódor Sologun; 11- Mikhail Bulgákov; 12- Boris Pasternak; 13- Anatoli Ribakov; 14- Isaac Bábel; 15- Maksin Gorki; 16- Ôssip Mendelstam; 17- Anna Akhmatova; 18- Marina Tsvetáieva.

Obviamente, essa lista não esgota nem autores nem obras. São apenas sugestões citadas de memória. Quanto às traduções, merecem um post especial. Por enquanto, posso dizer que o mais importante é saber identificar os vários tipos e fazer uma escolha consciente.

Indiretas: grande parte das traduções mais antigas é indireta, feita a partir de traduções em inglês ou francês.

Diretas: a maior parte das traduções mais recentes, sobretudo das últimas duas décadas, é direta do russo; nelas são destacados o nome do tradutor e a edição russa usada como referência.

Mais anotadas: algumas editoras apostam nas notas explicativas, prefácios, posfácios e ensaios complementares.

Menos anotadas: outras preferem textos mais “limpos”, sem notas.

“De grife”: com o aumento do número de traduções diretas, alguns tradutores se destacam e os próprios leitores começam a identificar os seus tradutores preferidos.

Plagiadas: fuja delas! Antes de comprar, consulte o blog de Denise Bottmann “Não gosto de plágio” 

Finalmente, acompanhe os lançamentos e comece a identificar temas, gêneros e tendências com os quais você mais se identifica. E presenteie os amigos. Na hora certa!

Extraído do sítio Gazeta Russa

20 de setembro de 2012

LÊNIN DOMINA ESTANTE DAS OBRAS RUSSAS - Svetlana Borissova

Com quase quatro mil versões de suas obras, pai da Revolução Russa figura entre os autores mais traduzidos do mundo.

Vladímir Lênin em seu escritório. Foto: Itar-Tass
Ele bateu Kafka, Hemingway e até mesmo Platão, elevando a posição da Rússia no ranking de países com autores mais lidos no mundo. Na lista das obras literárias mais traduzidas, Lênin só fica atrás de Enid Blyton, autora inglesa de livros infantis, William Shakespeare, Jules Verne e Agatha Christie, que possui 7.117 versões de seus livros.

O pai da Revolução Russa, por sua vez, já foi traduzido em 3.589 versões, segundo estudo Index Translationum da Unesco, que computa os diversos livros e as várias línguas nos quais as obras são imprensas.

Lênin também supera outros grandes nomes da literatura mundial, como Christian Andersen, Stephen King, Alexandre Dumas, Mark Twain e Georges Simenon. O poderio russo não é, contudo, uma exclusividade do seu legado.

No caldeirão dos maiores nomes da história, encontram-se também Fiódor Dostoiévski, na 17º posição com 2.232 versões traduzidas e o autor norte-americano de origem russa Isaac Asimov, no 22° lugar com 2.116 versões, seguido de perto por Lev Tolstói. O autor de Anna Karenina coleciona até agora 2.093 adaptações.

É interessante notar como os autores ativos até o período da União Soviética, ou até meados de 1991, levaram a Rússia à quinta posição da lista dos países mais traduzidos, logo após a Alemanha, Espanha, França, Japão e Itália.

Já em relação aos autores estrangeiros mais populares na Rússia, estão Alexandre Dumas, Danielle Steel, James Hadley Chase e Christian Andersen.

Extraído do sítio Gazeta Russa

19 de setembro de 2012

O CÁRCERE NA LITERATURA RUSSA - Denise Sales

Recordações da casa dos mortos, Ilha Sacalina, Arquipelágo Gulag e Contos de Kolimá – quatro relatos do cárcere nas letras russas de Dostoiévski, Tchékhov, Soljenítsin e Chalámov ao longo de dois séculos.

Fiódor Mikháilovitch Dostoiésvki

Num fim de semana em Piracicaba, num grupo de amigos, sob uma estonteante primavera em flor, começamos a falar de Fiódor Mikháilovitch Dostoiésvki (1821-1881). O motivo: uma tradução de Recordações da casa dos mortos (1861), publicada em 1936 pela Civilização Brasileira. O livrinho de páginas amareladas, guardado na gaveta da sala, veio à tona por causa de expressões e palavras inusitadas, que discutimos ali na hora e agora Marlei tem me mandado gentilmente por e-mail, à medida que avança na leitura. “De quatro costados”, “de uma feita”, “mui pesado”, “dubitação”, “chelpa”... Marcas do tempo e peculiaridades linguísticas do tradutor, revisor ou editor em traduções merecem um post especial. Por enquanto, vamos ficar com o tema do livrinho amarelado.

Recordações da casa dos mortos, na tradução de Nicolau S. Peticov para a editora Nova Alexandria, ou Memórias da casa dos mortos, na tradução de Natália Nunes e Oscar Mendes para a Nova Aguilar (reeditada pela L&PM num livrinho de bolso), começa com uma Introdução que explica a origem da história narrada: um conjunto de casos singulares, escritos de modo bem particular por Aleksandr Goriântchikov. Condenado a dez anos de trabalhos forçados na Sibéria pelo assassinato da mulher, Goriântchivov deixa manuscritos sobre a sua vida na prisão que são publicados após a sua morte.

O relato baseia-se nas experiências do próprio Dostoiévski. Em abril de 1849, ele foi preso por participação no Círculo de Petrachévski, grupo de intelectuais que discutiam as principais questões políticas da época. Para julgar o caso, o tsar Nicolau I convocou um tribunal especial, que condenou quinze dos acusados, inclusive Dostoiévski, à pena de morte. No dia da execução, todos estavam sobre o patíbulo, aguardando o fuzilamento, quando o pelotão baixou os fuzis. Em vez dos tiros, eles ouviram a leitura do perdão do tsar e as respectivas penas substitutivas. Dostoiévski cumpriria então quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria.

Para o professor, crítico e tradutor Boris Schnaiderman, Dostoiévski é o grande representante da ficcção-documental e Recordações da casa dos mortos, a sua obra em que mais se evidencia a relação entre literatura e realidade histórica.

Segunda edição (1862) de Recordações da casa dos mortos na Rússia. Fotografia publicada no site da Casa de Leilões Imperia. Foto: auction-imperia.ru

O tema das prisões, casas correcionais e campos de degredo e trabalhos forçados aparece também em obras de outros escritores russos. Em julho de 1890, Anton Pávlovitch Tchékhov (1860-1904), mais conhecido entre nós como contista e dramaturgo, viajou ao extremo oriente da Rússia para registrar as condições de vida na colônia penal da ilha Sacalina, situada entre os mares de Okhotsk e do Japão. Em três meses de contato direto com moradores, degredados, condenados a trabalhos forçados, funcionários públicos e autoridades, Tchékhov recolheu material para os 23 capítulos de Ilha Sacalina (1895), que mistura pesquisa acadêmica, jornalismo e literatura e contém relatos de viagem, trechos de conversas com moradores e prisioneiros, descrições geográficas, dados etnográficos, informações sobre as condições de saúde da população...

Aleksandr Issáievitch Soljenítsin Foto: wikipedia.org

No século XX, o Arquipélago Gulag (1973), de Aleksandr Issáievitch Soljenítsin (1918-2008), denunciou os campos de trabalhos forçados soviéticos, documentando em quase seiscentas páginas episódios ocorridos de 1918 a 1956. No início do livro (p. 11 da edição brasileira do Círculo do Livro, com tradução de Francisco A. Ferreira, Maria M. Llisto e José A. Seabra), Soljenítsin comenta assim a publicação de outros testemunhos: “Quando comecei a escrever este livro, no ano de 1958, não tinha conhecimento de quaisquer memórias ou produções literárias sobre os campos de concentração. Nos anos de trabalho que decorreram até 1967, fui tomando conhecimento, gradualmente, das Narrativas de Kolimá, de Varlam Chalámov, e das memórias de D. Vitkóski, E. Guinsburg e O. Adámova-Sliozberg, a cujos trabalhos me refiro no decorrer da exposição como fatos literários conhecidos por todos (assim há de ser, no fim de contas).”

Varlam Tikhonovitch Chalámov Foto: wikipedia.org

Em breve, Varlam Tikhonovitch Chalámov (1907-1982) será fato literário também no Brasil. O professor e tradutor Nivaldo dos Santos e eu estamos trabalhando na tradução dos Contos de Kolimá (1972), cujo primeiro volume deve sair no ano que vem, pela Editora 34. Como projeto da vez, é claro que ele vai merecer umas palavrinhas a mais, no próximo post.

Quem quiser se adiantar pode assistir o curta de imagens do campo stalinista de Butugitchag, fotografado por Iúri Gorlov e Anatoli Agueiev em meados da década de 1980, depois da desativação:


Ou então dar uma olhada no site dedicado a Varlam Chalámov em inglês.

Extraído do sítio Gazeta Russa

12 de setembro de 2012

UM PRECURSOR DA LITERATURA RUSSA DO SÉCULO XIX - Denise Sales

Para a literatura russa, o final do século XVIII e começo do XIX foi época de definição de rumos e criação das bases para os grandes nomes de expressão mundial que viriam a seguir, como Dostoiévski e Tolstói. Historiador, prosador e poeta, Nikolai Karamzin é uma das figuras fundamentais desse período.

Em 2011, aceitei com prazer o trabalho de traduzir o livro Imagens artísticas do tempo e do espaço na literatura russa do século XIX, do crítico e escritor russo Andrêi Kofman. No mês passado, quando eu estava começando a tradução do último capítulo, “Cronologia da literatura russa clássica e do Século de Prata (1800-1917)”, a editora Marina Darmaros me convidou para escrever um blog sobre literatura russa. Eu precisava definir o conteúdo e fazer o primeiro post. A ideia parecia boa e inspiradora; pedi dois dias para pensar. Passaram-se duas semanas áridas, sem nenhum sinal da definição do conteúdo nem da redação do post.

No final, o texto de Kofman me inspirou. Na “Cronologia”, ele faz um apanhado dos escritores, obras, trabalhos filosóficos, críticas, revistas literárias e associações artísticas que afetaram a atmosfera intelectual do século XIX na Rússia e ressalta a importância do ambiente literário geral para o surgimento dos grandes escritores. Pronto! Ali estava o conteúdo: a literatura russa e todo o contexto que envolve o seu florescimento. Faltava apenas acrescentar a tradução, sem a qual os “monstros” russos, como dizia Graciliano Ramos, seriam inacessíveis à grande maioria dos leitores brasileiros.

Por que Karamzin?

Nikolai Mikháilovitch Karamzin
(1766-1826)
Sempre é hora de falar em nomes importantes da literatura russa pouco conhecidos no Brasil. Entre nós, quem conhece Nikolai Karamzin? Provavelmente quem estuda língua, literatura e história russas e também quem leu a Nova Antologia do Conto Russo, lançada no ano passado pela Editora 34.

Pobre Liza (1792), de Karamzin, abre os 40 contos selecionados. Na tradução de Natalia Marcelli de Carvalho e Fátima Bianchi (p. 23-37), está a expressão máxima do sentimentalismo russo, movimento literário idealista e sonhador, com ênfase na subjetividade, surgido em resposta aos rigores racionalistas da tradição clássica.

A história é contada por um habitante de Moscou que passeia pelos arredores da cidade e sempre se sente atraído pelos muros do mosteiro de Símonov por causa das “recordações do lamentável destino de Liza, da pobre Liza”. É com exclamações e ternura que ele introduz o relato: “Ah! Gosto das coisas que me tocam o coração e me fazem derramar lágrimas de doce pesar!”

A atmosfera sentimental e trágica do conto foi belamente representada no desenho animado mudo de mesmo nome, de 1978, dirigido por Ideia Garanina (1937-2010), especialista na técnica de animação com bonecos, e musicado por Aleksêi Ribnikov (1945-), compositor premiado, responsável pela trilha sonora de mais de cem filmes e desenhos animados. Vale a pena assistir.


História e literatura

Sempre é hora de falar em nomes importantes da literatura russa que nos fazem lembrar outros nomes importantes da literatura russa.

Karamzin foi fundamental para a formação dos escritores e pensadores russos do século XIX e vários clássicos fazem referência às suas obras. É o caso, por exemplo, de Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski (1821-1881) em Gente pobre (1846).

Além de escritor, Karamzin foi historiador oficial do Império Russo de 1803 até o final da vida. Com remuneração regular do governo, dedicou-se à História do Estado Russo e publicou os primeiros oito volumes em 1818. O projeto foi interrompido com sua morte, no décimo segundo volume.

Entretanto, os princípios desse trabalho, que sistematizou pela primeira vez a história da terra russa em um quadro amplo, não escaparam a críticas. Em 1869, Mikhail Evgráfovitch Saltykov-Schedrin (1826-1889) publicou História de uma cidade – uma crítica às “verdades” históricas. A comparação de trechos dos dois autores deixa clara a diferença entre o relato oficial e a literatura satírica.

Esta é a dedicatória de Karamzin ao imperador Alexandre I (1777-1825), que governou a Rússia de 1801 a 1825: “Estai vigilante, monarca querido. [...] a história registra os feitos dos magnânimos tsares e, na posteridade mais distante, inspirará amor à vossa santa memória. Recebei com benevolência este livro, demonstração de tudo isso. A história do povo pertence ao tsar.”

Este é um trecho do primeiro capítulo de História de uma cidade, em que o editor ficcional explica por que decidiu publicar os “Anais de Tolóvia”: “O conteúdo dos ‘Anais’ é bastante uniforme: esgota-se quase exclusivamente com a biografia dos governantes que, num período de pouco menos de um século, dominaram os destinos de Tolóvia, e com a descrição de suas notabilíssimas ações, a saber: viagens rápidas nos cavalos dos correios, cobrança enérgica de impostos atrasados, marchas contra os cidadãos, arranjo e desarranjo de calçadas, imposição de tributos a comerciantes etc.”

Extraído do sítio Gazeta Russa

18 de dezembro de 2011

UMA EPOPÉIA NA TRADUÇÃO DIRETA DOS RUSSOS - Marina Darmaros

Editora pretende publicar mais clássicos da literatura russa e tem entre seus projetos coleção de arte modernista e Nikolai Gógol.

Principal obra de Lev Tolstói se soma a outras obras traduzidas diretamente nos anos 2000 Foto: ULLSEIN BILD / Vostock-photo
Quando Rubens Figueiredo traduziu Anna Kariênina, obra do conde russo Lev Tolstói (1828-1910, também grafado como “Liev” no Brasil) publicada no final de 2005 no Brasil, trilhou um caminho sem volta. “Depois de fazer Anna Kariênina e Ressurreição, o Guerra e Paz se tornou quase uma obrigação”, diz.

Publicado pela primeira vez em 1868 na Rússia (veja principais edições abaixo), o romance épico Guerra e Paz conta a história da invasão napoleônica da Rússia tsarista sob o ponto de vista de cinco famílias aristocráticas do país. A obra teve 36 milhões de exemplares vendidos somente na União Soviética, segundo dados da revista russa Kompiuart de março de 2000.

Escolha da especialista

Edições mais notáveis de Guerra e Paz na Rússia

Galina Aleksêieva, diretora do departamento de pesquisa e do Museu Tolstói de Iásnaia Poliana , indica as três principais edições da obra mais famosa do escritor russo


“Amais interessante é esta primeira edição, que saiu entre 1868 e 1869 pela editora Ris, em Moscou. Inicialmente, o romance saiu na revista “Rúski Vestnik”, e a primeira publicação em livro foi esta, que já é uma raridade, e não se encontra em qualquer biblioteca russa. Depois, surgiram centenas de edições pelo mundo.”


“A edição de 1983 que saiu pela série Monumentos Literários da editora Akademia Nauka é digna de nota por utilizar a primeira redação da obra, que teve algumas variantes (que somam 5 mil páginas de manuscritos armazenadas hoje em Moscou). A preparação é da famosa crítica Evelina Zaibentshur, já falecida.”


“A edição de luxo de 2008, lançada em razão dos 180 anos de Tolstói, saiu pela editora Béli Gorod, na série Monumentos da Literatura Mundial. É ilustrada belissimamente com retratos dos heróis da guerra de 1812, com desenhos maravilhosos feitos ainda durante a vida de Tolstói para a obra e de artistas contemporâneos.”

Apesar das diversas edições em português no Brasil - desde 1958 pela editora Globo, até 1974 pelo Círculo do Livro, e em 2007 pela L&PM -, uma das principais características da publicação de Guerra e Paz pela Cosac Naify neste mês é que a obra ganhou sua primeira tradução direta do russo no país. Até poucos anos atrás, as obras russas eram trazidas para o Brasil já de traduções para outras línguas, como o francês, e ficavam mais sujeitas a mudanças de sentido e de construção.

“O lançamento é um acontecimento muito importante para a literatura mundial, já que este romance ocupa o primeiro lugar na literatura universal”, afirma a russa rElena Vássina, professora de letras russas na Universidade de São Paulo.

Tradutor “oficial”

Escritor premiado, inclusive com o Portugal Telecom de Literatura 2011 por seu Passageiro do Fim do Dia, Figueiredo tornou-se também uma marca como tradutor de Lev Tolstói no Brasil. “Ele é uma figura muito importante, conhecido e premiado como escritor, e tem uma imagem literária muito peculiar. É uma sorte da literatura russa tê-lo como tradutor”, afirma Vássina.

Uma das grandes preocupações de Figueiredo é a de manter o estilo do autor, inclusive com recursos desprezados por alguns editores, como a repetição de palavras, que muitas vezes geram trechos totalmente reescritos em suas versões traduzidas.

“A principal dificuldade decorreu do esforço de preservar ao máximo os traços de linguagem relevantes para o significado geral da obra e para as preocupações do escritor”, diz Figueiredo.

Por ser uma obra densa, cheia de personagens históricos, a editora também preparou materiais extras anexados ao título. São cinco mapas, uma lista de personagens históricos, militares e outras figuras reais que permeiam o romance, além de uma apresentação do próprio Figueiredo e sugestões de leitura para o leitor que se interessar em saber mais sobre Tolstói e Guerra e Paz.

“A gente fez uma revisão especial e trabalhou com quatro pessoas no texto. Contratamos um editor-assistente só para este livro, para acompanhar tudo, e que elaborou, por exemplo, essas listas e mapas”, conta o diretor editorial da Cosac, Cassiano Elek Machado.

A primeira fornada sairá em uma edição especial de 7 mil exemplares – um número considerado alto para o Brasil, onde lançamentos geralmente têm tiragem inicial de 3 mil. A obra virá em dois tomos numa caixa e, apesar das mais de 2 mil páginas, seu tamanho regular será garantido pelo uso de papel-bíblia, mais fino e leve.

“É um livro que começou a ser criado há mais de quatro anos. Só a tradução durou três anos, e depois teve de seis a sete meses de edição. Então, ao longo desse processo a gente foi recriando o projeto até chegar em um formato menor, com papel mais fino, para a leitura ficar mais confortável”, explica Machado.

Um século tolstoiano

Guerra e Paz é o sexto livro de Tolstói pela editora, e uma realização importante numa longa lista de publicações diretas do russo ao longo de 2011. Do conde, só neste ano, ainda pode-se conferir os lançamentos A Nova Antologia do Conto Russo, da editora 34, Os Últimos Dias de Tolstói (coletânea de cartas, ensaios etc.), da Cia das Letras, Contos de Sebastópol, da editora Hedra, e Contos Para o Povo, a ser lançado até o final de 2011 pela editora Ateliê.

Guerra e Paz no Brasil

Em edição especial com tiragem de 7 mil exemplares, primeira tradução direta do romance épico de Tolstói sai no Brasil pela editora Cosac Naify. A obra vem em dois tomos em uma caixa e tem tamanho reduzido devido ao uso de papel-bíblia, mais fino, para tornar a leitura de suas mais de 2536 páginas mais confortável. Custa R$ 198.

Além disso, o ano foi marcado pela visita ao Brasil, em setembro, de Vladímir Tolstói, tataraneto do escritor e diretor do Museu Tolstói de Iásnaia Poliana, a propriedade rural do conde. “No seminário dedicado a Tolstói com a participação de Vladímir, ele disse que, se o século 20 foi de Dostoiévski, com muitas leituras e traduções do autor, o século 21 é de Tolstói”, conta Vássina.

Enquanto isso, Fiódor Dostoiévski, o escritor russo contemporâneo de Tolstói, continua a ser um dos sucessos do catálogo da editora 34, que produziu boa parte das traduções de sua obra. Com o avanço da Cosac sobre os títulos de Tolstói, criou-se uma espécie de contrato subliminar entre as editoras.

“Cada editora pegou um autor para trabalhar: a gente sempre com Tolstói, e eles com Dostoiévski. Não é um acordo por escrito, mas é quase um acordo informal de que a gente evitaria entrar no terreno do Dostoiévski e eles no do Tolstói”, conta Machado, que tem apenas um título do escritor peterburguense em seu catálogo: Uma Criatura Dócil.

Mais que de um escritor ou de outro, o século 21 tem se mostrado o da literatura russa no Brasil. “Mesmo sendo um tipo de tradução que não é o mais comum de se fazer, porque tem muito mais gente traduzindo do inglês, do francês, do italiano etc., a resposta do público à literatura russa é muito boa”, afirma Machado.


Extraído do sítio Gazeta Russa

17 de novembro de 2011

DOSTOIÉVSKI: UM GÊNIO AINDA AOS 190 ANOS DE NASCIMENTO - Milton Ribeiro

Há um período de nossa adolescência ou logo após, quando somos ou não universitários com algum tempo tempo livre — como diria Kafka, com mais energia do que necessidade de produzir –, em que usamos nosso tempo lendo clássicos. Neste período, procuramos ler os maiores ícones e, dentre estes, estará inevitavelmente Dostoiévski. E ele costuma ser uma experiência inesquecível. Como literatura e visão de mundo, é algo arrebatador. Se a aventura de lê-lo jovem nos causa profundas marcas, também tolhe-nos, pela inexperiência, a análise das razões de tal assombro.

Fiódor Mikhailovich Dostoiévski (Moscou, 30 de Outubro de 1821 — São Petersburgo, 28 de Janeiro de 1881) foi um escritor russo, considerado um dos maiores romancistas e um dos mais inovadores artistas de todos os tempos.

Fiódor foi o segundo dos sete filhos nascidos do casamento entre o médico Mikhail Dostoiévski e Maria Fedorovna. A mãe do escritor morreu quando ele ainda era muito jovem, de tuberculose, e o pai foi provavelmente assassinado pelos próprios servos, que o consideravam autoritário. Alguns biógrafos afirmam que o assassinato do pai causou a primeira crise epilética em Dostoievski, fato considerado controverso por seus atuais estudiosos.

A obra dostoievskiana explora a autodestruição, a humilhação e aspectos ético-religiosos, além de analisar os estados patológicos que levam ao suicídio, à loucura e ao homicídio. A literatura moderna e várias escolas da teologia e psicologia foram influenciadas por suas ideias. Por exemplo, seu último romance, Os Irmãos Karamazovi, foi considerado por Sigmund Freud como o melhor romance até então escrito e uma grande influência.

Por que Dostoiévski é diferente?

Há um outro clássico russo — Problemas da Poética de Dostoiévski, de Mikhail Bakhtin —,que investiga os procedimentos ficcionais do escritor russo e aquilo que neles há de original. Em um dos capítulos, A Ideia em Dostoievski, é analisado o motivo do assombro e sedução que um escritor nascido há quase dois séculos ainda exerce sobre seus leitores.

Antes de chegar a Dostoiévski, Bakhtin nos fala de Sócrates e sobre a natureza dialógica da idéia. Segundo o grego, o habitat natural das idéias é o diálogo. A ideia internalizada é algo inútil e morto; porém, se a mera divulgação de uma ideia já a altera pelas limitações da linguagem e de quem a expressa, imaginem as transformações que nela ocorrem quando em choque com outras. O diálogo socrático influenciou tanto Dostoiévski que ele direcionou sua arte no sentido de tornar-se principalmente um regente de personagens, retirando de seu texto a voz onisciente (que tudo sabe) do autor. Seu objetivo era o de deixar suas criaturas livres e de colocar-se à altura delas, nunca acima. Para fazer isto, o escritor tinha de converter seu pensamento numa arena na qual as diversas vozes do romance lutavam, sofriam, amavam, decidiam e se debatiam, sempre com sua própria lógica interna e verossimilhança — mas sem a aparente mediação do autor. Com esta disposição, Dostoiévski coloca-se como um criador de biografias pessoais e de situações que falam simbolicamente por si mesmas; mas que, pronto isto, deixa seus personagens livres, agindo e opinando de forma independente, enquanto anota o que dizem. Não é simples.

A tal projeto artístico, a esta quase insanidade de tornar sua obra uma arena, temos que acrescentar o fato de que Dostoiévski dá razão a todos e a ninguém, pois NUNCA EMITE JULGAMENTOS DEFINITIVOS. O escritor-voz-da-razão, o que elabora belas teses e aforismos infalíveis foi misturado a seus personagens. Dostoiévski não é divino nem definitivo.

A partir de Crime e Castigo – isto significa eliminar apenas as obras da juventude – só se conhecem as ideias de cada personagem, não a opinião do autor sobre elas. E muito menos se saberá quem o representa dentre os personagens. Ele não nos deixa pistas, pois permanece distante. Some-se a isto uma imensa capacidade de observação, um talento artístico ímpar e o fato de ser um manancial de preocupações éticas muito a frente de seu tempo, e estaremos no caminho de entender porque Dostoiévski é tão apaixonante.

Dostoiévski ou Tolstói?

Esta é uma pergunta provocativa não somente porque coloca frente a frente dois monstros do romance russo do século XIX, mas também porque compara dois projetos literários muitíssimo bem sucedidos e distintos. Não chega a ser lógica uma comparação entre seres humanos e romancistas tão diferentes entre si — seja nas posturas, seja nas vivências de cada um — , porém, ao mesmo tempo sabemos que nada é mais lógico do que comparar dois contemporâneos importantíssimos, como hoje fazemos com Saramago e Lobo Antunes, por exemplo. Aqui a armadilha que devemos evitar é o elogio de um para desvalorizar o outro. Eram ambos autores de grandes painéis. Seus romances eram tudo: psicológicos, sociais, filosóficos, picarescos, metafísicos (no caso de Dostoiévski) e tão grandes que empurraram as fronteiras dos gêneros para poderem se acomodar dentro delas.

Tolstói talvez seja o maior de todos os narradores clássicos — por que mesmo não recebeu o Nobel se faleceu em 1910? Seus romances são perfeitos, têm ritmo, excelente prosa, envolvem. Se fossemos obrigados a compará-lo com alguém, seria com Turguênev ou com certa parte da obra de Tchékhov. E aqui voltamos às questões de foco narrativo. Tolstói era o típico narrador onisciente que, apesar de detalhista, não era capaz de abandonar sua posição aristocrática, o senso comum da época e o certo e errado da concepção cristã do mundo. Já Dostoiévski, quando comparado a Tolstói, parece um alucinado. O narrador de Dostoiévski localiza-se sob a pele dos personagens, saltando de um para outro, deixando-se reger de tal forma por suas lógicas (ou loucuras) que faz sumir o narrador-julgador.

Tolstói, é claro, chamava os romances de Dostoiévski de mal-acabados. O acabamento era fundamental para clássicos como ele e Thomas Mann, por exemplo. Tolstói não tinha razão ao chamar os romances de Dostoiévski de mal-acabados. Eram muito diferentes. Pois livros como Crime e Castigo e O Idiota — sôfregos, nervosos e tão viscerais — , sob o filtro de Tolstói se transformariam em outra coisa. Quem pensa em acabamento quando quer descobrir quem matou o velho Fiódor? E quem criticaria o acabamento absolutamente impecável da Parábola do Grande Inquisidor — apenas para me referir a dois temas de Os Irmãos Karamázovi? Ora, Dostoiévski não estava preocupado com o acabamento porque as regras vigentes da beleza literária o atrapalhavam; porém, quando precisou, fez uso delas brilhantemente. Na verdade, uma das últimas preocupações que temos ao ler Dostoiévski é com o acabamento. Os personagens de Tolstói sofrem com dignidade, os de Dostô berram e se escabelam. Não obstante, o horror metafísico que cresce de O Idiota não fica nada a dever ao de Ivan Illich.

Enquanto Guerra e Paz é um panorama, Os Irmãos Karamázovi aponta para o fim de uma era, como Dostoiévski já mostrara em Os Demônios. Tolstói é um burguês, Dostoiévski pensa um apocalipse ético e moral. São muito diferentes. E muito bons.

Dostoiévski, o que e que traduções ler?

As gerações passadas leram Dostoiévski nas Obras Completas do autor russo da Editora José Olympio. Hoje sabemos que não era nada completa. Eram livros bonitos, vermelhos, de capa dura, o que havia de melhor. Os tradutores eram Rachel de Queiróz, Ledo Ivo, Brito Broca, etc. Todos os livros vinham com esplêndidos prefácios de gente como Otto Maria Carpeaux e Wilson Martins. Minha geração engoliu aqueles livros como se fossem o melhor Dostoiévski possível. Não eram. O que tinham de bom eram os prefácios…

Nos anos 80, começaram a aparecer novas traduções, totalmente diferentes. A explicação era incrível. As traduções antigas, aquelas da José Olympio, eram feitas a partir de outras traduções, francesas, do início do século XX. Os tradutores franceses daquela época não eram nada respeitosos, açucaravam expressões, situações e até criavam frases facilitadoras. Ou seja, eles adaptavam os autores ao gosto francês, aparavam as arestas, retiravam espinhos, deixavam-no… mais bonitos…

Porém, nos anos 90, a Editora 34 montou um time de tradutores para retraduzir todo Dostoiévski. Antes, aqui e ali, já aparecera o verdadeiro autor: havia as traduções de Boris Schnaiderman dos grandes russos; nos anos 80, Moacir Werneck traduziu O Jogador e O Eterno Marido direto do russo. O resultado foi um autor muito mais direto e sem firulas. Muito melhor, limpo e impactante, certamente. Mas a revelação do verdadeiro e completo Dostoiévski veio nos anos 90 com Paulo Bezerra na Editora 34. Digo com a maior tranquilidade que quem leu O Idiota e Crime e Castigo nas traduções antigas, leu outros livros. Dizem meus olhos e minha mente que estes 'romanções' só foram verdadeiramente traduzidos há pouco. As novas versões estão certamente bem mais próximas de Dostoiévski, por mais que Brito Broca tenha feito milagres com sua versão francesa de Crime e Castigo.

Então, indicamos a coleção da 34 ou outras traduções diretas. Para este humilde leitor, O Idiota só se tornou uma obra-prima após a leitura da tradução de Bezerra. A tradução da José Olympio tem todos os méritos associados ao pioneirismo e às parcas possibilidades dos anos 50, mas vão me desculpar, os dois Idiotas têm pouco a ver um com outro. Toda a transcedência e o valor altamente filosófico da obra perdeu-se na passagem para o francês ou para o português.

Dostoiévski não é nada, mas nada romântico. É um escritor bem mais duro do que fazem crer as antigas traduções. Porém, se não houver dinheiro e o leitor do Sul21 encontrar uma das antigas traduções que têm reaparecido ainda hoje a preços módicos, compre do mesmo jeito. Um mau Dostoiévski é superior a quase tudo que haverá em torno.

O que ler? Ora, tudo o que foi escrito após Crime e Castigo, incluindo este, com destaque para Os Irmãos Karamazóvi, Os Demônios, O Idiota, O Jogador e O Eterno Marido.. São todos volumes de mais de 500 páginas, mas é puro tempo ganho.

Extraído do sítio do jornal Sul21

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